A
HICKS SALVARÁ A FAZENDINHA?
Para
o vice Antônio Roque Citadini, caberá à
ex-parceira pagar a dívida com Luizão. E jura não
haver a menor possibilidade de o Corinthians perder o estádio
penhorado
O
Corinthians transferiu para a sua ex-parceira, a Hicks Muse, toda a
responsabilidade pelo desfecho da disputa judicial com Luizão
na Justiça do Trabalho, que culminou com a penhora provisória
do Parque São Jorge.
Em
nota oficial distribuída na tarde de ontem aos jornalistas,
o clube assegura que não vai perder nem ganhar nada com o
resultado da ação na Justiça do Trabalho. De
outra parte, o vice-presidente de Futebol Antonio Roque Citadini
assegurou que o clube tem todas as garantias que obrigam a Hicks
Muse a se responsabilizar por eventuais prejuízos na Justiça
Trabalhista.
"O
processo é com a Hicks. No distrato, toda a responsabilidade
ficou para a ex-parceira. Nós temos garantias dadas pela
Hicks", disse Citadini, sem no entanto esclarecer nem mostrar
quais são essas garantias.
O
JT checou com a Hicks mas a empresa não pôde se
manifestar. De acordo com o executivo Adhemar Magon Júnior,
no distrato da parceria de fato há algumas cláusulas
que regulamentam o fim do vínculo entre as partes. No
entanto, ele explica que uma delas é de confidencialidade,
que proíbe as partes de se manifestar. "A empresa não
permite que eu me manifeste", diz Magon.
"Isso
também deveria valer para o Corinthians. Por isso estranho
que o Citadini esteja falando essas coisas. Sei lá, talvez
esteja se sentindo pressionado pela imprensa."
O
dirigente também surpreendeu com uma declaração
que mexe com a própria Justiça. Citadini disse que o
terreno indicado pelo Corinthians, por intermédio de seus
advogados, é o mesmo que o clube costuma ceder como penhora
em outros processos - inclusive um movido pela Receita Federal
contra o Corinthians.
Ele
deixou implícito em suas palavras que se trata de uma faixa
do clube que não corresponde aos valores das ações.
"É
um terreno qualquer que fica lá no fundo, não sei se
do lado de cá ou do lado de lá. É um terreno
que é sempre dado como garantia pelo Corinthians",
observa o dirigente.
VICE
DIZ QUE O CORINTHIANS PELO MENOS PODE OFERECER GARANTIAS
Citadini
tentou desviar a atenção ironizando os outros clubes
grandes paulistas. "O Corinthians tem a escritura de quatro
terrenos. Fico feliz em saber que o clube tem essas escrituras. Que
comprou e pode dar o terreno em garantia. Duro são os outros
que não podem. Pode escrever: no Brasil, só dez
clubes têm essa condição."
Ele
ainda afirmou que jamais o Corinthians vai perder o Parque São
Jorge. "O clube não deixaria o processo chegar à
fase de execução." O dirigente, porém,
teve a preocupação de explicar que a situação
financeira do clube é boa no futebol profissional mas tem
dificuldades na parte social.
"O
futebol se paga e às vezes dá até um pequeno
lucro. O problema é que do outro lado (a parte social) as
receitas caíram demais. Não há mais bailes de
carnaval, que davam lucro, as festas juninas me parece que deram
prejuízo."
Alguém
quis saber que o dinheiro do futebol está sendo desviado
para o social.
Citadini
desconversou: "Não há desvio porque é uma
conta só."
O
dirigente, no entanto, esqueceu de dizer que grande parte dos
prejuízos no departamento social se deve às mordomias
que o clube dá à grande maioria de seus
vice-presidentes, pagando salários incompatíveis com
a realidade do clube.
JOSÉ
EDUARDO SAVÓIA
(JORNAL
DA TARDE, ESPORTES, 19/9/2003)