DEPUTADO É
DETIDO COM R$10 MI
DE AUXILIAR DE ESCRITÓRIO A DONO DE IMPÉRIO DE COMUNICAÇÃO
Homem-chave da Igreja
Universal, o deputado João Batista é sócio de 9
empresas de rádio e televisão
Ricardo
Brandt
Detido ontem com sete malas de dinheiro no Aeroporto
de Brasília, o deputado João Batista Ramos da Silva
(PFL-SP), de 61 anos, é um dos homens de confiança dos
negócios da Igreja Universal. De ex-auxiliar de escritório
da companhia de gás Gasbras, no Rio, e funcionário da
Embratel, o bispo João Batista, como é conhecido, virou
um executivo da área de comunicação pelas mãos
da Universal.
Entre 1992 e 2002 Batista ocupou o maior cargo, o de
diretor-presidente, das emissoras de TV ligadas à igreja: Rede
Record, de 1992 a 1996, Rede Família, de 1998 a 2002, e Rede
Mulher, de 1999 a 2002. Durante esse período, o deputado
aproveitou para montar um pequeno império pessoal das
comunicações. Adquiriu cotas de sociedade em nove
empresas do setor espalhadas pelo País, entre rádios e
televisões - quatro já vendidas -, segundo sua
declaração de bens entregue à Justiça
Eleitoral em 2002.
Seu patrimônio oficialmente declarado, de
R$ 1,5 milhão, é composto ainda por duas empresas das
quais aparece como sócio: a LM Consultoria Empresarial e
Participações e a New Tur - Novo Turismo.
Tido no
PFL como um homem de poucas relações partidárias,
o bispo João Batista entrou para a legenda em 2001, com o
objetivo de ser candidato pela Igreja Universal. Foi eleito com 121,2
mil votos.
O período de atuação nas emissoras
de TV e de compra de suas empresas coincide com a época em que
a Universal é apontada como beneficiária de um esquema
de evasão de divisas e sonegação fiscal que
teria rendido pelo menos US$ 18 milhões para a igreja.
A
Universal é investigada pelo Ministério Público
Federal desde 1999, por supostamente manter duas empresas, a
Cableinvest Limited e a Investholding Limited, em paraísos
fiscais. As empresas teriam sido usadas de 1992 a 1994 para remessas
de dinheiro, via doleiros do Uruguai, para líderes da igreja e
para laranjas. Um dos negócios investigados é a compra
da Record do Rio, em 1992.
Bispo João Batista é um
dos investigados pelo Ministério Público Federal no
processo. Cruzamentos de dados da Receita Federal mostram que pelo
menos R$ 56 milhões foram parar em contas de bispos da igreja,
entre eles João Batista.
Ele seria também sócio,
juntamente com as duas empresas investigadas, da Unimetro
Empreendimentos - usada para administrar imóveis da igreja.
(O Estado de S. Paulo, 12/07/2005, 1ª página e pp. A4 a A6)