Notícias - 19/09/2007
Rincón solta o verbo após sofrer na prisão
LIBERDADE:
EX-JOGADOR NÃO ENCONTRA EXPLICAÇÕES PELA
DETENÇÃO E VAI ATRÁS DAQUELES QUE O
PREJUDICARAM
WAGNER EUFROSINO
Acusado
pelo governo do Panamá de associação para o
tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, o ex-jogador Freddy
Rincón permaneceu 123 dias preso na sede da Polícia
Federal, na Lapa. Na quinta-feira, o advogado do colombiano conseguiu
um habeas-corpus, e ele foi libertado. Mas ainda terá de se
apresentar à Justiça outras vezes e não poderá
sequer sair da cidade de São Paulo.
Depois desse tempo
todo detido, Rincón soltou o verbo ontem numa entrevista
coletiva, falou de seu sofrimento, da família, dos amigos, da
intenção ie ir atrás dos culpados por sua
prisão, entre outros assuntos.
“Alguém
vai pagar por tudo o que estão fazendo comigo, do nesmo jeito
que estou pagando por ter tido amizade com uma pessoa. Se alguém
fez algo para me prejudicar, vou devolver”,
ameaçou Rincón, ao lado de sua mulher, Priscila
Silvestre, o advogado Eduardo Nunes e o cônsul da Colômbia,
Maurício Acero.
O alvo de Rincón é o governo
panamenho, responsável pelo pedido de prisão.
O
processo criminal de Rincón segue no Panamá, mas seu
advogado trabalha para revogar a prisão preventiva. Se
conseguir, o processo de extradição também
acabará. A seguir, os principais trechos da entrevista do
ex-craque de Corinthians, Palmeiras e Santos.
Motivos da
prisão
“Eu
fui envolvido em uma situação que não tinha nada
a ver comigo. Fui preso por ser amigo de uma pessoa (o traficante
Pablo Rayo Montaño). Se ele tinha algum envolvimento com
outras coisas, não posso explicar. O meu nome apareceu porque
emprestei dinheiro para uma empresa e me deram ações
como garantia. Não sou dono e também não sou
sócio.”
Pablo
Rayo Montaño
“Hoje
em dia, você não sabe quem são seus amigos. Tinha
uma relação de amizade com ele, mas escolhi meu
caminho, que foi sofrido, correndo atrás da bola, e ele
escolheu o dele.”
Constrangimento
“Enfrentei
constragimentos. Alguns foram preconceituosos por eu ser colombiano.
Mas, outra vez, vou mostrar que há colombiano
honesto.”
Decepção
“A
decepção existiu com ex-companheiros, com amigos.
Muitos acharam que eu era bandido. Agora, ao saber que não
sou, vão querer voltar. Mas a resposta está
guardada.”
Dias
na prisão
“Corria,
fazia exercícios, musculação e até jogava
futebol. Emagreci nove quilos. Além disso, aprendi muito lá.
Nem todo mundo que está preso é mau-caráter ou
bandido. Tem gente boa lá.”
Amigos
“O
Vampeta foi me visitar, o (César) Sampaio, o Cris (ex-zagueiro
corintiano), o Éwerthon (ex-atacante do Timão) e o
Andrés Sanchez. Foram só esses. O Luxemburgo me mandou
uns livros de auto-ajuda.”
Antonio
Roque Citadini
“Eu
queria agradecer e pedir desculpas para o Citadini. Ele foi especial
para mim durante todo esse tempo. Depois que saí do
Corinthians, bati forte nele. Mas ele me deu um tapa na cara porque
me apoiou, apoiou minha família.”
Família
“Meus
filhos escutaram desaforo na escola, foi difícil. Minha esposa
teve importância muito grande, precisou ser pai, mãe.
Ficou respondendo por tudo.”
Corinthians
“Para
mim, tudo o que aconteceu lá foi crônica de uma morte
anunciada. Não é surpresa porque o Corinthians sempre
foi muito confuso.”
Santos
“Tenho
um processo que já ganhei em duas instâncias e foi para
Brasília. Fiquei sabendo, lá na prisão, que eles
não estão preocupados porque o vice do Santos (Norberto
Moreira da Silva) é da OAB, e eles iriam ganhar lá em
Brasília. Mais uma vez, tenho nojo do presidente do Santos
(Marcelo Teixeira), mas eles vão me pagar até o último
centavo, assim como paguei esses dias na cadeia.”
Futuro
“Ainda
não pensei no que vou fazer. Pretendo lançar um livro
contando o dia-a-dia na prisão. Tinha coisas que não
achava certo e acabei sofrendo com coisas que não gosto.
Tentei sobreviver da melhor maneira possível. Não sei
se voltarei a ser técnico, quem sabe auxiliar ou
diretor-técnico.”
(Diário de S.Paulo, Esportes, 19/09/2007, C-8)