Notícias - 06/08/2007

Falamos com... Adhemar Magon Júnior

Quando o navio afunda, os ratos pulam primeiro


Ex-diretor da Hicks Muse defende Alberto Dualib

Maurício Oliveira, São Paulo

O presidente Alberto Dualib não dá entrevista. Dos seus aliados, restaram poucos. E ninguém quer falar. Os parentes temem aparecer por causa de ameaças de torcedores revoltados.

Mas ainda há quem fale em defesa de Dualib. É Adhemar Magon Júnior, 34 anos, ex-executivo da Pan American Sports Team, braço-esportivo da Hicks Muse Tate & Furst.

A Hicks foi parceira do Corinthians entre 1999 e 2001, e o executivo fez parte da parceria mais vitoriosa da história do clube. Conquistou um Brasileiro, dois Paulistas e o Mundial de Clubes de 2000.

Veja a seguir o que diz Magon Jr., hoje diretor-financeiro da Televisão Cidade S.A., empresa de TV a cabo e banda larga na internet.

LANCE!: O senhor vê alguma semelhança entre o fim da parceria entre Corinthians e Hicks e o início do processo de rescisão atual com o MSI?
ADHEMAR MAGON JÚNIOR: Não, são circunstâncias diferentes. A Hicks, na época, também tinha parceria com o Cruzeiro, queria construir estádios, tinha um canal de TV (a PSN), que era o carro-chefe da operação de esportes no Brasil. Como o canal foi encerrado, perdeu o sentido de manter a parceria com os clubes.

L!: Há quem diga que a briga jurídica, agora, pode durar até dez anos.
AM: Não, não vai demorar tanto. Quando a poeira baixar e as pessoas conversarem, haverá uma composição como a que fizemos. É uma briga inglória. Vai se gastar muito com advogados e recursos e ninguém tem garantia de que receberá no fim do processo. Quando pensarem mais com a razão, haverá acordo.

L!: Por que o clube não consegue dar continuidade a uma parceria?
AM: Porque esse modelo de parceria não funciona no Brasil. Aqui, os clubes sociais são donos dos times. Na Europa, os clubes são empresas. Os investidores compram ações e administram de forma profissional. No Brasil, a direção é composta pelo conselho, formado por 400 pessoas.

L!: Só por isso o MSI não deu certo?
AM: Sinceramente, não entendo por que responsabilizam seu Alberto (Dualib) por tudo. Quem aprovou a parceria foi o Conselho. O que acontece é o seguinte: vem o investidor, discute premissas e condições com o presidente e a diretoria e ficam todos alinhados. Aí, o time perde, a torcida fica indignada com o treinador e tudo vai por água abaixo. E a diretoria manda embora todo mundo.

L!: A Hicks ainda tem participação em algum jogador do Corinthians?
AM: Não. Bobô e Fininho (negociados em 2006) eram os últimos.

L!: E recebeu?
AM: Sim. Quando o Corinthians recebeu, não nos pagou porque tinha sido orientado pela MSI. Notificamos o clube, ameaçando entrar com ação fora do Brasil. Dualib me chamou para terminar tudo de uma forma decente e chegamos a um bom termo. Temos uma questão a resolver, de um apartamento que era de Marcelinho, mas vamos tratar disso no momento mais adequado.

L!: E as denúncias do Ministério Público Federal e da Justiça Federal?
AM: Sou corintiano e fico triste, mas acho injustiça o que estão fazendo. Em nenhum momento Dualib teve poder para definir tudo. O Conselho aprovou a parceria. Antes, o maior aliado de Kia (Joorabchian) era Andrés Sanchez. Hoje, fingem que não se conhecem. Filho feio não tem pai. Quando o navio está afundando, os primeiros a pularem são os ratos. Se o Conselho entende que o momento é de sucessão, é justo e decente, mas que seja por meios éticos.

L!: Mas não é isso o que está sendo feito, com votação no Conselho?
AM: Não acho. Estão atribuindo a culpa a uma única pessoa. Vi no Lance! algumas pessoas que podem assumir, mas o único que foi contra desde o início foi o Citadini.

L!: Mas o que levou o Conselho a votar o fim da parceria foi o processo da Justiça Federal, que aponta lavagem de dinheiro e formação e quadrilha. Não foi por causa dos maus resultados no campo.
AM: Concordo, mas o problema é que, no Brasil, infelizmente, a pessoa é considerada culpada antes de o processo terminar e cabe a ela provar que é inocente. Em qualquer país do mundo, é o contrário. Não quero advogar para Dualib, mas a responsabilidade é de todo o Conselho.


(Lance!, 06/08/2007, p. 14)

PARCERIAS


BANCO EXCEL - ENTRE 1997 E 1998.
Conquistou o Paulistão de 97. Contratou Túlio, Edílson, Ricardinho, Rincón e Vampeta, entre outros, mas a maior aposta foi Luxemburgo, em janeiro de 98. O cotrato de parceria foi rompido porque o Excel foi vendido para o Banco Bilbao de Vizcaya (BBV), da Espanha. O contrato foi cancelado antes da final do Brasileirão de 98.

HICKS MUSE - 1999 A 2001.
O Corinthians levou os Paulistas de 99 e 2001, o Brasileiro de 99 e o Mundial de 2000. Dida e Luizão foram contratados. Em 2001, o canal de TV da Hicks, a PSN, fechou e a empresa decidiu encerrar os contratos com os clubes.

MSI - A PARTIR DE 2005.
Tevez é a grande estrela contratada. O Timão leva o Brasileirão de 2005. Mas o contrato de parceria será encerrado porque seus dirigentes foram denunciados pela Justiça por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.


(Lance!, 06/08/2007, p. 14)