NOTÍCIAS
– 29/8/2003
O DESABAFO DE
RICARDINHO
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Depois de um ano
no São Paulo, comprado por US$ 4 milhões, finalmente
Ricardinho resolveu abrir o coração, em uma
entrevista exclusiva ao JT. E falou durante 90 minutos.
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Confessou ter
precisado de muita coragem na hora de trocar o Parque São
Jorge pelo Morumbi (evita pronunciar o nome Corinthians em respeito
ao torcedor são-paulino). E fez duas declarações
inesperadas.
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Garante que não
há e nem haverá perdão a Marcelinho Carioca.
"Há sacanagens e sacanagens. Ele quase acaba com a
minha carreira. Daí não pode haver espaço para
volta."
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E que seu
contrato com o São Paulo poderá acabar mais cedo do
que todos esperam: em julho de 2004 e não em julho de 2006,
como foi divulgado, pois o que está em vigor é um
contrato de risco.
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O técnico
Rojas fez o treino coletivo de ontem só para assegurar a
volta de Ricardinho, amanhã, contra o Paysandu, em Rio
Preto. Lugano perdeu o lugar para Júlio Santos e Leonardo
para Simplício.
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Jornal da Tarde
– UM ANO DE SÃO PAULO E VOCÊ NUNCA FALOU SOBRE A
PRESSÃO QUE FOI TROCAR O CORINTHIANS POR UM RIVAL. VOCÊ
NÃO É UMA MÁQUINA.. NÃO ESTÁ
TENSO COM TANTAS COBRANÇAS POR TER CUSTADO TÃO CARO E
OS RESULTADOS NÃO TEREM SIDO, ATÉ AGORA, O QUE TODOS
ESPERAVAM?
Ricardinho - Vou pelo caminho mais simples. Se o São
Paulo tivesse derrotado o Santos e tivesse ganho o Brasileiro, não
haveria cobrança alguma. Já tive anos muito piores no
Corinthians do que foi esse que passei por aqui e ninguém me
questionou. Tudo porque o time foi campeão. Títulos
escondem, iludem, enganam. O São Paulo precisa ganhar um
título importante para que todos possam trabalhar melhor. E
vai ganhar. Eu não cheguei ao clube para perder.
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VOCÊ ESTÁ
FALANDO COMO LÍDER DO TIME, SITUAÇÃO QUE AINDA
NÃO HAVIA ASSUMIDO...
Eu fiquei quatro anos no Parque
São Jorge até ser considerado líder. Tenho um
ano de São Paulo. Passei por uma fase de adaptação.
O clube para mim é novo, bem diferente do que ficou para
trás. Este ano joguei 31 partidas e fiz apenas um gol. Isso
vai mudar, vou jogar mais perto do gol. Muita coisa me atrapalhou.
Agora estou preparado para assumir a liderança, papel que
tem de ser meu entre tantos jogadores jovens.
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MAS O QUE
ATRAPALHOU TANTO?
Foram as contusões. A primeira que eu
tive assim que cheguei ao São Paulo foi por pura
precipitação. Foram 40 dias de negociação
e queria logo começar a dar o retorno. Joguei diante do São
Caetano e tive a contratura na panturrilha direita. Depois de
curado demorei a adquirir ritmo. Comecei a sentir dores na coxa, no
mesmo local que havia me contundido no Corinthians, em 2000. Achei
que as dores eram passageiras. Só que não eram e a
cicatriz da contratura acabou rompendo. Está aí o
buraco na coxa que não me deixa mentir. Mesmo assim, não
fui mal. Só que poderia ter ido muito melhor. Agora sim, me
sinto pronto para jogar o que eu posso. E tenho uma certeza: o São
Paulo vai ganhar um título importante. Não saio daqui
sem ser campeão. Pode escrever.
COSME RÍMOLI
(JORNAL DA TARDE,
ESPORTES, 29/8/2003, p. B-1)
ELE
PERDOA QUASE TUDO. MENOS MARCELINHO
Ricardinho faz
questão de manifestar respeito para com o Corinthians - mas
desprezo pelo ex-companheiro
Ricardinho fica
sério quando os assuntos são Corinthians e seu futuro.
A revolta vem quando ouve o nome Marcelinho Carioca. A fisionomia
fica aliviada ao sonhar com a Seleção de Parreira.
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JT – FOI
APENAS O SEU PRIMEIRO ANO NO SÃO PAULO QUE ACABOU. VOCÊ
AINDA TEM MAIS TRÊS PARA MOSTRAR SEU FUTEBOL.
Ricardinho
- Vocês da imprensa acham que sabem de tudo, não é?
