NOTÍCIAS – 26/12/2005
'Eu avisei que daria errado', diz Antonio Roque Citadini
Crítico
do MSI diz que situação do clube é
trágica
LANCEPRESS!
De
26 de dezembro de 2004, exatamente um ano atrás, quando o L!
publicou entrevista exclusiva em que anunciava seu afastamento do
futebol do Corinthians e previa o apocalipse para o clube em razão
da parceria com o MSI, o vice-presidente Antônio Roque Citadini
mudou muito sua vida.
Presidente do Tribunal de Contas do Estado,
Citadini, 53 anos, perdeu todo o poder que tinha no Timão. De
vice-presidente de futebol e virtual candidato a sucessor do
presidente Alberto Dualib, passou a crítico feroz de Kia
Joorabchian e de tudo relacionado ao MSI.
Começou a estudar
a vida dos oligarcas russos, que fizeram fortuna com o desmanche da
estrutura estatal da URSS, e criou até um blog com notícias
sobre o tema: www.sovieticnews.blogspot.com
Um ano após suas previsões, Citadini analisa em
nova entrevista tudo que aconteceu em 2005 e defende que o clube está
afundando por causa da parceria.
O L! tentou ouvir o iraniano Kia
Joorabchian, chefão do MSI, mas sua assessoria informou que
ele não se posicionaria antes da publicação
da entrevista.
LANCE!:
Você havia dito que o clube exerceria figura meramente
decorativa no futebol, mas sem o presidente Dualib assinar
documentos, o MSI não pode fazer nada...
Antônio
Roque Citadini: É claro que há uma disputa, mas, na
essência, é a parceria que decide. O MSI contratou e
descontratou quem quis. A empresa decide tudo. É interessante
para a empresa estabelecer uma certa convivência, por isso que
há uma aproximação mínima.
L!:
Você havia dito que a parceria seria muito boa num primeiro
momento e depois muito ruim. Previa a conquista do Brasileiro?
ARC:
Eu esperava muito mais! Que o time ganhasse a Copa do Brasil e o
Paulista também. A diferença do Corinthians para os
outros times foi muito grande. Se não fossem os desacertos de
gestão, o Corinthians teria ganho três, quatro
títulos... Só o amadorismo e percalços no
caminho impediram isso. E, hoje, é muito claro o que vai
acontecer. O desenho que temos é de grandes dificuldades, até
antes do que a gente imaginava. Eu avisei que daria errado.
L!:
Na outra entrevista, você não quis discutir a hipótese
dos US$ 20 milhões previstos em contrato não serem
enviados. Hoje, essa é uma das reclamações de
Alberto Dualib.
ARC: É
uma das grandes tragédias da parceria. Além de ser um
contrato ruim, com valores ruins, o dinheiro não chegou. E não
chegou mesmo!*
* Kia Joorabchian alega que já
pagou mais de US$ 18,5 milhões e que o restante será
pago em breve.
L!: Você criou até
um blog...
ARC: Isso. Na
verdade, depois do período tumultuado do ano passado e no
começo do ano, todos percebem que a parceria tem um sentido
maior. O Kia Joorabchian é o linha de frente de um grupo que
deseja entrar no futebol, ganhar status, fazer negócios no
Brasil. Na entrevista que ele deu no L!, ele diz que é um
organizador de negócios – para cada ação,
ele busca diferentes investidores. Existe um cabeça (Boris
Berezovsky), mas há outros também. É um tipo de
investidor que preocupa o mundo inteiro hoje, todos originários
do leste. Eles estão chegando.
L!: Uma
das críticas era de que o contrato não previa
investimentos em infra-estrutura.
ARC:
E eles não plantaram nem uma peça de grama! Nenhuma!
É um retrocesso. Enquanto em todas as outras parcerias havia
um vínculo de melhoria de infra-estrutura, não se
avançou nem um centímetro neste ano. Tudo que foi feito
foi o clube que pagou. Eles não fizeram nada!
L!:
O sócio Caetano Matanó Jr. pretende derrubar o
presidente.
ARC: Vi isso
no jornal, mas não conheço o caso. De qualquer forma, o
procedimento ideal é o político, dentro do clube, e não
judicial.
L!: Você é candidato à
presidência?
ARC:
Candidato não se lança, nasce.
L:!
E, como no ano passado, quer fazer críticas ao L!?
ARC:
Olha, eu não concordo com tudo que o L! faz. Por exemplo,
não comprei o pôster depois que vi o Kia como
garoto-propaganda, segurando um. Não compraria nada indicado
por eles. Mas interpreto isso mais como uma gozação de
vocês.
L!:
Você previa o sucesso do São Paulo? Paulista,
Libertadores e Mundial em 2005.
ARC: O São Paulo
disputou uma Libertadores em que o Atlético-PR não
podia jogar em casa e, no Mundial, não enfrentou ninguém.
Nós, quando jogamos, enfrentamos o Real Madrid (ESP), o Necaxa
(MEX), vários times bons. Eles, o único time mesmo que
enfrentaram foi o Liverpool, que é um time de segunda linha. O
São Paulo é fogo de palha, já passa.
(Lance!, 26/12/2005)