NOTÍCIAS - 21/3/2003





A GUERRA DO DR. EXCITADINI



Com a vantagem fundamental do empate debaixo do braço após a vitória do último domingo, o Corinthians do Doutor Excitadini está ameaçando fazer um carnaval temporão nos bastidores da decisão paulista. O objetivo, mais do que evidente, é o de desestabilizar o inseguro adversário de amanhã à noite no Morumbi.


O recurso apresentado ao Superior Tribunal da Federação pedindo o acréscimo de mais uma vantagem contra o São Paulo é peça de alegoria. Dificilmente dará em alguma coisa prática, mesmo porque é discussão para se encerrar daqui a muitos meses, quando os corações e mentes dos torcedores e cartolas estarão fixos em outras decisões. É pura guerrinha de nervos, não tenha dúvida, torcedor.


Agora, a situação do time do técnico Oswaldinho de Oliveira é grave. Não bastassem o golpe no primeiro jogo, quando não mostrou espírito de campeão, os músculos debilitados do menino Kaká e a eterna escrita de quase sempre amarelar contra o Corinthians em decisões, o São Paulo chega ao momento fatal - como informa o repórter Cosme Rímoli, lá de Extrema, na nossa página 6B - envolvido em séria crise interna. Os jogadores são-paulinos estão com prêmios atrasados e já não estão conseguindo esconder a insatisfação - o que explicaria a instabilidade da equipe nos últimos jogos. É do inferno ao paraíso num piscar de olhos. Mais ou menos como foi a campanha do técnico Oswaldinho desde que chegou ao Morumbi.


Embora pelo elenco do São Paulo desfilem alguns jogadores tidos como 'diferenciados', como Rogério Ceni, Ricardinho e Kaká, se há um órgão no intrincado organismo dos boleiros que fica delicado em certas épocas é o bolso. Quando dói ali a cabeça fica fraca, a perna não vai. É meio automático.


KAKÁ JOGA OU NÃO JOGA? EIS A QUESTÃO
Tirando todo esse caldo psicológico em que está mergulhado o São Paulo, que pelo jeito não conseguiu se livrar dos próprios fantasmas mesmo fugindo para Minas, o que deve estar também tirando o sono de Oswaldinho é a situação de Kaká. Se Geninho até tem as tais opções para substituir Leandro, a cabeça do colega deve estar fervendo.


Ouvi gente do ramo dizendo que Kaká só deveria ser escalado para entrar em campo amanhã se estiver 100%. Não penso assim. Kaká não deveria ter jogado é no domingo passado, isso sim. Ficaria de molho mais uns dias cuidando da perna ferida e entraria nos trinques no jogo que realmente decide. Agora, amanhã não. É decisão. Se estourar, estourou. É o tudo ou nada para os são-paulinos. E o São Paulo depende dele. Mesmo estando meia-boca, Kaká é melhor que todos os outros inteirinhos - juntos. Kaká não é um Raí, que em 98 chegou da França, deixou a mala no hotel e entrou em campo para vencer o Corinthians e dar o título paulista ao time. Mas é quase.


Além do mais, convenhamos, esse pode ser o último jogo da história de Kaká no Morumbi. A Europa é mesmo o seu destino. Participar dele na torcida nem vai bem para a imagem que ele soube construir tão bem e tão rapidamente.


ASSIM TAMBÉM É DEMAIS! - Engolir o Vampeta posando de indignado com a bandalha generalizada do futebol é um pouco demais para o meu paladar. Estou equivocado ou não é o mesmo Vampeta que, sem esconder o rosto ou as palavras, disse com todas as letras, há bem pouco tempo, que 'fazia de conta que jogava enquanto o Flamengo fazia de conta que pagava?' E também não acho que a FPF tenha moral para multá-lo.


Sem trocadilho com a cidade onde o distinto veio ao mundo, a bucólica Nazaré das Farinhas, na Bahia, tratam-se ele e os cartolas, digamos assim, de farinha do mesmíssimo saco.


