Previdência e mídia - I
Da matéria “Déficit
da Previdência não preocupa, diz Lula”, na Folha
de hoje (clique aqui). Por Clóvis Rossi e Sheila
D’Amorim
"Tenho dito que [o déficit] não
é da Previdência Social. É porque nós
brasileiros resolvemos fazer a mais forte política social que
o país já fez. Isso é um gasto que o Brasil tem
que assumir com os seus pobres. Não vejo nenhum problema."
Nas contas do presidente, fora isso, "se pegar os trabalhadores
que contribuem e recebem [benefícios], não há
déficit" (disse Lula).
Cálculos
Porém,
Lula deixou de fora os R$ 13,5 bilhões que ficaram faltando em
2006, após o Ministério da Previdência
contabilizar receitas e despesas com os trabalhadores urbanos.
O
dado correto é R$ 3,8 bi. R$ 13,5 bi é o déficit
do trabalhador urbano sem contabilizar as renúncias
fiscais.
Além disso, o presidente inclui indevidamente
na sua conta os idosos carentes acima de 65 anos que passaram a ter
direito a um benefício com a Constituição de
1988 e os portadores de deficiências também assistidos
pela Loas (Lei Orgânica de Assistência Social).
Porque
indevidamente, se claramente é política social, não
política previdenciária?
Os R$ 12,3 milhões
pagos, em 2006, a 2,9 milhões de pessoas que são
beneficiadas pela Loas não entram no cálculo do déficit
da Previdência. Já a inclusão no sistema dos
trabalhadores rurais que até a Constituição de
1988 recebiam apenas um auxílio do governo, teve um peso
considerável. Dos R$ 42 bilhões de déficit
registrado em 2006, R$ 28,5 bilhões devem-se a gastos com
essas pessoas.
Mesmo se elas fossem retiradas das contas,
ainda sobraria um rombo de R$ 13 bilhões. E é nesse
universo que está um dos maiores problemas para o governo
enfrentar a situação.
Se estava aí um dos
maiores problemas, deixou de estar, porque o valor correto é
R$ 3,8 bi (é só conferir nas tabelas que publiquei na
aba de ECONOMIA.
(Luís Nassif, http://luisnassif.blig.ig.com.br/, 27/01/2007, 10h11)