NOTÍCIAS - 6/2/2003

O arrependido Gilmar 'Fubá'



O volante Gilmar 'Fubá' rebelou-se quando o Corinthians quis reduzir seus salários. Ah se fosse hoje...


A péssima situação que Gilmar 'Fubá' enfrenta reflete o outro lado da Lei Pelé. Aquele em que o atleta consegue ter o passe na mão, mas não lugar para trabalhar. O volante de 27 anos, considerado uma das grandes revelações do Corinthians, campeão mundial interclubes em 2000, tenta desesperadamente reverter a decadência na carreira, truncada há um ano e meio quando se recusou a baixar seu salário no Parque São Jorge.


"Se eu tivesse uma varinha de condão fazia aparecer o Roque Citadini na minha frente e dizia para ele que aceitava baixar meu salário. Queria demais estar no Corinthians. Se arrependimento matasse, eu estaria caído, mortinho", disse o volante à Rádio Jovem Pan.


Quando surgiu, Gilmar tinha um apelo popular enorme. "Eu só perdia para o Marcelinho Carioca e o Vampeta. A torcida me adorava", relembra. O volante forte se mostrava excelente para fazer marcações individuais. Os treinadores, jogadores e torcedores adoravam o jeito simples do atleta, que dizia ser forte por haver tomado mamadeiras de fubá durante a infância.


Seus salários eram de R$ 50 mil no Corinthians. O jogador tinha contrato em vigor quando rompeu os ligamentos cruzados do joelho direito. Quando se recuperou, perdeu espaço no time. Foi levado por Oswaldo de Oliveira para o Fluminense. Não teve sucesso no clube carioca no primeiro semestre de 2001 e voltou ao Parque São Jorge.


Mas a volta tinha um preço: o vice-presidente corintiano, Roque Citadini, só aceitou pagar R$ 15 mil mensais ao jogador. Gilmar não aceitou e tomou providências.


"Ele procurou a advogada Gislaine Nunes e entrou na Justiça para conseguir o passe. O juiz que julgou o caso primeiro perguntou a Gilmar se ele não achava razoável um emprego com remuneração de R$ 15 mil. O volante disse não e alegou que tinha pressa para ficar com o passe, pois já havia acertado com uma equipe espanhola. Conseguiu o passe. Só que não havia time algum", relembra o advogado do Corinthians, João Zanforlin.


Depois que conseguiu o passe, Gilmar pensou que sua vida mudaria. E mudou.


"Essa Lei Pelé acabou com a maioria dos jogadores. Não adianta ter o passe nas mãos que os clubes não se interessam. Ainda mais no meu caso. Fiquei queimado porque entrei na Justiça contra o Corinthians. Os dirigentes não me contratam, pensando que vou entrar na Justiça contra quem me contratar", lamenta-se o jogador.


Gilmar fez exame médico para jogar no Palmeiras em 2002, mas Levir Culpi preferiu Marco Aurélio. Teve oferta da Portuguesa Santista este ano, mas preferiu se aventurar na Alemanha com um empresário, que queria 80% do seu salário - voltou ao Brasil. Atualmente faz teste em clubes da Turquia, mas continua com um sentimento: "Morro de saudades do Corinthians."



COSME RÍMOLI Jornal da Tarde


(JORNAL DA TARDE, ESPORTES, 6/2/2003, p. 8)




Citadini combate vaias com aumento de ingresso



O vice-presidente de futebol do Corinthians, Roque Citadini, encontrou uma maneira inusitada de combater as vaias da torcida. Ele ameaçou aumentar o preço dos ingressos das numeradas para calar a insatisfação da Fiel. "Isso é coisa da numerada. Vou aumentar o preço para R$ 50,00 (atualmente custa R$ 30,00). Assim, se quiserem vaiar, terão de pagar mais caro", afirmou o dirigente. Citadini ainda levantou a hipótese de abaixar o preço da arquibancada em reconhecimento ao apoio daquele setor.


Já o técnico Geninho procurou ser mais diplomático. Ele considerou natural ser chamado de burro pelos corintianos. "A reação da torcida é uma coisa normal. O Liedson fez o gol, é um artilheiro e tem tudo para se tornar um ídolo. Mas a torcida tem de entender que ele também cansa", justificou.


Segundo Geninho, a entrada de Fumagalli era necessária para fortalecer a equipe. "O Liedson já não estava mais se movimentando com a velocidade que eu queria. O Fumagalli veio ajudar a fechar o meio", acrescentou o técnico.


O lateral-esquerdo Kléber pediu mais tempo para o time se entrosar. "Com certeza, precisamos melhorar, mas o que vale é a vitória. O pessoal precisa ter paciência. Não é cobrando tanto assim que a equipe vai conseguir render alguma coisa", analisou. O zagueiro Fábio Luciano seguiu o mesmo raciocínio. "Nós reconhecemos que o time não jogou bem, mas o importante era vencer", disse.


PROPOSTA POR GIL

Surgiram rumores no estádio de que o Corinthians estaria próximo de negociar um de seus principais jogadores, provavelmente Gil. "Não estou sabendo de proposta nenhuma. Mas, se houver uma oferta fabulosa, podemos negociar", afirmou Citadini.


(DIÁRIO DE S. PAULO, ESPORTES, 6/2/2003, p. 3)