Notícias - 19/09/2007
Rincón quer vingança
Garantindo
ser um 'bode expiatório', ele diz que vai calar 'todos' que o
fizeram ficar 123 dias na cadeia
COSME
RÍMOLI
123
dias e 123 longas noites em uma apertada cela na Polícia
Federal. Motivo: o governo do Panamá o acusa de tráfico
e lavagem de dinheiro. Vários amigos muito íntimos
sumiram com medo de Rincón ser culpado. Tinham certeza de que
ficaria três anos preso antes de ser extraditado ao
Panamá.
Ele não quis ver fotos nem dos filhos. E
não permitiu que fossem à cadeia para vê-lo.
Sufocava a saudade escrevendo sua biografia. Sem fome, corria o dia
inteiro. Seu peso caiu de 102 para 91 quilos. Até que um
inesperado habeas corpus foi dado pelo Supremo Tribunal Federal de
Brasília.
Chegou a liberdade e a hora da
vingança.
'Sei que a vingança não é
o sentimento ideal, mas não vou perdoar quem fez a minha
família sofrer tanto. Fui apenas um bode expiatório de
uma situação envolvendo gente poderosa do Panamá',
diz.
' Até o nojento do presidente do Santos (Marcelo
Teixeira) quis se aproveitar da minha prisão achando que vai
ganhar a ação (de R$ 13 milhões) que tenho
contra o clube ao qual emprestei dinheiro. Vou limpar o meu nome e
cobrar quem me prejudicou', afirmou ontem o colombiano na primeira
entrevista que deu desde que foi solto na sexta-feira
passada.
Poucas visitas
Rincón foi preso por
ter investido US$ 750 mil (cerca de R$ 1,4 milhão) na empresa
panamenha de lanchas Nautipesca. Por trás da empresa estava o
amigo Pablo Rayo Montãno. Rincón foi convencido a
investir na Nautipesca depois de conversar com a ex-presidente do
Panamá, Mireya Moscoso. Nas lanchas foram encontradas
cocaína.
'Ele está sendo usado para desviar a
atenção da ex-presidente. O Rincón é
inocente. O meu país acredita nele e está ao seu lado',
disse o cônsul-geral da Colômbia, Mauricio Acero Montejo,
que fez questão de estar na entrevista de Rincón.
'Não
posso ser preso por ter confiado em um amigo. Não sabia sobre
as drogas. Sou inocente e não tenho vergonha de dizer que o
meu erro foi confiar em pessoas erradas.'
O colombiano releva
que o pior momento foi quando agentes da Polícia Federal foram
até a sua casa prendê-lo. 'Eles me respeitaram, mas foi
duro demais sair da minha casa para uma prisão sem ter feito
nada.'
Rincón teve na sua esposa Priscila uma
guerreira. Enquanto o advogado Eduardo Nunes de Souza utilizava todas
as armas legais para evitar a extradição par o Panamá,
sua esposa animava o marido e tratava de enfrentar quem sujava a sua
imagem. Ela deu até uma entrevista a uma rádio
panamenha acusando a ex-presidente Mireya.
'A Priscila foi
pai, mãe, uma guerreira. Ela representou a liberdade para mim.
A liberdade tem um rosto para mim. E é o dela.'
Roque
Citadini, Vampeta, César Sampaio, Cris e Ewethon foram as
únicas pessoas do mundo do futebol que o visitaram.
'Tomei
um tapa na cara quando vi o Citadini, com quem tive tantos problemas,
me ajudando. E muitos que se diziam meus amigos não foram me
ajudar. Fiz uma peneira na minha vida. Agora sei quem é
quem.'
(Jornal da Tarde, Esportes, http://txt.jt.com.br/editorias/2007/09/19/esp-1.94.3.20070919.6.1.xml, 19/09/2007)