Notícias - 25/07/2007


Parceria Corinthians-MSI acabou


O Conselho Deliberativo aprovou ontem, por 241 a 0, o fim do acordo. Próximo passo é o afastamento de Dualib

Fábio Hecico

A parceria entre Corinthians e MSI está chegando ao fim, de uma maneira esperada e previsível: o rompimento por parte do clube. Ontem à noite, os conselheiros decidiram por estrondosa unanimidade de 241 a 0 o encerramento unilateral do acordo com a empresa encabeçada pelo iraniano Kia Joorabchian e pelo magnata russo Boris Berezovski, ambos com prisão pedida no País pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Até mesmo o presidente do clube, Alberto Dualib, o vice-presidente, Nesi Curi, e o vice-presidente de futebol, Rubens Gomes, votaram a favor de terminar já o acordo firmado em 2004 e que terminaria em dezembro de 2014.

Resta uma questão jurídica. Pelo contrato, se o Corinthians romper o acordo tem de pagar indenização de US$ 25 milhões. ' Criamos uma comissão para municiar o clube para o enfrentamento jurídico. A MSI prometeu uma carta-fiança desde o início da parceria e ela nunca veio. Vamos fazer uma auditoria e sairemos vencedores. Várias cláusulas do acordo não foram cumpridas', disse o conselheiro Romeu Tuma Júnior.

A comissão é formada por Tuma, seu relator, por Rubens Aprobbato Machado, presidente, e por Raul Corrêa Silva, secretário e analisará as contas e contratos do clube por 90 dias.

Em outra frente de batalha, Dualib tenta sobreviver na presidência, mas sua situação continua delicada. Em reunião extraordinária do Conselho Deliberativo no dia 7, convocada a contragosto pelo presidente do conselho, Carlos Senger - só o fez porque foi pressionado por membros da oposição -, ele vai apresentar a defesa para seus atos no comando que estão sendo contestados pelos oposicionistas e deve ser afastado preventivamente. No dia 12, assembléia geral com participação de sócios do clube há mais de dois anos referenda ou não a decisão. Dualib está no poder há 14 anos. 'Quem votar para ele ficar, tem de ser preso', disse Marlene Matheus.

Ontem, porém, o impeachment de Dualib dividiu as atenções com o posicionamento sobre a parceria com a MSI. Do lado externo do Parque São Jorge, cerca de 200 integrantes do Movimento Fora Dualib!, com batuques, camisetas, bandeiras e faixas. Às 21 horas, se vestiram de prisioneiros e, algemados, iniciaram a manifestação contra Dualib. 'Cadeia, cadeia, cadeia, Dualib é cadeia', começaram. Pizzas simbolizaram o medo dos torcedores de nada acontecer na reunião. Os gritos de guerra foram enormes. Alguns, sem rimas, outros, com exagerados e impublicáveis palavrões. Nesi Curi, e Wadih Helu, conselheiro braço direito de Dualib, não foram poupados.

Sob tensão, os conselheiros presentes (241 de um total de 400) passaram a apreciar o acordo com o fundo de investimentos. Logo ficou claro que a decisão seria pelo rompimento. 'Do jeito que está, vai ser não (continuidade de parceria)'', dizia o próprio Dualib. ' Estamos perdendo muito fora de campo. Vamos acabar com este sangramento. Estávamos anêmicos. A partir de hoje (ontem) vamos tirar o Corinthians do atoleiro'', proclamava Osmar Stábile, ex-vice-presidente de Esportes Terrestres e atualmente conselheiro da oposição.

Dualib, indiciado pela Justiça Federal por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, não foi menos poupado e dificilmente evitará ser apeado do poder. 'Ele (Dualib) vai ter direito a ampla defesa, como todo criminoso tem direito'', afirmou, resoluto, o conselheiro Wilson Canhedo.

Rubens Gomes, aliado de Dualib, recorreu a uma frase curiosa para explicar a tomada de posição contra a MSI. 'Quando o cachorro está com pulgas, você não mata o cachorro e sim trata de eliminar as pulgas.''

Também ontem, o lateral-direito Pedro deixou o clube. Pagou multa de US$ 150 mil e rescindiu contrato.



(O Estado de S. Paulo, Esportes, 25/07/2007)