Notícias - 15/09/2007


Escutas implicam candidatos corintianos


Postulantes à presidência aparecem se relacionando com os investigados

Andrés Sanches mostra boa relação com Kia e Nesi Curi, mesmo na oposição; Dualib cita conversa com Paulo Garcia sobre "caixa dois"

EDUARDO ARRUDA
PAULO GALDIERI
RODRIGO MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Andrés Sanches, líder oposicionista no Corinthians e virtual presidenciável, e Paulo Garcia, primeiro candidato oficial à sucessão de Alberto Dualib, apareceram ou tiveram seus nomes citados em conversas flagradas pelas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Perestroika.
Garcia aparece no relatório de inteligência sobre a operação. Em conversa de Dualib com Marcos Fernandes, ex-funcionário do Corinthians conhecido como "controller" no clube, o presidente afastado afirma que falou com Garcia. O assunto fora "caixa dois".

"Alberto diz que conversou com Paulo Garcia e que Paulo perguntou se eles têm caixa dois, e Alberto diz ter respondido que nunca teve. Alberto diz que Paulo falou que um clube não pode ficar sem caixa dois e como eles fazem para acertar com o fiscal um negócio desses", descreve o relatório da PF.

Sanches está em vários trechos nas mais de 60 horas de conversas gravadas pela PF.

Em muitos deles, o conselheiro, que em 2006 deixou de apoiar Dualib e passou a condenar a parceria com a MSI, aparece fazendo alusões à sua subordinação a Kia Joorabchian.

"Não ajudo mais [o Corinthians] não. Ajudo se o Kia me ligar", disse Sanches em conversa com Joaquim Grava, ex-médico do Corinthians e hoje no Santos, no dia 3 de agosto do ano passado. Debatiam sobre indicações para a contratação de um novo técnico para o time. Nessa data, Sanches já se apresentava como oposicionista.

No dia 21 de agosto, Sanches se mostrou com boas relações com um de seus adversários políticos. Foi flagrado em conversa com Nesi Curi, vice-presidente a quem fazia e ainda faz oposição. No diálogo, conta a Curi sobre a saída de Tevez.

Sanches já havia aparecido em outro trecho das gravações combinando o que dizer em depoimento à PF sobre a parceria.

Ambos os presidenciáveis, que hoje se apresentam contrários a Dualib, já estiveram do lado do dirigente afastado.

Sanches foi vice-presidente de futebol. Garcia quase exerceu a mesma função. No início deste ano, chegou a ser indicado por Dualib para a vaga, mas jamais a assumiu de fato e passou a se sentir traído.

A divulgação de que ambos têm seus nomes citados nas escutas da PF deve enfraquecê-los politicamente.

Há uma corrente que defende que antes de discutir sucessão presidencial o clube precisa passar por uma "limpeza".

"Se ficarmos discutindo eleições agora não conseguiremos sair desse buraco", disse Antonio Roque Citadini, que chegou a manifestar apoio a Garcia.

Em audiência na Câmara dos Deputados, anteontem, os conselheiros Rubens Approbato e Flávio Adauto defenderam a destituição de todo o Conselho.

"Sou a favor da destituição desde que sejam destituídos também todos os vitalícios indicados pelo Dualib", disse Wilson Bento Jr., conselheiro quadrienal indicado por Dualib.


(Folha de S.Paulo, Folha Esporte, 15/09/2007)