NOTÍCIAS – 03/12/2005
Receita pede documentos para devassar Corinthians
Órgão
mira clube pela 1ª vez após chegada da MSI e deseja
esclarecer contratos e transações de atletas
EDUARDO
ARRUDA
DA REPORTAGEM LOCAL
RICARDO
PERRONE
DO PAINEL FC
O
Corinthians, das milionárias contratações feitas
pela MSI, está na mira da Receita Federal. O órgão
pediu ao clube os documentos referentes às negociações
de jogadores feitas pelo clube.
Segundo um funcionário
corintiano, que pediu para não ser identificado, foram
exigidos os contratos referentes às transações
realizadas desde de 2001.
A Folha apurou que o principal
foco da Receita são as negociações feitas neste
ano, já na gestão da MSI, de Kia Joorabchian.
O
clube foi notificado há cerca de dez dias e tem mais duas
semanas para apresentar a papelada.
Além dos contratos de
compra e venda, o Corinthians terá de apresentar documentos
referentes ao câmbio realizado em cada negociação.
O órgão quer saber a origem e o destino do dinheiro.
A
parceria é investigada também pelo Ministério
Público Federal sob a suspeita de atuar no Brasil apenas para
lavar dinheiro, como concluiu investigação do
Ministério Público Estadual.
Em conversas
reservadas, os dirigentes corintianos dizem estar preocupados com a
possibilidade de serem punidos por diferenças nos valores
pagos pela parceira por alguns atletas em relação ao
anunciado pelos vendedores.
O caso mais emblemático é
o do argentino Carlitos Tevez. O valor da transferência dele do
Boca Juniors para o Corinthians varia de acordo com o contrato. Ao
Ministério Público Estadual, o clube paulista informou
ter repassado os direitos econômicos do jogador à MSI
por US$ 17 milhões.
O valor é superior em US$ 1
milhão ao registrado no contrato de compra e venda com a
equipe argentina. A MSI, por sua vez, já anunciou que esse não
é o único documento da transferência. Informa que
firmou outros acordos que, somados, totalizam os US$ 22,6 milhões
da negociação.
A MSI diz que chega aos US$ 22,6
milhões da seguinte forma: além dos US$ 16 milhões
pagos por Tevez e US$ 2 milhões pelo intercâmbio ao
Boca, afirma ter despendido outros US$ 2,4 milhões pelos 15%
do atleta, comissão de empresários e pagamentos de
quase US$ 600 mil em taxas.
Na notificação entregue
ao clube pelo órgão federal não há
referências ao que está sendo investigado. Dirigentes do
Corinthians acreditam que o principal alvo é a discrepância
nos valores das contratações de jogadores.
Ao todo a
MSI investiu mais de R$ 100 milhões para montar a equipe, que
amanhã pode conquistar o título brasileiro.
O risco
de o clube ser multado por irregularidades nessas operações
e por causa da origem do dinheiro da MSI, que pertence à
empresas constituídas em paraísos fiscais, foi o
principal argumento dos conselheiros contrários ao acordo de
parceria.
Na ocasião, Alberto Dualib e seus aliados diziam
não haver riscos para o clube.
Nesta semana, o presidente
corintiano se recusou a assinar documento que o transformaria em
diretor da MSI. Desconfia dos negócios do parceiro e teme ter
de responder pela empresa. O contrato prevê a participação
de duas pessoas indicadas pelo clube para integrar a sociedade.
(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 03/12/2005)