Notícias
– 23/02/2006
Da
Agência Placar
SÃO PAULO - As declarações
dos desafetos ganham cores ainda mais fortes quando analisamos a
relação dos 17 atletas que votaram em Ricardinho na
enquete de Placar. Onze deles jogaram ao lado do meia, em clubes e na
Seleção. No dia 4 de janeiro, o jornal Folha de S.
Paulo publicou a seguinte nota: “Jogadores da Seleção
Brasileira estão incomodados com a amizade entre Carlos
Alberto Parreira e Ricardinho. Avaliam que o meia trabalha como
informante do treinador. O relacionamento do técnico com o
meia começou a chamar a atenção dos outros no
jogo com a Croácia. Eles viram Ricardinho na mesa de Parreira
antes de os demais chegarem para um lanche. Depois, o meia sentou-se
ao lado dos colegas. Antes do amistoso contra os Emirados Árabes,
Ricardinho levou uma bronca de um dos astros da Seleção
diante do treinador. O ex-corintiano conversava com Parreira enquanto
os demais faziam aquecimento. Ouviu do companheiro exaltado para
parar de forçar a barra.”
Existem, portanto,
indicadores de que o comportamento de Ricardinho incomode alguns
colegas. Estes acusam o jogador de ser uma espécie de
“leva-e-traz” dos comandantes. “Isso me surpreende.
Trabalhei sete meses com o Ricardinho no Corinthians e ele tinha um
ambiente muito bom”, diz o técnico da Seleção
Carlos Alberto Parreira. “E nunca trouxe para mim nada do
grupo, nunca traiu o grupo ou algum jogador, nunca insinuou nada. O
Ricardinho é, além de muito bom jogador, um atleta
inteligente. Isso pode causar algum ciúme, não sei...
Mas realmente nunca percebi animosidade em relação a
ele, nem no Corinthians, nem na Seleção.”
O
ex-diretor do Corinthians, Antônio Roque Citadini, atribui o
resultado da enquete ao preconceito. “Os boleiros rejeitam tudo
o que não é do padrão deles. O Ricardinho tem um
perfil diferenciado: vem da classe média, se expressa bem.
Então, é rejeitado”. Hoje afastado do poder no
clube, Citadini era o homem-forte do futebol corintiano no final dos
anos 90, fase em que o alvinegro ganhou dois Brasileiros e um Mundial
de Clubes tendo Ricardinho como um dos destaques. Aproximou-se do
craque, de quem é amigo até hoje. “Acho muito
injusto, pelo caráter que ele sempre demonstrou, associá-lo
a coisas ruins, depreciativas”, afirma.
Oswaldo
de Oliveira, técnico que trabalhou com Ricardinho no
Corinthians e no São Paulo, engrossa o coro da defesa. “O
Ricardo é um cara de personalidade forte e sempre me ajudou
muito nos clubes em que trabalhamos juntos. Mas nunca desse jeito,
ele não é leva-e-traz, não faz fofoca, muito
pelo contrário. Ele tem uma experiência e uma liderança
muito grandes, e com isso tem também muita autonomia. Tanta
autonomia que não depende desse tipo de relação,
que não precisa ter esse tipo de atitude. Não precisa e
não tem”, diz.
“Ele é pontual,
prestativo e tem um sentido de colaboração enorme. E do
ponto de vista tático, é excelente.”
Mais
intrigante, porém, é a defesa que um ex-colega de
Corinthians faz de Ricardinho. “Ele vivia pendurado nas bolas
no Vanderlei (Luxemburgo) e do Parreira, mas nunca fez mal a ninguém.
Isso é pura sacanagem de jogador”, diz. O ex-colega
acaba por corroborar a proximidade com técnicos e dirigentes
que tanto incomoda alguns jogadores. E deixa pistas, também,
de que o meia sofra uma espécie de “preconceito às
avessas”, como acentua um dirigente que trabalhou com o
jogador. “No ambiente do time, ele sempre fica meio de lado.
Por uma questão de afinidade intelectual, ele sempre foi mais
próximo de dirigentes e técnicos do que dos outros
jogadores”.
O que o levantamento não revela,
entretanto, é “de quem é a culpa”. A
eleição de Ricardinho como o mais odiado se deve mesmo
à sua personalidade e seu comportamento? Ele seria mesmo esse
“baba-ovo”, como apregoam esses colegas? Ou o problema
está justamente em seus eleitores, que seriam incapazes de
aceitar alguém que seja minimamente diferente deles?
(Revista
Placar,
http://placar.abril.com.br/novo/includes/clubes/meiocampo/022006/022006_329972.shtml,
23/02/2006)