NOTÍCIAS
- 14/10/2002
SAUDADE
NÃO TEM IDADE
LUIZ
AUGUSTO NETO
Os
heróis corintianos da conquista de 1977 voltaram a enfrentar a
Ponte Preta ontem no Parque São Jorge na festa dos 25 anos do
fim do jejum
O
relógio já passava das 11h e o sol ardia sem piedade
quando o juiz apitou. Estava recomeçando, 25 anos depois, o
duelo histórico entre Corinthians e Ponte Preta. Tal cena
aconteceu ontem, no Parque São Jorge, quando a maioria dos 22
jogadores envolvidos na partida decisiva do Campeonato Paulista de
1977 reviveram aquele encontro, no qual o Corinthians largou uma
interminável fila de 23 anos.
Apesar
da festa e do clima amistoso, quem levou a melhor desta vez foi a
equipe campineira. A Ponte venceu ontem, de virada, por 3 a 1. O
folclórico Geraldão abriu o placar para o Corinthians.
Rui Rei, Robertinho e Parraga, entretanto, construíram a
virada.
Mas
o que valia mesmo era o reencontro. Muita gente (aproximadamente 5
mil pessoas) foi às lágrimas quando as duas equipes se
perfilaram no gramado da Fazendinha para que a banda da Polícia
Militar tocasse os respectivos hinos. Dicá, Juninho, Oscar e
companhia bateram palmas e cantaram o hino da Ponte. Logo depois foi
a vez de os corintianos, emocionados, soltarem a voz junto com o
puxador de samba da Gaviões, Ernesto Teixeira. "A
torcida do Corinthians é diferente por causa disso. Tem
memória, sabe valorizar o passado", agradeceu Wladimir.
José
Teixeira foi o técnico corintiano ontem. Tarefa inglória,
pois ao pensar no título de 1977 todo mundo se recorda do
falecido Osvaldo Brandão. "Os técnicos que me
perdoem, mas eu acho que eles são 20% de uma equipe. O Brandão
não, ele representou 50% daquela conquista", disse
Wladimir.
Geraldão,
autor do único gol corintiano na manhã de ontem, estava
perplexo. "É a mesma sensação de quando a
gente jogava. Ouvir novamente a torcida comemorando.
Entre
os ponte-pretanos, que foram comandados novamente por Zé
Duarte, não havia espaço para comemoração
pela "revanche". "A festa e a conquista são
do Corinthians. Viemos para participar e vale a amizade", disse
o zagueiro Oscar, ainda em forma.
O
juiz da partida de ontem foi Emídio Marques Mesquita, que em
77 atuou como auxiliar do falecido Dulcídio Wanderley
Boschilla.
(DIÁRIO
DE S. PAULO, ESPORTES, 14/10/2002, p. 10)
MEMÓRIA
A
torcida do Corinthians não esperava comemorar o título
paulista de 77 no dia 13 de outubro. Depois da vitória por 1 a
0 no primeiro jogo decisivo, os corintianos estavam certos de que a
conquista aconteceria no dia 9, mas a Ponte venceu a segunda partida
por 2 a 1 e adiou a decisão.
Apesar
de ter perdido o atacante Rui Rei logo aos 16 minutos de jogo, a
Ponte Preta não foi uma presa fácil.
(DIÁRIO
DE S. PAULO, ESPORTES, 14/10/2002, p. 10)
FIM
DO JEJUM SÓ VEIO NO TERCEIRO JOGO
A
torcida do Corinthians não esperava comemorar o título
paulista de 77 no dia 13 de outubro. Depois da vitória por 1 a
0 no primeiro jogo decisivo, os corintianos estavam certos de que a
conquista aconteceria no dia 9, mas a Ponte venceu a segunda partida
por 2 a 1 e adiou a decisão.
Apesar
de ter perdido o atacante Rui Rei logo aos 16 minutos de jogo, a
Ponte Preta não foi uma presa fácil para o Corinthians.
Com o tempo, no entanto, o time do Parque São Jorge passou a
dominar o jogo e a criar boas chances de marcar e conquistar o
título.
Apesar
do domínio, a falta do gol inquietava a torcida corintiana. O
bom time da Ponte, mesmo com um jogador a menos, poderia marcar a
qualquer momento, o que não deixava a Fiel tranqüila.
O
sufoco só acabou aos 36 minutos do segundo tempo, quando Zé
Maria cobrou uma falta no lado direito do ataque do Corinthians e
Vaguinho mandou a bola no travessão. Na sobra, Oscar salvou em
cima da linha uma cabeçada de Wladimir, mas a bola sobrou para
Basílio e o resto da história qualquer corintiano
conhece. O gol do Pé de Anjo deu à torcida do
Corinthians a certeza de que o jejum de 23 anos tinha realmente
acabado.
(DIÁRIO
DE S. PAULO, ESPORTES, 14/10/2002, p. 10)
INGRESSO
DA GRANDE DECISÃO VIRA JÓIA RARA
A
conquista de 1977 foi tão marcante para os corintianos que o
ingresso da 3 ª partida decisiva virou raridade para
colecionadores. Na época, a FPF estampava a foto de um time
participante no bilhete. O São Paulo de Pedro Rocha ilustrou a
entrada do jogo.
(DIÁRIO
DE S. PAULO, ESPORTES, 14/10/2002, p. 10)
TORCIDA
FAZ PROTESTO ATÉ EM DIA DE FESTA
Nem
mesmo a comemoração dos 25 anos da conquista do título
paulista de 1977 acalmou a torcida organizada Gaviões da
Fiel.
Os
torcedores aproveitaram o evento para protestar, e, durante a
partida, gritaram palavras de ordem contra o vice de futebol, Antonio
Roque Citadini. A torcida também pediu a construção
de um novo estádio.
-Avisamos
aos torcedores que quisessem protestar, que fossem para Brasília,
mas faz parte e tenho certeza de que isso não tira o brilho da
festa - disse o presidente do Conselho Deliberativo da Gaviões,
Ernesto Teixeira.
(LANCE!,
ATUAÇÕES, 14/10/2002, p. 6)