TRIBUTOS
OUTRO LADO
Rede falará após intimação; fisco nega ilegalidade
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A
rede de lanchonetes McDonald's informou ontem, por meio de sua
assessoria de imprensa, que vai se manifestar sobre as acusações
feitas pelo Ministério Público e pela Corregedoria da
Receita Federal somente quando for intimada formalmente.
Indagada
sobre o depósito de R$4,45 milhões à empresa
RPN, a assessoria informou que não poderia nem confirmá-lo
nem desmenti-lo.
A atual coordenadora de tributação
da Receita, Maria Regina Fernandes Barroso, fez ontem, por meio da
assessoria de comunicação do órgão, a
defesa do ato assinado pelo ex-secretário Everardo Maciel.
Maria Regina assinou o parecer da Cosit de 2002 que antecedeu o ato
de Maciel.
"Cabe esclarecer, ainda, que a edição
do ato declaratório interpretativo nº 2, de 22 de
fevereiro de 2002, cumpriu a função de dar publicidade
oficial à interpretação contida no parecer (da
Cosit), já que seu entendimento aplica-se a todos os
contribuintes que se encontrem na mesma situação,
inclusive empresas não-associadas à ABF (Associação
Brasileira de Franchising)."
A respeito do auditor Sandro
Martins, a assessoria da Receita informou que a Corregedoria já
o investiga em processo administrativo disciplinar e que, portanto,
não pode se pronunciar sobre o servidor. A Receita nega que
hoje Martins atue no gabinete do secretário Jorge Rachid. Diz
que ele não ocupa cargo de chefia e que exerce função
"burocrática".
Maciel defendeu o ato declaratório
que assinou em fevereiro de 2002. "Essa é a interpretação
que eu entendi correta e que eu entendo correta, sobre a
legislação."
Indagado sobre o entendimento
divergente que os fiscais da própria Receita tiveram, ao
aplicar multas contra o McDonald's, Maciel contestou: "Quem
interpreta pela Receita? Vamos distinguir duas coisas. Isso não
tem nada a ver com auto de infração, cada auto segue o
curso próprio no processo administrativo fiscal. Um ato
declaratório interpretativo é um ato previsto na
legislação para dizer qual é o entendimento do
secretário da Receita sobre aquele assunto. Isso não
vincula nada, não".
Maciel afirmou que não
comentaria depósitos realizados para empresas de auditores e
ex-auditores do órgão. "Isso não faço
a menor idéia."
O empresário Jone Perdigão
Nogueira, da RPN, e o auditor Paulo Baltazar Carneiro não
foram localizados. (RV e LS)
(Folha de S. Paulo, Folha Dinheiro, 01/06/2005)