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– 19/09/2007
Corinthians:
parte das decisões vinha direto de Londres
Torre de Babel
CARTOLAS
DA PARCERIA BATEM CABEÇA AO FALAR DE SALÁRIOS
"ABSURDO!",
DIZ UM DELES
WAGNER VILARON
"Absurdo!"
Esse foi o adjetivo utilizado pelo segundo homem mais importante da
Media Sports
Investment (MSI), Nojan Bedroud, ao se referir à forma e aos
valores dos salários pagos a parte dos jogadores do
Corinthians. O ar indignado do executivo foi captado pelas escutas
telefônicas realizadas pela Polícia Federal (PF), com
autorização judicial, às quais o DIÁRIO
teve acesso.
No dia 28 de setembro de 2006, Bedroud conversava
com o responsável pelas finanças da MSI, Cilson
Fischer. O papo era sobre os valores pagos a alguns atletas. No caso,
a citação mais contundente é em relação
ao volante Magrão. Relata a transcrição: "NOJAN
diz que ontem fizeram uma lista com os nomes dos jogadores e seus
salários, e o total mensal foi de R$6 milhões, mas
seria bom se reduzissem para R$4 milhões. NOJAN diz que
ALESSANDRO falou que os direitos de imagem de AMOROSO são
R$250.000, mais do que CARLITOS. O salário de MAGRÃO é
40.000 e os direitos de imagem são 266.000. O salário
de CÉSAR é de 137.000.”
Em
seguida, Bedroud não esconde sua insatisfação.
"NOJAN
pede para FISCHER verificar por que os valores estão
absurdos.”
Bedroud,
amigo pessoal de Kia Joorabchian, sempre foi eminência parda na
administração da parceria. Sua importância,
porém, não se traduzia em aparições
públicas. Discreto, dominava a rotina da empresa como poucos
e, por várias vezes, substituiu Kia na condução
dos negócios, sobretudo quando o titular decidiu não
voltar mais para o Brasil.
Comunicação
truncada
Outros momentos mostram que Joorabchian e o presidente do
clube, Alberto Dualib, não eram os únicos que não
falavam a mesma língua durante a administração
da parceria. Mesmo pessoas mais próximas ao iraniano
demonstravam dificuldade para ter acesso a informações
completas.
Um dia após a conversa com Bedroud, Fischer
volta ao tema. Desta vez sua interlocutora é uma tal de “Alê”,
cuja identidade e função não são
especificadas. Apesar de cuidar das finanças da parceria,
Fischer se mostrava pouco familiarizado com o salário do meia
Amoroso, uma vez que as decisões eram tomadas fora do país.
"FISCHER
pergunta se o salário do AMOROSO é de US$100.000 e
“ALÊ” diz que seria 100.000 livres e ele já
ganha 70.000 na carteira e ganharia a diferença. “ALÊ”
diz que perguntou isso para o NOJAN, porque isso foi negociado em
Londres.”
O
DIÁRIO tentou entrar em contato com Bedroud e Fischer. O
primeiro não foi localizado. O segundo afirmou, por meio de
intermediário, que não gostaria de se manifestar.
(Diário de S.Paulo, Esportes, 19/09/2007, C-8)