NOTÍCIAS – 15/12/2005

Cresce o racha MSI-Corinthians


O presidente Alberto Dualib ameaça ir à Europa para cobrar dos investidores uma dívida de R$ 22 milhões

Marcos Rogério Lopes

O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, ameaça ir à Europa cobrar pessoalmente dos investidores da MSI os valores que o fundo de investimentos deve ao clube - exige R$ 22 milhões que estariam previstos no contrato e mais R$ 3 milhões de um empréstimo feito à empresa. Diversas fontes no Parque São Jorge garantem que não há mais conversa entre Dualib e o iraniano Kia Joorabchian, executivo da MSI. "A relação dos dois não melhorou nada desde o primeiro grande desgaste (após a assinatura do patrocínio com a Samsung, no primeiro semestre)", afirmou o assessor pessoal do cartola corintiano, Décio Trujilo.

Contrariando o estipulado no contrato de parceria, o presidente do clube vem retendo os valores que têm entrado nos caixas. Pelo acordo com a MSI, todas as receitas corintianas cabem ao fundo, não ao Corinthians. O dirigente, no entanto, não repassou R$ 1,5 milhão pagos pela Federação Paulista de Futebol, há cerca de 15 dias, provenientes da cota de transmissão pelo Campeonato Paulista de 2005, e pretende ainda reter os R$ 1,7 milhão que o Clube dos 13 deve depositar dia 20, relativos ao Brasileiro. "Não há acerto com o Kia, a única forma é segurar o dinheiro e forçar que ele pague o que deve", afirmou o neto do presidente corintiano, Edson Dualib.

Não há reuniões previstas para tentar encerrar o impasse. Kia Joorabchian, por meio da assessoria de imprensa da MSI, havia se comprometido a fazer um pronunciamento sobre o impasse, especificamente sobre a retenção dos valores do Clube dos 13. No início da noite, foi comunicada a decisão de que "a empresa, por enquanto, prefere se silenciar sobre o assunto".

"Esse iraniano é uma das pessoas mais intransigentes que conheço", declarou um influente conselheiro do clube. "Essa história vai parar na Justiça, porque nenhum dos dois (Kia e Dualib) vai recuar um milímetro", completou.

Temendo problemas financeiros - o clube tem as contas bloqueadas pela Justiça por causa da pendência com o atacante Luizão, no valor de R$ 9 milhões -, o presidente do Corinthians foi em setembro a Europa pedir a quitação da dívida e a substituição de Kia, com quem não via mais ambiente para manter o acordo. Na ocasião, ouviu do russo Boris Berezovski, um dos financiadores do fundo, que seria enviado um mediador a São Paulo, que tentaria solucionar as arestas financeiras e políticas.

"A promessa foi de que essa pessoa viria até dezembro, no máximo. Mas até agora ninguém apareceu", afirmou Trujilo. "O Dualib continua esperando o tal consultor, mas, se ele não vier, o único jeito será ir cobrar pessoalmente os investidores, ir à Europa se for o caso."


ARESTAS

O primeiro desgaste ocorreu ainda em 2004: o dirigente era ignorado quando pedia ao iraniano que apresentasse provas de quem eram os investidores por trás da MSI e ainda ficou sem resposta ao solicitar uma carta de fiança de um banco de renome internacional.

Em outras ocasiões, os discursos não batiam. Kia falou, por exemplo, que o objetivo do time em 2005 seria a classificação para a Taça Libertadores, títulos só seriam pensados para 2006. Dualib, dias antes, cobrou taças ainda este ano.

Após a assinatura do patrocínio com a Samsung, o cartola ficou ressentido com o executivo por não ter pago um porcentual pelo contrato à sua neta, Carla Dualib, do departamento de marketing corintiano. No momento, exige R$ 22 milhões para quitar dívidas. A MSI já teria pago R$ 38 milhões dos R$ 60 milhões previstos.

(O Estado de S. Paulo, Esportes, 15/12/2005)