NOTÍCIAS – 14/12/2005
Kia abre as asas para vôos maiores
ROBSON
MORELLI
De comandante da parceria corintiana, Kia
Joorabchian vai virar um gestor do futebol. Esse é o desafio
das pessoas que cuidam da imagem e da carreira do chefe da MSI no
Brasil. O investidor iraniano parece ter capitalizado o sucesso da
conquista do Campeonato Brasileiro e quer tirar proveito disso.
Transformar Kia em um administrador do esporte tem outra
finalidade: tirá-lo do fogo cruzado da política do
Parque São Jorge, com a eleição para presidente
em fevereiro. Kia teme que todo o sucesso conquistado com o tetra
nacional possa escorrer pelo ralo quando voltarem à tona temas
como a origem do dinheiro da MSI e as investigações do
Ministério Público sobre o acordo com o Corinthians.
A idéia é tirá-lo um pouco mais do
Parque São Jorge, do mundo restrito do futebol, de suas
vitórias e derrotas. O projeto Kia-2006 visa transformá-lo
até num consultor de investimentos. O iraniano, que já
fala português, daria palestras sobre o assunto, bem ao estilo
de José Carlos Brunoro, que saiu do vôlei para ser um
dos administradores da dobradinha Palmeiras/Parmalat no começo
da década de 90. Brunoro virou sinônimo de sucesso no
futebol e sempre é lembrado para coordenar projetos nessa
área.
Kia ainda não deu seu aval para tudo
isso. E é ele quem diz sim ou não a todo o planejado.
Com a parceria nos trilhos, imagina-se que o iraniano tenha mais
tempo para outras atividades. Uma aproximação dos
torcedores também está nos planos dos assessores de
Kia. Da assinatura do contrato no salão nobre do clube, quando
houve a invasão de alguns membros da Gaviões da Fiel
para protestar, até a conquista do título brasileiro,
Kia subiu na conta dos corintianos. Espera manter esse entrosamento
estando mais próximo da arquibancada. Medidas nesse sentido
também estão sendo pensadas. Uma delas é pedir a
fabricação de uniformes do Corinthians a preços
populares, facilitando a compra dos torcedores e combatendo a
pirataria.
Fábio Costa corre contra o
tempo
A MSI pretende investir em contratações
antes do retorno dos jogadores das férias, marcado para dia 3.
Fala-se em sete atletas, entre eles um bom goleiro, já que as
negociações com Fábio Costa travaram.
O
jogador insiste em melhorar seu salário de R$ 80 mil para R$
160 mil. AMSI não quer pagar tudo isso. Parou nos R$ 120 mil e
vai usar seu desespero para forçá-lo a renovar. Seu
vínculo termina no fim de dezembro. Reuniões já
foram feitas entre seu empresário, Antônio Amorim, e
Paulo Angioni. A MSI quer resolver isso amanhã. O Benfica
estaria no páreo.
O técnico Lopes deseja Fábio
na Libertadores, embora já tenha sido consultado sobre outros
nomes para a posição. Kia e Marcel Figer marcaram
reunião para tratar do acerto de Ricardinho, do Santos, que
interessa também ao Cruzeiro.
(Jornal da Tarde, Esportes, 14/12/2005, p. B-3)