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– 09/12/2005
E KIA “ARROMBOU” A FESTA
COSME
RÍMOLI
"Eu tinha uma idéia sobre o Kia
antes de conhecê-lo. Agora que vi o bem que fez ao Corinthians
mudei minha opinião. Está fazendo bom uso do poder que
tem. É um bom menino", MARLENE MATHEUS
O
chefão da MSI ofuscou o presidente Alberto Dualib ontem, no
banquete anual do Corinthians, quando tinha a intenção
de ser aclamado e lançar sua candidatura a mais um mandato à
frente do clube. Mas os torcedores e conselheiros só quiseram
saber do iranianoO presidente Alberto Dualib havia programado o
banquete anual do Corinthians para ser aclamado e lançar sua
candidatura para mais um mandato. Só que o iraniano Kia
Joorabchian roubou a cena no salão nobre do Parque São
Jorge na quarta-feira. O tratamento dos conselheiros e torcedores foi
de adoração a Kia. Contrariado, o presidente teve de
assistir a tudo calado.
Enquanto isso, Tevez ganhava a queda
de braço com a CBF e com a TV Globo. Mesmo tendo sido
escolhido como o melhor jogador do Campeonato Brasileiro, ele avisou
a organização do torneio que não estará
no Morumbi, às 16h de domingo, para a partida entre o
Corinthians e a Seleção do Brasileiro (veja postos de
troca de ingressos abaixo). "É muito bom ter todo esse
carinho, viu ?! As pessoas entenderam que vim ajudar o Corinthians",
disse Kia, coberto de marcas de batom - resultado de beijos de tietes
enlouquecidas. Ele levou uma hora e meia para andar da entrada do
salão nobre até sua cadeira. Foi parado para beijos e
fotos. Lembrava um santo que todos queriam tocar.
"Eu
tinha uma idéia sobre o Kia antes de conhecê-lo. Agora
que vi o bem que fez para o Corinthians, mudei radicalmente minha
opinião. Está fazendo bom uso do poder que tem. É
um bom menino", elogiava Marlene Matheus. No ano passado,
Marlene chorou e disse que Kia era "o mafioso" que havia
comprado o Corinthians. Atualmente, defende até sua
candidatura a presidente corintiano.
Kia ofuscou
completamente Dualib. O iraniano foi cumprimentar o presidente. O
encontro foi frio, seco. "Meu relacionamento com o presidente é
profissional. Só profissional", repetiu Kia Joorabchian.
Percebendo que os fotógrafos registravam a cena, os dois
mostraram o quanto são espertos e passaram a sorrir como
veteranos atores. O técnico Antônio Lopes, que não
tinha nada a ver com a briga, estava no banquete e reclamava.
"Preciso de reforços, muitos reforços para 2006. O
calendário será apertado. Preciso de pelo menos mais
cinco jogadores", deixou escapar o treinador. O recado valia
tanto para Kia como para Dualib.
Se Kia foi o centro das
atenções, o atual presidente conseguiu reforços
importantes na luta para permanecer no cargo por mais três
anos. Seu inimigo íntimo é o vice de futebol Andrés
Sanchez. O empresário avaliava sua frágil chance de
derrotar Dualib em fevereiro, mês da eleição
presidencial. Sanchez não sabe se faz como Lula, e se firma
como um candidato da oposição, correndo o risco de
ficar longe do poder, ou "se finge de morto" e fica perto
das decisões de Dualib e espera até 2009, quando o
presidente, com 88 anos, provavelmente não sairá
novamente como candidato. Sem prestígio, o polêmico
vice-presidente Antônio Roque Citadini não apareceu no
banquete - assim como o conselheiro que jurava derrubar Kia e Dualib
em 2004, Romeu Tuma Júnior.
Quanto a reforços,
Ricardinho virou prioridade. O meia está perto de ser
contratado. Assim como Rodrigo Tabata, do Goiás, Renato e
Ramon do Atlético Mineiro. Pelos indícios, a renovação
de Fábio Costa deverá sair, mas será mais cara
que o presidente da MSI esperava. O goleiro quer um gordo reajuste
para continuar no clube e brigar pela Libertadores de 2006.
(Jornal da Tarde, Esportes, 09/12/2005)