NOTÍCIAS – 18/6/2003





GENINHO E CITADINI ENTRAM EM ROTA DE COLISÃO MAS FAZEM CENA





Treinador e dirigente corintianos mantêm a pose, apesar da relação conturbada


ADILSON BARROS


O técnico Geninho e o vice-presidente corintiano Roque Citadini estão em rota de colisão. Desde a eliminação da equipe da Taça Libertadores da América, o relacionamento entre os dois tem sofrido alguns abalos e o trabalho do treinador começa a ser questionado.


O primeiro atrito surgiu logo após a saída da equipe da Libertadores. Citadini contestou à época os métodos do treinador, dizendo que a equipe precisava de mais treino e menos rachão. Há algumas semanas, o dirigente reclamou a falta de ousadia de “alguns treinadores”, que relutam e escalar jovens jogadores.


A reposta de Geninho causou controvérsia. “Se ele se referiu a mim, falou bobagem”. Essa frase causou mal-estar no Parque São Jorge. Após ser enquadrado pelo dirigente, o treinador teve de se desculpar por meio do site oficial do clube. Questionado sobre o assunto, Geninho desconversou, mostrando-se chateado. “Esse assunto faz parte do passado”, disse, recusando-se a esclarecer se pediu desculpas por vontade própria ou se foi obrigado a tomar tal atitude.


Ontem, o treinador disse que seu relacionamento com Roque Citadini é estritamente profissional. “Sou respeitado e tenho autonomia para trabalhar. Não me sinto pressionado de forma nenhuma”, explicou. Sobre as críticas do vice-presidente, Geninho mantém o tom político. “Opiniões são opiniões. Eu respeito todas.”


O dirigente, por sua vez, garante que não há nada de errado em seu relacionamento com o treinador e diz que tudo não passa de conspiração dos meios de comunicação. “A imprensa não tem o que noticiar e fica criando notícia.”


Por mais esteja batendo de frente com Roque Citadini, Geninho continua prestigiado no clube. Derrubá-lo não é uma tarefa das mais fáceis. O treinador foi contratado por indicação de seu tio, Rubens Aprobato Machado, um falcão da política corintiana, que deverá ser o candidato da situação à presidência corintiana nas próximas eleições, em 2005.


REVIRAVOLTA

Apesar de estarem fazendo jogo de cena a fim de evitar uma crise no Parque São Jorge, tanto Citadini, quanto Geninho sabem que uma derrota para a Ponte Preta, domingo, em Campinas, poderá reavivar o clima tenso das últimas semanas. O meia Jorge Wagner já detectou isso. “Nós já estamos vindo de duas derrotas que complicaram nossa classificação no campeonato. Um novo tropeço poderá abalar o time, sim”, acredita o meia corintiano.



(DIÁRIO DE S. PAULO, ESPORTES, 18/6/2003, p. 6)