NOTÍCIAS – 08/12/2005
É NORMAL LULA RECEBER O CORINTHIANS
O
presidente da República receber um time campeão
brasileiro no Palácio do Planalto, embora não seja
prática comum entre nós, a não ser quando se
trata da seleção brasileira, não tem nada
demais.
Entre outras coisas porque é pública a
paixão de Lula pelo futebol e, em especial, pelo Corinthians.
Nem mesmo a presença de Mr. Kia, empresário de negócios
de origens, no mínimo, nebulosas, me surpreende neste transe
ético por que passa a nação brasileira, embora
como cidadão que paga altos impostos para manter limpo o
palácio presidencial me sinta incomodado.
O que me
surpreendeu foi a bizarra intervenção do senador
Suplicy, na sessão plenária do Senado, ao interromper
uma fala importante do senador Jefferson sobre problemas na Educação,
o grande nó do nosso crônico atraso, para fazer um
anúncio urgente e de alta relevância para os destinos do
país. Diante da proverbial responsabilidade de Suplicy, o
mundo parou de girar na expectativa do tal anúncio, que nada
mais era do que esse: o presidente havia acabado de receber os
campeões brasileiros (sub judice, diga-se) em
palácio.
O senador Suplicy, que tantos serviços
relevantes já prestou à nação, poderia
ter nos dispensado deste, preservando-nos (e, sobretudo, à sua
biografia) de tais constrangimentos demagógicos.
A
propósito, leio no DIÁRIO que, em certo momento da
recepção, Lula perguntou ao presidente Dualib sobre o
estádio do Corinthians, e Tevez interrompeu o diálogo,
aconselhando o presidente a perguntar essas coisas a quem de direito:
Mr. Kia.
Tengo ganas de morir, como no velho tango.
ENTRE
O APITO E A PENA
Se um juiz, com seu apito venal, criou a
maior turbulência num campeonato que transcorria em belo nível,
uma juíza de toga, com sua pena justa, prolonga a agonia da
Fiel, que comemorou a conquista do campeonato a sotto voce,
digamos.
Ouvi a douta senhora na Jovem Pan e ficou-me a
sensação de que, apesar de loquaz e bem articulada, ela
não está muito convicta da justeza de sua ação.
Pelo menos, embaralhou-se na explicação sobre como
chegou à sua decisão de manter sub judice o título
brasileiro deste ano, ao acatar pedido de liminar feito por um
torcedor gaúcho, ao dizer que não se restringiu apenas
à letra da lei, mas subsidiou-se com material colhido na
mídia. Ou melhor: parte dela.
Isso me leva a crer que
sua tendência é antes captar o espírito da lei do
que aplicá-la na sua estrita especificação. Nada
contra, ainda mais partindo de um absoluto ignorante em leis como
este que lhe fala. Nesse caso, por extensão e lógica, a
juíza deveria estender esse conceito para a decisão
tomada pelo Zveiter de plantão.
Sim, porque naquela
decisão o presidente do tribunal esportivo entendeu que as
provas do ilícito foram as obtidas pelo Ministério
Público e pela Polícia Federal. Considerou, pois, que,
para sanar quaisquer dúvidas sobre as partidas apitadas pelo
juiz ladrão – atendendo, dessa forma o interesse geral
dos torcedores de todas as equipes participantes do torneio -, o mais
justo seria mandar reprisá-las todas.
Dispensou a
“perícia” de jogo por jogo, entre outras coisas,
porque ela seria meramente subjetiva. Não há “perito”
no mundo que possa provar cientificamente, diante de um replay de uma
partida de futebol, se houve ou não intenção de
um juiz beneficiar este ou aquele resultado, como, por exemplo, o
fazem os peritos em arte, em escrituras contábeis, em
falsificações, em digitais etc. Pode, no máximo,
palpitar a respeito. E palpite não vale um tostão
furado em qualquer tribunal sério, da justiça comum à
justiça desportiva.
(Diário de S. Paulo, Esportes, 08/12/2005, p. C-5)