NOTÍCIAS - 25/5/2003




FORA DE CAMPO



CITADINI, O ‘SUCESSOR’ DE VICENTE MATHEUS



O dirigente corintiano adora um microfone, está sempre no meio de polêmicas, mas é admirado até pelos torcedores rivais



DANIELA SCATOLIN
Especial para o Correio


Corintiano desde que se entende por gente, o vice-presidente Antonio Roque Citadini é conhecido por ser uma figura polêmica, uma espécie de sucessor do lendário Vicente Matheus. É tão torcedor que garante trabalhar no Corinthians apenas movido pela paixão. Por incrível que pareça, enfrenta os problemas sem receber um centavo do clube, o que, para ele, não importa porque as coisas são feitas com amor. O único benefício que assume ter e gostar é ser tratado como celebridade por causa do cargo.


De manhã, o senhor de 53 anos garante a boa vida trabalhando como conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo. De tarde, o traje - terno e gravata - continua o mesmo, mas a função é outra. Encarna o 'cartola' Citadini, que se coloca à frente de todos os problemas no Parque São Jorge, e solta o verbo para defender os interesses do Sport Clube Corinthians Paulista. Quando quer, fala demais, de forma tão polêmica, que acaba tendo dor de cabeça com suas declarações. "Muitas vezes falo coisas e sou mal-interpretado. Isso me causa tantos problemas que gostaria de voltar atrás", afirma o dirigente. Ele se arrepende, mas não pensa em economizar nas palavras. "Esse é meu estilo, sempre fui de falar o que penso e não vou mudar", garante.


Esta personalidade marcante rendeu-lhe adjetivos como o de "marqueteiro". Frequentemente é acusado de querer gerar polêmicas para aparecer ou até mesmo desviar a atenção dos torcedores e da imprensa quando a equipe corintiana tem problemas. Citadini jura que não se abala com críticas e é adepto ao "fale bem ou fale mal, mas fale de mim". Delicia-se com a famal "Não tem jeito, quem perten| cer à diretoria de um club|i grande como o Corinthians vai ficar famoso. Eu gosto disso. Quem não gosta? É muito bom ser conhecido", gaba-se.


Essa é a mais pura verdade. Antonio Roque Citadini é vaidoso e não se intimida com um microfone. Para garantir que a sua aparência seja uma aliada diante das câmeras, o vice-presidente do Alvinegro, quem diria, tem seus cuidados com a parte física. E é enfático: "Não abro mão de fazer minha ginástica. Vou todos os dias à academia."


Com jornada dupla de trabalho, pouco tempo sobra para o lazer. "Eu gosto muito de viajar para a Europa, mas o Corinthians não deixa mais. Quando tenho folga vou para o meu sítio em Capão Bonito." É lá que ele descansa a cabeça das dificuldades diárias. "Todo mundo pega no pé do Corinthians, é muita marcação", ressalta.


A questão é se vale a pena gastar tanto tempo respondendo por um grande clube paulista. "Quando faço as coisas com amor, elas me dão prazer", diz Citadini, sem hesitar. A única parte ruim é ter que conviver com as derrotas no futebol. O dirigente mal comenta, por exemplo, a eliminação do time na Copa Libertadores da América. "Foi muito triste como torcedor", resume. Como dirigente, após um resultado fora dos planos, a responsabilidade aumenta, mas ele garante que não sai do sério. "Já disse, sou irritantemente equilibrado e o Corinthians também é. Não adianta a imprensa ficar tentando implantar crise aqui, que não vai conseguir."


Apesar da frustração na Libertadores, Citadini garante que não pensa em mudanças no elenco e insiste que os jogadores são de alta qualidade. Além disso, não dá palpite na escalação. "Não me meto, acompanho de longe". Planejamento mesmo, só na estrutura "externa" do Corinthians. "Não somos a Europa, não dá para se assemelhar aos clubes europeus, mas tenho várias idéias, no papel, para modernizar o Corinthians. A prioridade é acabar de construir o centro de treinamentos na Rodovia Ayrton Senna e reformar a sede."


Com estes planos que se concretizariam a longo prazo fica fácil para qualquer um deduzir que o objetivo de Citadini é permanecer na cúpula corintiana. A gestão do presidente Alberto Dualib termina em dois anos. Presidência? Citadini nega qualquer intenção em se candidatar: "Não tenho vontade de ter esse cargo aqui." São Jorge dirá.



(CORREIO POPULAR, CAMPINAS-SP, ESPORTES, 25/5/2003, D-8)