DUALIB DIZ QUE QUER RESGATAR A HONRA DE RIVELINO



Durante uma hora, Alberto Dualib falou sobre diversos assuntos, negou uma crise política, aposta que a equipe ainda terá fôlego para abocanhar uma vaga na Libertadores e diz ter certeza de que o Timão acertou na mão com Rivellino e Júnior.

Vitor Guedes


Agora - Por que Rivellino?
Alberto Dualib - O Rivellino é um resgate fantástico da história do clube. Foi o maior craque do Corinthians e foi uma grande sacanagem o que fizeram com ele em 1974, quando o escorraçaram do Parque, após perdermos o título para o Palmeiras. É um campeão mundial Ele tem muito que ensinar para a nossa meninada.



Agora - Por que Júnior?
Dualib - Também é um campeão mundial [pelo Flamengo, em 1981]. Agora temos uma dupla de campeões mundiais. Ele passou tudo no futebol, viveu no Flamengo, que também é um clube de massa. Para ser técnico do Corinthians tem que ter aquilo roxo, saber lidar com todo tipo de situação, ter experiência e não se deixar influenciar por qualquer pressãozinha de fora.



Agora - Foram opções exclusivamente técnicas ou o marketing também foi levado em conta na decisão?
Dualib - É claro que ninguém vai contestar dois nomes desse gabarito, mas foram opções técnicas. Entramos de vez na profissionalização total do futebol. Todo clube da Europa tem seu diretor técnico, o Rivellino tem gabarito para fazer o que o Jorge Valdano faz no Real Madrid.


Agora - É uma aposta arriscada...
Dualib - Não acredito. Foi idéia do Roque (Citadini), em uma reunião em que estiveram presentes eu, o Nesi Curi (vice-presidente) e o Fran (Papaiordanou, vice de relações públicas). Todos concordaram que a escolha era a mais correta.


Agora - Por falar em Fran, Nesi, Citadini... Há quem diga que a guerra está declarada entre dirigentes que compõem a sua base de apoio e que você e Citadini estariam sendo fritados nos bastidores?
Dualib - Isso tudo é uma grande mentira. Um dos meus maiores méritos como presidente foi aglutinar todas as forças do clube. O Roque [Citadini] também tem o carinho de todos. O que existe, às vezes, é divergência de opinião, mas não há uma crise interna.



Agora - O senhor falou em profissionalismo total, que tem de incluir o aspecto ético. Legalidade à parte, o presidente considera ser ético ou legal pleitear na Justiça os pontos de uma partida em que a equipe perdeu por 6 a 1?
Dualib - Isso é ridículo. Não quero nem saber se o Juventude fez quatro substituições ou não. Mesmo que for comprovado que juridicamente temos razão, não autorizo ninguém a entrar na Justiça. Perdemos de seis e não há nada que justifique um tapetão nesse caso.


Agora - Mas o time ganhou os pontos do Paysandu...

Dualib - É completamente diferente. Empatamos a partida em Belém e os jogadores deles estavam comprovadamente irregulares. Agora, não. Perdemos de seis e temos vergonha na cara.


Agora - Por falar em vergonha na cara, o que o senhor achou da atitude de Geninho em pedir demissão ao vivo, pela TV, antes mesmo de informar os atletas e a diretoria?
Dualib - O Geninho é um ótimo caráter. Ele já devia ter certeza que iria sair e também estava nervoso com o placar da partida. Não guardo nenhuma mágoa. Não podemos esquecer que ele foi campeão paulista recentemente contra o São Paulo, vencendo as duas partidas.


Agora - Voltando à nova dupla, Rivellino e Júnior assinaram até o final de 2004. Isso significa que o restante do Brasileiro será uma espécie de laboratório para a próxima temporada?
Dualib - De forma alguma. Não acredito em um trabalho de curto prazo. Eles vão precisar de tempo para mostrarem serviço, mas o Corinthians ainda não está morto no Brasileiro. Com três vitórias subimos na tabela e voltamos a brigar por uma vaga na Libertadores.


Agora - Só a troca no comando técnico resolverá os problemas da equipe?
Dualib - Não é só culpa do Geninho. Ele teve acertos e erros. O nosso grande problema foi o elevado número de contusões e está na hora de alguns jogadores darem a respostas esperada dentro de campo. É muito fácil culpar a diretoria ou o técnico por todos os problemas.


Agora - O senhor está na presidência do Corinthians desde 1993. Quais suas ambições políticas?
Dualib - Dediquei os melhores anos da minha vida ao Corinthians por amor. É muito fácil criticar ou jogar pedras, mas cansei de colocar dinheiro no clube. Hoje é um orgulho ver a sede social que nós temos, os títulos que conquistamos e ver o CT de Itaquera com um hotel completo para os garotos.



(AGORA S. PAULO, VENCER, 2/10/2003, p. B-9)