Bastidores da TV
Trilha familiar
Flávio
Ricco
Colaborou José Carlos Nery
A
Globo é o melhor exemplo do errado que dá certo. Coisas
que acontecem na emissora em nada são diferentes aos gabinetes
do Congresso de um certo país. O "nepotismo" é
a especialidade da casa e raros os que não se completam dele.
Pode contar: são poucas as novelas que não apresentam
em seus elencos conhecidas ligações familiares,
amorosas ou de amizade. Isso quando não há o chamado
intercâmbio ou a conhecida troca de favores.
E
assim vamos indo. Agora, por exemplo, Tânia Mara já tem
música incluída na trilha de " Páginas da
vida", que o seu namorado, Jayme Monjardim, por acaso está
dirigindo. Dizem que foi uma escolha do Manoel Carlos. Então
tá. Quando o Jayme ainda estava na "América",
a Glória Perez deve ter feito o mesmo, porque a Tânia
também apareceu cantando por lá. Esses autores... Isto,
claro, sem contar que o irmão dela, Rafael Almeida, foi
incluído no elenco. Será o pianista da história.
Em "Sinhá moça", outro exemplo: a adaptação
é feita por duas filhas do autor Benedito Ruy Barbosa, que
ainda escalou um filho para cuidar da parte musical.
Wolf
Maya, diretor de "Cobras e lagartos", convocou a filha e o
namorado dela para o elenco. São apenas alguns casos, mas
existem outros. Portanto, atores, atrizes, cantoras e cantores,
autores e produtores musicais interessados, pouco adianta currículo,
talento ou outras bobagens do gênero. O caminho mais curto para
se chegar às novelas da Globo é encontrar por lá
um parente, amigo, namorado ou namorada. Parece que não tem
outro.
(Tribuna da Imprensa , http://www.tribunadaimprensa.com.br/coluna.asp?coluna=nery, 08-09/07/2006)