PAIXÃO
E ENTUSIASMO DO TORCEDOR, COMBUSTÍVEL DO PATROCÍNIO
ESPORTIVO
O
esporte movimenta R$ 30 bi por ano no País só em
contratos e licenciamentos
VERA DANTAS
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Para
cada um milhão de reais investido no time feminino de vôlei
MRV/Minas, atual vice-campeão da Superliga Brasileira, a MRV
Engenharia, empresa mineira patrocinadora da equipe, tem um ganho
de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões.
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"É
uma comparação com base em gastos teóricos em
mídia eletrônica e impressa. Significa que a marca da
empresa, para ter a exposição que conquistou
patrocinando um time campeão, precisaria investir cinco
vezes mais em mídia, caso não tivesse este
patrocínio," resume o diretor executivo da MRV, Eduardo
Paes Barreto, que há 8 anos investe em marketing esportivo.
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Na
temporada de 2002/2003, se tivesse comprado espaço na mídia,
seria obrigado a gastar R$ 26 milhões.
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Há
outros exemplos de boas tacadas de investimento no esporte. A
participação de vendas da Pepsi no mercado paulista
aumentou 7 pontos porcentuais e chegou a 30%, desde que a marca foi
estampada na camisa do Corinthians, há quatro anos. "A
visibilidade que ganhamos junto com outras ações
ampliou também em 20% nossa presença no
ponto-de-venda," diz o diretor de Marketing da Pepsi do
Brasil, Bruno Francisco. A marca do refrigerante, em 2002, só
esteve ausente da mídia por quatro dias.
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Ao
se consagrar no campeonato de tênis de Roland Garros, um dos
quatro do Grand Slam, Guga trazia estampada no peito a marca
Diadora. "Com a ascensão de Guga entre 2000 e 2001
tivemos um crescimento de 45% nos resultados da empresa",
relembra o gerente de Marca da Diadora, Luís Alfredo Maia.
Hoje os investimentos de marketing da empresa estão
concentrados no patrocínio do tenista Flávio Saretta
e no uniforme do Palmeiras. "É um grande time num
momento ruim, mas, com certeza, voltará à primeira
divisão e aí a nosso nome será associado a uma
equipe vencedora."
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A
Diadora, explica, acredita na boa sorte e nas boas escolhas. O
contrato assinado há menos de um mês com o Palmeiras
rendeu para a empresa italiana até agora a venda de mais de
20 mil camisas. O resultado ficou bem acima da expectativa da
empresa, que acertou um contrato de quatro anos com o time no valor
anual de R$ 3,5 milhões.
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O
entusiasmo e a paixão do torcedor pelo seu time cada vez
mais significam a possibilidade de bons lucros para quem investe em
negócios esportivos. Os números envolvendo contratos,
licenciamentos, patrocínios e os retornos obtidos com o
investimento dificilmente chegam ao conhecimento público.
Mas o que se divulga no mercado é que os negócios do
esporte movimentam em torno de R$ 30 bilhões por ano no País
e cresceram 21% em relação ao ano passado.
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Visibilidade
- O professor Istvan Kasznar, da Fundação Getúlio
Vargas (FGV) autor do livro O Esporte como Indústria -
solução para a criação de riqueza e
emprego, chama a atenção para o potencial do setor.
"Entre 1995 e 2000 o retorno com os investimentos em esporte
tiveram aumento real de 7,3% ao ano, muito maior do que as taxas de
crescimento do País", diz.
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O
potencial do mercado também desperta o interesse de outras
áreas. A Câmara Americana de Comércio (Amcham)
realizou recentemente um seminário para discutir as
oportunidades de investimento em esporte, que tendem a crescer nos
próximos anos com a proximidade dos Jogos Pan-Americanos
marcados para 2007, no Rio de Janeiro. Pela primeira vez também
65 empresas, incluindo grandes marcas como Nike e Alpargatas,
reúnem-se numa feira profissional de esportes (Sports Fair
South America) que começou neste fim de semana, destinada a
fabricantes, distribuidores e importadores das mais diversas áreas.
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Uma
das vantagens das parcerias entre empresas e clubes, dizem
investidores, é a possibilidade de se acelerar negócios.
A MRV Engenharia, por exemplo, expandiu os domínios para
fora de Minas com maior facilidade quando se tornou conhecida por
ter a marca no vôlei feminino. "Vendemos, em poucos
dias, 25% dos apartamentos de um edifício que lançamos
em Araraquara, no interior de São Paulo", exemplifica o
diretor da MRV. O nome da empresa mineira, explica, era conhecido
na cidade por causa das meninas do vôlei."
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Ele
não divulga o faturamento da empresa, considerada no ano
passado a maior construtora do País no segmento residencial,
mas garante que está muito satisfeito com o retorno do
marketing esportivo. "É um casamento que agrega valor
ao negócio."
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A
Diadora, que veste o Palmeiras, e a Nike, o Corinthians, desde o
início do ano apostam na força da marca e nas
conquistas dos dois times, adversários históricos,
para ganhar mercado e vendas. A Diadora, representada no Brasil
pela Disport, que tem a licença da marca italiana, ficou
quatro anos sem patrocinar nenhum clube e preparou estrategicamente
o retorno ao futebol. "A idéia era recomeçar num
clube grande, de tradição, porque no pequeno se
consegue apenas visibilidade regional", diz Luis Alfredo Maia,
da Diadora.
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Ele
revela a expectativa com a parceria, cuidadosamente planejada.
"Queremos levantar a taça com o Palmeiras." A
estimativa da empresa é fechar o ano com um faturamento de
R$ 65 milhões, o que vai representar aumento de 30% em
relação ao ano anterior. "Daqui para frente o
crescimento da marca vai depender da economia do Brasil e da
performance do Palmeiras."
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As
chuteiras da Nike estão nos pés de craques como
Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos, mas a campeã
de vendas é camisa. Além do Corinthians, ela veste o
flamengo e a Seleção Brasileira. "Em ano de Copa
do Mundo, as vendas da camisa da Seleção Brasileira
aumentam até 40%", diz o diretor de comunicação
da empresa, Ingo Ostrovsky.
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Os
torcedores corintianos podem encontrar hoje, no mercado, cerca de
270 produtos com a marca oficial do clube. Para Carla Dualib,
responsável pelo marketing esportivo do Corinthians, as
possibilidades de uso da marca do time, hoje, vão muito além
do conhecido patrocínio da camisa. Ela não revela
quanto o clube movimenta com licenciamentos e outros negócios,
mas diz que durante o Campeonato Brasileiro de 2002, o Corinthians
ocupou 672.983 segundos nas emissoras de TV, o equivalente a um
investimento de R$ 409 milhões.
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No
mercado de bolas, algumas marcas ganham visibilidade maior no
gramado. A Adidas triplicou as vendas de bolas com sua marca na
Copa do Mundo. A empresa, que patrocina o uniforme do Milan, onde
está hoje o jogador Kaká, investe mundialmente em
marketing esportivo US$ 1 bilhão/ano.
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A
Penalty, com faturamento de R$ 136 milhões no ano passado,
disputa espaço no mercado nacional com seu último
lançamento: uma bola com 2.200 cavidades, inspirada no golfe
e que rola nos jogos da série B do campeonato brasileiro.
(O
ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 24/8/2003, p. B-10)