NOTÍCIAS – 16/12/2005
MSI
desmente dívida e racha na parceria se agrava
Presidente do Corinthians mantém
posição de reter as receitas do clube
Almir
Leite
Marcos Rogério Lopes
Por meio de
nota oficial, o fundo de investimentos parceiro do Corinthians
rebateu as acusações de que estaria em débito
com o clube. "A MSI prometeu, cumpriu e segue cumprindo todas as
obrigações contratuais e pretende continuar a
cumpri-las integralmente", diz o comunicado. O presidente
corintiano, Alberto Dualib, no entanto, cobra R$ 25 milhões da
empresa e se mostra preocupado com a possível insolvência
do clube.
Na edição de ontem, o Estado publicou
que Dualib ameaça ir à Europa cobrar o dinheiro dos
investidores da MSI caso não haja solução para a
suposta dívida: além de querer de volta os R$ 3 milhões
que emprestou no meio do ano ao fundo, acredita faltarem ainda R$ 22
milhões, que seriam o restante de R$ 60 milhões (US$ 20
milhões à cotação de um dólar a
três reais), prometidos em contrato.
Kia Joorabchian não
confirma o quanto já pagou ao Corinthians. Mas a quantia
chegaria a US$ 18,5 milhões. Nesta conta, estão
incluídos US$ 3 milhões definidos como contingenciados
- encontram-se bloqueados à espera de autorização
judicial para que o atacante Luizão possa sacar o dinheiro.
Conselheiros do Corinthians ligados ao iraniano dizem que as
negociações com os advogados de Luizão estavam
bem encaminhadas, próximas de um acerto amigável, mas
foram travadas pela diretoria do clube. "É estranho. O
acordo ia ocorrer e, de repente, as negociações
emperraram'', comentou um deles.
A cota (de R$ 1,7 milhão)
que o Clube dos 13 pagará nos próximos dias ao clube,
pela transmissão do Brasileiro, também deve ter como
fim a quitação do débito com o atacante, no
valor total de R$ 9 milhões.
Dualib, entretanto,
pretende continuar retendo receitas que, pelo contrato de parceria,
caberiam ao fundo. Recentemente, pediu, sem aprovação
da MSI, adiantamento à Federação Paulista de
Futebol da cota de R$ 1,5 milhão relativa ao Campeonato
Paulista.
O fundo não confirma, mas também não
teria acertado o valor referente às despesas com funcionários
do Corinthians que estão trabalhando no Departamento de
Futebol, pois solicitou e não recebeu a lista desses
funcionários. A diretoria corintiana, por sua vez, nega a
existência de tal pedido.
Apesar de todas as arestas, a
parceira corintiana, na nota enviada à redação,
tentou ser conciliadora: "A MSI está aqui como um
parceiro para trabalhar e continuar a fortalecer o clube dentro e
fora do campo. Espera que as duas partes tenham a mesma intenção
de honrar e fortalecer a relação acordada entre as
mesmas".
A briga é sim financeira, mas é
também política. Dualib não suporta mais a
convivência com Kia Joorabchian, executivo da MSI. E a
recíproca também é verdadeira. Na véspera
da última rodada do Brasileiro, o iraniano teria deixado uma
reunião no Parque São Jorge após a chegada do
cartola. Saiu esbravejando e bateu a porta, conta pessoa que garante
ter presenciado a constrangedora cena.
(O Estado de S. Paulo, Esportes, 16/12/2005)