INTERNACIONAL
JAPÃO
ACIONISTAS LESADOS PROCESSAM AUDITORES DA FALIDA YAMAICHI
Prejuízos não eram revelados aos investidores, mas camuflados entre as contas segundo a prática do tobashi.
Financial Times
Os auditores da Yarnaichi Securities, a corretora japonesa que faliu em novembro do ano passado, estão sendo processados pelos acionistas por má administração. Trata-se da primeira ação judicial movida contra uma empresa de auditoria no Japão. A ação contra a Chuo Audit Corporation, que pertence à rede intemacional da Coopers & Lybrand, produzirá reformas nos métodos contábeis do Japão, criticados pelos investidores ocidentais.
Quarenta acionistas de Osaka processam a administração da Yamaichi e a Chuo Audit exigindo indenizações pelos prejuízos provocados pela queda desastrosa do preço das ações da Yamaichi. Hiroshi Nakaji, diretor da Nakaji Audit Corporation e próximo presidente da Associação de Contabilidade do Japão, comentou: "Isto é novidade no Japão. Obrigará os profissionais de contabilidade a agir com maior rigor no futuro".
A ação é um complicador para a Coopers & Lybrand, que está prestes a concluir uma fusão de US$13 bilhões com a Price Waterhouse, visando proporcionar aos clientes múltinacionais um "serviço global abrangente". Mas ontem, a Coopers disse que a Chuo Audit Corporation é uma entidade legal separada e que qualquer passivo será contido por sua rede intémacional e pela Price Waterhouse. Não foi planejada nenhuma ação contra a Coopers.
Várias empresas de,-auditoria entre as Seis Grandes preocupam-se,
há algum tempo, com os parceiros de sua rede no Japão, e procuram melhorar por conta própria seus métodos contábeis e de auditoria. A falência da Yamaichi provocou uma controvérsia peculiar no Japão, porque a corretora registrava prejuízos não revelados no valor de 260 bilhões de ienes (US$1,9 bilhão). Tais prejuízos não eram revelados aos investidores no passado e habilmente introduzidos entre as contas segundo uma prática chamada "tobashi".
Depois da falência, o Ministério das Finanças do Japão insistiu que a empresa continuava solvente. Entretanto, esta semana, a Yamaichi admitiu que os passivos superavam os ativos em 22,5 bilhões de ienes (US$162 milhões), e disse que não poderia honrar totalmente seus empréstimos subordinados no valor de 43 milhões de lenes (US$310.000) de seguradoras japonesas. O ministério nega estar a par destes prejuízos ocultos. Ontem a Chuo recusou-se a comentar o caso. O ressarcimento eventual de prejuízos potenciais provavelmente será reduzido. E alguns advogados suspeitam que a ação'fracassará porque os réus alegarão que o ministério sabia das perdas encobertas pelo "tobashi".
Èntretanto, os advogados argumentam que o caso poderá estabelecer um precedente muito importante.
Um acionista de uma empresa de crédito imobiliário falida agora tenta processar os auditores.
Um advogado japonês afirma: "Até o momento, as empresas de auditoria não se consideravam responsáveis perante ninguém. Agora a situação vai mudar". As empresas de auditoria japonesas mantêm tradicionalmente um relacionamento muito estreito com as companhias em que realizam as auditorias, o que podem fazer por décadas.
(GAZETA MERCANTIL, 4/6/1998, P.A-11)