NOTÍCIAS – 27/12/2005
Kia fecha com agentes, que fecham o Corinthians
Após
um ano de MSI, clube é cercado por grupo de empresários
próximos a iraniano, que ensaia os passos para lucrar com a
negociação de atletas
EDUARDO ARRUDA
DA
REPORTAGEM LOCAL
RICARDO PERRONE
DO
PAINEL FC
Em
pouco mais de um ano sob a administração da MSI, o
Corinthians virou um clube fechado, ao qual um pequeno grupo de
empresários têm acesso. As contratações e
vendas de atletas passam pelas mãos dos mesmos agentes
-Giuliano Bertolucci, Pini Zahavi, Marcelo Djian, Gustavo Aribas e
Fernando Hidalgo.
O grupo é o mesmo que acaba de fechar com
o Atlético-MG as contratações de Ramon e Renato,
e Rafael Moura, ex-Paysandu.
Pelo menos dois deles devem jogar no
Flamengo em 2006. A MSI nega participação na
negociação, porém dirigentes flamenguistas
disseram à Folha que Kia participou das discussões e se
aproxima do clube para colocar atletas ligados ao seu grupo.
Cliente
de Claudio Guadagno, que não pertence ao "time" do
iraniano, O meia Hugo, contratado a pedido da diretoria corintiana,
já foi avisado que não ficará.
Esse círculo
estreito acompanha Kia Joorabchian nos primeiros passos do iraniano
para lucrar com a compra e venda de jogadores em diversos clubes,
desvinculando-se da problemática parceria com os
corintianos.
Cada um dos 11 jogadores contratados pela MSI veio
com a participação de ao menos um dos escudeiros de
Kia. Esse grupo ficou conhecido entre os cartolas corintianos como os
"empresários amigos do Kia".
Agentes mais famosos
ou com mais tempo de atuação no país ainda não
emplacaram nenhum cliente no Parque São Jorge, desde a vinda
da MSI. São os casos de Gilmar Rinaldi, Wagner Ribeiro e de
Guadagno. A dupla formada por Juan e Marcel Figer, responsável
por um dos escritórios mais poderosos do ramo no Brasil,
também não furou o bloqueio.
Agentes de Ricardinho,
eles ouviram uma proposta que representa apenas 30% da oferta feita
por um clube árabe. Os Figer chegaram a negociar com Kia, mas
houve um desentendimento.
A situação incomoda alguns
agentes. Dois empresários, que pediram para não ser
identificados, disseram que viram as portas do Parque São
Jorge se fechar para eles e os outros que não fazem parte dos
homens de confiança do iraniano. Atletas do clube que
pertencem a outros agentes também enfrentam dificuldades.
Gil,
empresariado por Rinaldi, deixou o clube desvalorizado e foi de graça
para o Japão.
Vágner Love, também agenciado
por Guadagno, viu sua contratação fracassar depois de
uma longa novela, que o deixou em situação delicada no
CSKA.
Em seu lugar veio o atacante Nilmar, que estava no Lyon,
clube que tem Djian como seu representante no Brasil.
Ele também
é o procurador de Jô, que teve sua venda acertada para o
CSKA por intermédio do argentino Gustavo Arribas.
Kia
estreita as suas relações até com os principais
rivais corintianos. Já teve encontros com palmeirenses e
são-paulinos. "Ele esteve no Morumbi alguns dias antes de
o Corinthians jogar aqui com a Ponte Preta. Veio conversar e ver
algumas coisas relativas à partida", disse Marcelo
Portugal Gouvêa, presidente são-paulino.
Kia também
já participou de almoços na FPF e conversou com
dirigentes de outros clubes.
A Folha apurou que existe a
possibilidade de o iraniano e seu grupo acertarem um convênio
com uma equipe pequena, sem a chancela oficial da MSI. Além de
dar espaço a jovens talentos, tal time poderia servir de ponte
para os jogadores contratados para atuar no Corinthians. Eles só
seriam emprestados ao clube do Parque São Jorge por curtos
períodos. Dessa forma, Kia dependeria menos da assinatura de
Dualib para vender seus jogadores. Hoje, se o contrato de parceria
for rescindido, Dualib ameaça não assinar a liberação
dos astros da equipe. A cúpula corintiana se irritou ao saber
dos contatos de Kia com outros times. Acredita que ele use o clube só
para entrar no mercado brasileiro. A MSI não quis comentar o
assunto.
Colaborou Toni
Assis, da Reportagem Local
(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 27/12/2005)