Notícias – 28/12/2005


Dualib e sua “escolha de Sofia”


Para garantir a reeleição em fevereiro, o presidente Alberto Dualib corre o risco de se ver diante de uma verdadeira “escolha de Sofia” (referência ao filme de Maryl Streep, de 1982, no qual a atriz tinha de escolher entre a vida de um dos dois filhos): para assegurar os votos necessários, teria de sacrificar a posição política de seu vice-presidente predileto, Antônio Roque Citadini.

A história que circula nos bastidores do Parque São Jorge é de que outro vice-presidente eleito, Nesi Curi, teria feito tal exigência para manter o apoio a Dualib. Curi é considerado um dos mais fortes conselheiros e peça fundamental no processo eleitoral. Embora não tenha o mesmo número de votos que Dualib, seus seguidores poderiam definir o resultado. No pleito, a chapa do presidente indica os três vices. Assim, caberia a Curi escolher o substituto.

Caso Dualib não acate a imposição, Curi ameaçaria apoiar candidatura de oposição. Nos últimos dias, conselheiros como Miguel Marques e Silva, Mário Gobbi, Andrés Sanchez e Wadi Helu reuniram-se para analisar a possibilidade de lançar candidato alternativo a Dualib. A oficialização da chapa, porém, estaria condicionada ao apoio de Curi.

“Isso (o pedido) nunca chegou a meu conhecimento”, afirmou ontem Citadini.
“Mas não me surpreendo com nada.”


Conselheiros mais próximos a Dualib tratam a questão com mais pragmatismo.

É o caso do cardiologista Jorge Kalil, que se tornou o braço direito do presidente corintiano nos últimos meses. “Não vejo grande drama nessa questão política”, afirmou o conselheiro. “E vou utilizar uma frase dita a mim pelo próprio Nesi (Curi) para exemplificar isso.
Certa vez ele disse que nunca traiu ninguém na vida dele e não iria começar agora, com 80 anos de idade.”



(Diário de S. Paulo, Esportes, 28/12/2005)