Notícias – 06/08/2007

Corinthians faz parceria com a crise


Aparentemente sem rumo após o rompimento com a nebulosa MSI, Timão acumula dívidas e processos trabalhistas

Renato Otranto
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA


A três anos de completar o centenário de fundação, o Corinthians, clube que tem a segunda maior torcida do Brasil - pesquisas apontam o Flamengo em primeiro -, está mergulhado numa crise sem precedente. Pelo último levantamento sua gigantesca dívida beira R$100 milhões. O presidente Alberto Dualib e o vice Nesi Curi, que estão se licenciando dos cargos, respondem à Justiça processos por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Eles ainda são acusados, por consellieiros e torcedores comuns, de incompetentes por terem caído no conto da MSI, misteriosa empresa de investidores internacionais, que chegou ao Parque São Jorge, em 2005, com a promessa de fazer do Corinthians o melhor do mundo, com muito dinheiro em caixa, um time recheado de craques renomados e um conttato com a duração de dez anos.

A crise financeira corintiana, em menor escala, vinha desde antes de a diretoria juntar o clube com a MSI, em 2005. No primeiro momento, até que a nova parceria deu certo com um time montado com jogadores renomados, desde Carlitos Tevez, passando pelos também argentinos Mascherano e Sebá, além de Roger, Gustavo Nery, Carlos Alberto, Marcelo Mattos e Nilmar, todos comandados inicialmente por Antônio Lopes e depois pelo argentino Danlel Passarella, treinador que espera receber cerca de R$3 milhões de indenização por um contrato rompido. Com um detalhe: na Justiça, ele cobra o clube para o qual trabalhou e não a MSI que o contratou.

No início da parceria, o Corinthians viveu um grande momento. Foi efêmero, mas foi.

Tornou-se campeão brasileiro, Carlitos Tevez ganhou o título de melhor jogador do futebol do País em 2005 e os planos eram cada vez mais audaciosos. Projetou-se até a contratação de Ronaldo Fenômeno e a transformação do clube num Real Madrid ou Milan das Américas.

Toda euforia, entretanto, não era suficiente para convencer algumas poucas pessoas ligadas ao clube. Delas partiram a desconfiança de que algo de errado estava ocorrendo. Denunciou-se um contrato malfeito, prejudicial ao Corinthians por não ter sido confirmada qualquer tipo de garantia. Abriram-se investigações e não faltaram acusações contra o comandante da parceria e do time, o iraniano Kia Joorabchian, que logo ao desembarcar no Parque São Jorge se tornou ídolo da torcida e em alguns momentos acima até dos principais jogadores.

Descobriu-se que por trás dos negócios estava Boris Berezovsky, magnata russo acusado de falcatruas no seu país, que vive em Londres e interessado em investir no Brasil usando o Corinthians como a porta de entrada. Não demorou para a parceria se transformar num enorme pesadelo. A crise tomou conta do clube, os problemas administrativos se multiplicaram, os processos na Justiça andaram e Kia Joorabchian zarpou para a capital inglesa para ficar livre dos constantes atritos com os dirigentes depois dele ter levado do Parque São Jorge os reforços que havia trazido.

O time sucumbiu no ano passado e não conseguiu se levantar depois disso. A dificuldade financeira cresceu numa proporção geométrica. A empresa misteriosa contraiu as dívidas e o clube ficou com a responsabilidade do pagamento. Os escândalos se avolumaram. Com rapidez, o Corinthians foi do céu ao inferno e com o risco de passar de luto o dia 10 de setembro de 2010, quando faz 100 anos, isso se não conseguir superar a crise nos próximos três anos.


(Correio Popular, www.cpopular.com.br, 06/08/2007, p. D-6)