Em tempo: na última coluna, no comentário sobre o desempenho de Guga em Indian Wells, mandei uma bola perto da linha, mas fora. O torneio da Califórnia não pertence ao Grand Slam, mas à série Masters - como me repreenderam os leitores. Out



SIDNEY MAZZONI - interino



(JORNAL DA TARDE, ESPORTES, COLUNA CELSO KINJÔ, 21/3/2003, p.2)






PAULISTA PODERÁ TER DOIS CAMPEÕES





Decisão do Comitê Executivo da FPF de ratificar a vantagem do São Paulo não conseguiu colocar fim à polêmica sobre o regulamento


O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol, o advogado Naief Saad, só deverá tomar conhecimento hoje do recurso impetrado pelo Corinthians contra a decisão do Comitê Executivo da FPF que ratificou a vantagem do São Paulo nas finais do Campeonato Paulista. Segundo o dirigente, a final do campeonato será disputada amanhã, às 18h, no Morumbi, sem que o órgão aprecie o caso. "A final será normal. Se o São Paulo vencer o jogo por um gol de vantagem, ficará com a taça", garante Saad. O fato, no entanto, é que mesmo perdendo por um gol de diferença o Corinthians promete comemorar, deixando no ar a impressão de que o campeonato teve dois campeões.


O TJD tem reunião marcada para segunda-feira mas a pauta já está lotada. Além disso, Naif Saad admite que poderá pedir que o São Paulo também se manifeste sobre o assunto já que é parte envolvida.


O fato de que o TJD possa aceitar e julgar um recurso depois que o campeonato já estiver decidido não invalida a ação.


Naief Saad argumenta que se, por exemplo, em uma final, um time ganhar o título utilizando um jogador em situação irregular, a questão só seria resolvida depois, também na justiça desportiva.


Ex-presidente do TJD e atual vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero diz que o brilho da final de amanhã não estará ameaçado pelo recurso.


"Vai ser um jogo normal e se o São Paulo ganhar por um gol será o campeão. O título não estará sub judice. A decisão sobre a interpretação do regulamento foi democrática. O Comitê Executivo analisou o caso com base no Artigo 21 do regulamento", disse Del Nero.


CITADINI EVITOU A IMPRENSA ONTEM


Nem ele nem Naief Saad acreditam que o Corinthians possa recorrer à Justiça Comum caso a decisão do TJD não lhe seja favorável.


No Parque São Jorge, dirigentes e advogados corintianos evitaram a imprensa ontem para falar sobre o assunto. O vice de Futebol Antônio Roque Citadini - que na quarta-feira anunciou para os repórteres que o clube estava impetrando recurso no TJD para recorrer da decisão do Comitê Executivo da Federação -, não atendeu aos inúmeros telefonemas feitos pelo JT. João Zanforlin, advogado do clube, também não quis falar.


Sem a voz oficial do clube, os jogadores e o técnico Geninho mostravam que não acreditam nem um pouco no sucesso da ação impetrada no TJD. "Quero ficar isento desta briga. Tenho de acatar a decisão. Se o regulamento dá margens para mais de um interpretação, o Departamento Jurídico do Corinthians tem competência para brigar pelos interesses do clube", afirma Geninho.


"Não sei se devemos comemorar o título e dar a volta olímpica caso o São Paulo ganhe por um gol de diferença. Antes de tomar uma atitude como essa temos de consultar os 30 jogadores do elenco", afirmou o capitão Fábio Luciano, que ao saber que a Federação pensa em multar os jogadores corintianos caso eles transformem o Morumbi num 'circo' mandou um aviso a Eduardo José Farah, presidente da entidade:


"Ninguém vai tirar dinheiro do meu bolso."


O goleiro Doni não pediu as palavras ao comentar as falhas do regulamento.


"É uma palhaçada."



CASTILHO DE ANDRADE WLADIMIR MIRANDA Jornal da Tarde



(JORNAL DA TARDE, ESPORTES, 21/3/2003, p. 1)