PERFIL DO DIRIGENTE SOFREU UMA MUDANÇA


Nos últimos anos, o futebol brasileiro assistiu a uma mudança no conceito do perfil do dirigente de futebol. Cada vez mais os dirigentes que surgem se caracterizam por impor uma gestão mais preocupada com o profissionalismo. Com isso, a nova geração mostra um perfil voltado ao planejamento, deixando de lado o amadorismo puro, em que as decisões são movidas pela paixão. São nomes como Antonio Roque Citadini (vice-presidente do Corinthians), Bebeto de Freitas (presidente do Botafogo), Hélio Ferraz (presidente do Flamengo), Dagoberto Santos (diretor executivo do Santos), Mauro Holzmann (diretor de marketing do Atlético-PR e do Clube dos 13) e Alexandre Kalil (homem-forte do Atlético-MG). Atualmente, são figuras que têm ganhado espaço nos bastidores da bola e participado de decisões importantes que interferem na gestão dos clubes.


O primeiro exemplo prático foi dado com Holzmann, que iniciou um plano de marketing no Atlético-PR com o objetivo de aproximar o clube do jovem e, assim, ganhar o mercado do Paraná. Em cinco anos, o resultado veio na conquista do Campeonato Brasileiro de 2001, quando o projeto do Furacão se tornou exemplo para a criação de novas fontes de receita dentro dos clubes. Posteriormente, a aposta de Citadini no enxugamento da folha salarial do Corinthians, com a aquisição de jovens promessas, fez o Timão se tornar o papa-título do ano2002.


A gestão tem de ser marcada pelo profissionalismo. É fundamental o planejamento e também a cobrança do trabalho, que cabe ao dirigente fazer - afirma o dirigente.


Adotando um modelo de gestão parecido com o do Corinthians, o Santos conseguiu, após 18 anos, voltar a ser campeão. Agora, encanta o mundo com jogadores revelados dentro de casa. Para Dagoberto Santos, diretor executivo do Peixe, o segredo é fazer de tudo para injetar dinheiro no clube e gastar pouco. Com essa filosofia, o Santos fechou parceria para patrocínio na manga da camisa, na revelação de jovens promessas do clube, na criação de um placar eletrônico aberto para empresas interessadas em anunciar seus produtos etc.


A diversificação da origem das receitas também foi a solução encontrada por Bebeto de Freitas logo que assumiu a presidência do f ai ido e rebaixado Botafogo no início deste ano. Após um ano de trabalho no Atlético-MG juntamente com Alexandre Kalil, Bebeto tratou de, no seu clube de coração, modificar a estrutura de funcionamento. Bebeto fechou, primeiramente, um patrocínio com a rede de fast-food Bob's para revitalizar o estádio Caio Martins, que voltou a ser a casa do Botafogo. No último mês, o dirigente também promoveu a transformação do departamento de futebol do clube em empresa, com a criação da Companhia Botafogo.


-Fiz questão de dividir o futebol e o clube para que sejam geridos deforma separada. É a única forma de sobreviver - diz Bebeto, que rejeita o rótulo de dirigente da nova geração.


Não sou um político esportivo, mas um prático esportivo - sintetiza Bebeto, que crê na gestão financeira.


Agora, outros clubes seguem essa ideia deter um departamento de futebol com gestão profissional e separado do restante do clube. O Figueirense foi um dos que adotaram esse sistema desde a chegada de Paulo Prisco, que trabalhava na Receita Federal, à presidência.


Com a criação de um grupo de gestores, entre eles os jogadores César Sampaio e Rivaldo, o Figueira voltou à elite do futebol nacional no ano passado.




(LANCE A MAIS, LANCE!, ano 3, n. 141, de 11 a 17/5/2003, p.19)