O AMIGO DA MULHER
TELEFONIA
- A influência de Naji Nahas na Telecom Italia tem nome:
Afef Jnifen
O brasileiro Naji Nahas é
uma eminência parda na Telecom Italia. O investidor tem
acumulado tanto prestígio com o presidente da companhia, Marco
Tronchetti Provera, que quem ousar questioná-lo perde o
emprego. Foi o destino, no fim de maio, de Giuliano Tavaroli, chefe
do setor de segurança e um dos responsáveis pela
operação que permitiu aos italianos identificar o
esquema de espionagem montado pela Kroll a mando de Daniel Dantas.
Executivos da empresa estavam entre os principais alvos da
arapongagem.
Tavaroli expressou diversas vezes, durante
reuniões da diretoria, desconforto com o fato de Nahas
representar os interesses da Telecom Italia no Brasil. Não foi
o único. Executivos de longa carreira na ex-estatal
preocupam-se com a imagem da empresa e acreditam que a interferência
do brasileiro impede um acordo definitivo com os fundos de pensão
e o Citibank, demais acionistas na Brasil Telecom (BrT).
Nahas
é o responsável pela aproximação de
Provera e Dantas. Em 2005, os italianos, após quase sete anos
de intensa batalha, selaram uma trégua com o banqueiro. Eles
aceitaram pagar cerca de 1 bilhão de reais pelos 10% de
participação do Opportunity na Brasil Telecom. Também
concordaram em desembolsar perto de 150 milhões de reais para
encerrar, de ambos os lados, ações na Justiça.
Os fundos de pensão e o Citibank questionaram judicialmente o
acordo. Alegaram, entre outros pontos, que DD não poderia por
vontade própria encerrar os processos contra os italianos. No
início de maio deste ano, o acerto foi rompido.
Apesar
do fracasso na negociação, Nahas embolsou 20 milhões
de euros (cerca de 60 milhões de reais). Tanto o valor quanto
o contrato com o brasileiro foram questionados por executivos da
empresa, mas acabaram aprovados pelo conselho de administração,
por pressão de Provera.
A razão de tanta
influência tem nome e sobrenome: Afef Jnifen, mulher do
executivo italiano. A família da modelo, de origem árabe,
tem relações antigas com Nahas. Elas são
fraternas e comerciais, e passam pelo comércio de armamentos.
Irmãos de Afef comandam um negócio legal de venda de
armas na Suíça.
A demissão de Tavaroli é
mais uma baixa no grupo de executivos contrários à
aproximação com o Opportunity. De certa forma. o
comando da Telecom ltalia divide-se hoje entre os contra e os
pró-Dantas. No primeiro grupo, além de Tavaroli, estão
Carmelo Furci, Marco Patuano e Giorgio Della Seta, hoje responsável
pelas operações no Brasil. No segundo, Nahas, espécie
de “diretor sem cargo” e apoiado pela mulher de Provera,
Nicola Verdicchio, diretor jurídico, e Giampaolo Zambeletti,
responsável pela área internacional.
Verdicchio
chegou a ser investigado pela Kroll, que andou atrás de contas
do italiano em bancos suíços. Coincidência ou
não, ele era o chefe direto de Cada Cico quando a Telecom
Italia aceitou integrar, em 1998, o consórcio, ao lado do
Opportunity e dos fundos, que disputou a privatização
do Sistema Telebrás. Os italianos descobriram, após a
compra da Brasil Telecom, que a área jurídica havia
aceitado um acordo de acionistas prejudicial à
empresa.
Passado um mês do leilão das teles,
Carla Cico foi contratada por Dantas. Pouco tempo depois, virou
presidente da BrT. Entre salários e benefícios,
embolsava cerca de 4 milhões de reais por ano. Zambelletti é
um ex-executivo da indústria farmacêutica investigado
por fraudes durante a Operação Mãos Limpas. No
momento, esse grupo parece ter vencido a batalha interna. Melhor para
Dantas.
POR SERGIO LIRIO
(Carta Capital, www.cartacapital.com.br, 07/06/2006, p. 34)