REAÇÃO EM CADEIA: INSS VIRA BANDEIRA NACIONAL


Caso Vampeta se transforma em referência para cartolas de todo o País, que prometem: a partir de agora, jogador vai ser tratado como trabalhador comum


WAGNER VILARON


A matéria publicada pelo Estado ontem, revelando a intenção de clubes paulistas de seguir as normas da CLT e encaminhar para o INSS jogadores que, por motivo de saúde, fiquem mais do que 15 dias sem jogar, provocou reações em todo o País. Em uma espécie de motim, cartolas de Norte a Sul ficaram indignados com a exposição do caso Vampeta e decretaram: a partir de agora o jogador vai ser tratado como um funcionário normal. Chega de privilégios.


A primeira vítima das reações em cadeia foi o vice-presidente de Futebol do Corinthians. Antonio Roque Citadini não teve sossego durante toda a quarta-feira. Foram dirigentes de outros clubes pedindo explicações, alguns até dando sugestões. Até mesmo conselheiros do Corinthians ligavam para pedir esclarecimentos. "Vocês não queiram saber a repercussão disso. Me chamaram até de idiota," afirmou o dirigente.


O Corinthians tem pago, a exemplo de muitos clubes, o salário integral - registrado em carteira - de Vampeta (R$ 50 mil) durante todo o período de tratamento. Se quisesse, poderia encaminhar o funcionário ao INSS ou ao SUS e livrar-se da despesa. Além de economizar, evitaria a dívida nos direitos de imagem, motivo da celeuma entre o clube e a jogador. "Ao reclamar do Corinthians e começar toda essa história, Vampeta fez um gol contra os atletas e a favor dos clubes", afirmou um dirigente que pediu para não ser identificado.


FEBRE - O vice-presidente de Futebol do Internacional, Vitório Píffero, foi categórico em relação ao tema levantado:


o clube vai encaminhar para o INSS os jogadores que ficarem mais do que 15 dias impedidos de atuar por lesões ou problemas de saúde. "Já discutimos isso e entendemos que a opção é viável para um clube que paga tributos e contribuições", argumentou. Já o secretário de Administração do Coritiba, Domingos Moro, afirmou que é preciso corrigir o desequilíbrio na relação jogador/clube. "Este é o momento da discussão", bradou. "O clube não recebe nada de volta que justifique o paternalismo."


Enquanto alguns clubes só abriram os olhos agora, pelo menos para três que disputam a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro o assunto não é novidade. Vitória, Criciúma e Paraná já utilizam a prerrogativa do "Auxílio Doença" do governo federal. "Nós pagamos o INSS em dia, e não é barato.


Então, por que não utilizá-lo?" questionou o presidente paranaense, Ênio Ribeiro.


Há mais de dez anos o Criciúma adota tal política administrativa. "Em todo acidente de trabalho que exige mais do que 15 dias de afastamento, o clube faz a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Se o retorno se dá antes disso o clube banca a despesa. Mas se demorar o atleta passa a receber da Previdência", explicou o diretor-administrativo e financeiro, Dairo César.



(Colaboraram Evandro Fadel e Élder Ogliari)


(O ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 18/9/2003)