Pois bem. Fiz uma cláusula que ninguém sabe. Está
tudo certo, valores e tudo para mais dois anos. Mas se a diretoria
do São Paulo não quiser renovar, estarei livre sem
multa para qualquer das partes. A resposta terá de ser dada
60 dias antes do vencimento. Ou seja, em maio de 2004 saberei se
continuarei no Morumbi. Eu quero. Não vai depender de mim.
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VOCÊ TEVE
DE TER CORAGEM PARA VIR AO SÃO PAULO? E POR QUE EVITA FALAR
O NOME CORINTHIANS?
Tive de ter muita coragem. Mas estava
decidido. Ganhei títulos, fui conhecido e disputei a Copa.
Queria desafios novos e saí. Agora não falo sobre o
Corinthians por respeito ao torcedor do São Paulo.
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VOCÊ DIZ
QUE FICOU IRRITADO COM AS DESCONFIANÇAS SOBRE A SUA
CONTUSÃO, MAS PERDOA OS JORNALISTAS. SE VOCÊ PERDOA A
TODOS, POR QUE NÃO O MARCELINHO CARIOCA?
Porque há
sacanagens e sacanagens. O que ele fez poderia ter acabado com
minha carreira. (Marcelinho telefonou a um repórter dizendo
que Ricardinho teria apanhado de Scheidt e outros atletas na
concentração do Corinthians em Extrema, por ser o
espião de Luxemburgo. Era mentira.) Minha mãe me
ligou chorando. Esse sofrimento provocado é imperdoável.
Sofri, as pessoas que me amam sofreram. E se a mentira tivesse
prevalecido? Onde eu estaria hoje? Por isso, não há e
não haverá perdão.
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ROQUE CITADINI,
VICE-PRESIDENTE DO CORINTHIANS, DISSE QUE VOCÊ SAIU DO PARQUE
PORQUE QUERIA NOVAS EXPERIÊNCIAS. E ESTÁ TENDO,
PERDENDO NO SÃO PAULO?
O Citadini quis ironizar. Mas
pergunta para ele se não gosta de mim. Gosta, somos amigos.
Ele é uma das pessoas mais inteligentes do futebol
brasileiro.
Eu o respeito, assim como respeito o presidente
Dualib e a diretoria do São Paulo. Meu relacionamento com o
presidente Gouvêa é excelente. Estou me sentindo em
casa e jogando no clube que desejo. Não há a menor
chance de voltar ao clube que saí.
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POR
FALAR EM CONFIANÇA, O FATO DE PARREIRA SER O TÉCNICO
DA SELEÇÃO O GARANTE NAS CONVOCAÇÕES?
Não. Se não mostrar bom futebol não serei
chamado. No futebol sério não existe essa história
de grupo. Eu não era do grupo do Felipão e fui
chamado por ele e disputei a Copa. Com o Parreira vale a mesma
coisa. Fui convocado por ele para a Copa das Confederações
e conversamos bastante. Ele só me recomendou cuidado com
minha contusão. Mas vou brigar por uma vaga para a Copa.
Antes disso está o São Paulo.
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(JORNAL DA
TARDE, ESPORTES, 29/8/2003, p. B-1)
LIEDSON
VAI PAGAR SÓ R$87 MIL PARA SAIR DO TIMÃO
A Justiça
Trabalhista liberou o atacante Liedson e ele vai poder jogar no
Sporting, de Portugal. A equipe paulista fez um acordo com o atleta e
vai receber R$87 mil de indenização pelo não
cumprimento do contatro até o final do ano.
"Esses
valores foram propostos pelo juiz (Lúcio Pereira de Souza) e
são relativos a 50% do que o Liedson tinha a receber até
o final do contrato com o Corinthians", explicou a advogada
Gislaine Nunes, que defendeu o atacante no processo contra o
Corinthians.
A sentença
é definitiva e com julgamento do mérito. Isso equivale
a dizer que o Corinthians não tem mais nenhum direito de
recorrer na área trabalhista. A outra briga, contudo,
continua: o clube pode entrar com uma ação de perdas e
danos na Justiça Cível por se considerar lesado em
cláusula contratual.
"Uma coisa é
diferente da outra. O Liedson está livre e o Corinthians agora
vai lutar pelo que ele acha que tem direito a receber pela
transferência", afirmou Gislaine.
O Corinthians
alega que se o valor da venda ultrapassasse os R$7 milhões,
ele teria direito, por contrato, a 25% do valor excedente.
Como
o Sporting informou que a negociação com o
Prudentópolis, dono dos direitos federativos do jogador, é
de 3,2 milhões de euros, o clube paulista se sentiu lesado em
seus direitos. E para receber o que considera ser seu, somente indo à
Justiça.
(TERRA,
29/8/2003)




