NOTÍCIAS
– 26/03/2005
Entrevista
do mês: Neto
Pra falar a verdade
Na
fase mais feliz de sua vida, Neto fala sobre o trauma que o acompanha
desde os tempos de jogador e revela que quer ser técnico
depois da Copa de 2006
Neto é um dos comentaristas mais
polêmicos do Brasil, característica que carrega desde os
tempos de jogador. Fala sobre tudo. Pra falar a verdade - expressão
que usa a toda hora -, sobre quase tudo. A equipe da A+ estava
encerrando esta entrevista especial quando, depois de quase uma hora
e meia de conversa em que todas as perguntas tiveram respostas,
recebeu dele a única recusa: "Você tem 1,74m de
altura. Quanto está pesando agora?"
- Ah... (pausa)
Coloca aí que estou bem. Gordo nunca revela o peso - respondeu
ele.
Neto ainda não conseguiu superar o trauma de ser
chamado de gordo, que o persegue até hoje em bares,
restaurantes e - pode acreditar - estádios de futebol. Pela
primeira vez, ele revela que teve que fazer terapia por causa disso
no início da década de 90, quando vivia no Corinthians
a melhor fase de sua carreira.
Mas a fase, pelo menos física,
é outra. Depois de iniciar uma reeducação
alimentar ortomolecular, que indica o cardápio a partir do
tipo sangüíneo, Neto emagreceu 30kg em um ano e três
meses. Resultado: está em forma para participar de uma Copa do
Mundo - como comentarista -, o que não conseguiu como jogador.
Depois da Alemanha, vai iniciar outro projeto: ser técnico, ou
melhor, treinador - o que para ele não é a mesma
coisa.
Aliás, um dos trechos mais surpreendentes da
entrevista é quando Neto aponta seus preferidos na função
de treinador. No meio de muitos palavrões, que na maioria das
vezes não soam tão chulos em sua boca, sobra até
para Carlos Alberto Parreira, técnico da Seleção
Brasileira.
No dia 9 de abril, Neto vai inaugurar um programa
esportivo na TV Bandeirantes, o "Video Gol", com a promessa
de não deixar pedra sobre pedra, como nesta entrevista.
Mateus Benato: É mais fácil ser comentarista
que jogador e dirigente?
Para mim, a coisa mais fácil foi
ser jogador. Eu fui bom pra caralho. Só fui ruim comigo mesmo.
Pra falar a verdade, pelo que vejo do futebol de hoje - dos
Ronaldinhos, do Alex, dos caras que são camisa 10, da minha
posição, - eu não perco em nada para eles. Isso
se eu tivesse sido atleta, estou falando de nível técnico.
Mas não posso comparar minha carreira com a de nenhum dos
três. O Alex tem vários títulos, o Ronaldo é
bicampeão mundial, o Ronaldinho é o melhor do mundo.
Estou falando de jogar bola.
Marcelo Damato: Você não
se arrepende de não ter feito esse regime mais cedo, quando
era jogador?
Eu não me arrependo de porra nenhuma que fiz
na minha vida. Pra falar a verdade, a única coisa de que me
arrependo foi não ter tido uma pessoa próxima de mim
para me ajudar e me orientar. Eu também não deixava. Se
tivesse feito isso quando jogava, estaria jogando até hoje num
Guarani, numa Ponte Preta. Agora, vou fazer 39 anos, minha cabeça
é outra, eu não bebo bebida alcoólica faz quatro
anos e três meses...
MB: Por que parou?
Depois que
minha filha nasceu, eu não quis beber mais. Até porque
eu bebia e ficava louco. E isso fez com que minha carreira fosse
inconstante: não disputei uma Copa do Mundo, não joguei
num grande clube europeu... Fui um jogador exclusivamente do
Corinthians.
MB: Você costuma criticar a presença
dos empresários nos clubes de futebol, mas não seria
bom ter tido um para lhe dar esse tipo de orientação?
Existe
o lado ruim: tem empresário que paga procuração
para tirar jogador de outro empresário. Mas, pelo lado bom, se
eu tivesse tido um empresário como o Gilmar Rinaldi, o Cláudio
Guadagno, o Luiz Taveira, o Wagner Ribeiro, o Juan Figer, com certeza
teria jogado em muitos clubes europeus. O empresário é
importante para a carreira do jogador, mas o clube não
precisaria de empresário para negociar jogador.
MD: No
São Paulo, fizeram você correr até na Marginal
Pinheiros. Você não tinha noção de quanto
a forma física era importante para sua carreira?
Eu não
tinha, nem um pouco... Até porque o que foi feito no São
Paulo foi errado: imagine correr no chão duro, no meio de
caminhão... Por outro lado, foi o único clube que me
fez entender um pouco isso, mas eu não... Pra falar a verdade,
eu não obedecia a ninguém.
Marília Ruiz:
Você obedece a alguém?
Hoje, eu acho que só
obedeço à minha filha. E aos caras que são meu
chefes.
MR: Mas você nunca obedeceu a seus chefes nos
clubes...
É. Eu poderia ter tido uma vida melhor, um
currículo melhor. No São Paulo, eu me condicionei, fiz
pré-temporada, emagreci... Só que largava tudo, não
tinha seqüência. No Corinthians, eu não fui o
melhor jogador de 90, 91 para a imprensa da época? E não
disputei nem a Copa de 90 nem a de 94. Olha como fui burro! Em 91,
fiz uma puta temporada, mas larguei tudo no ano seguinte. Achava que,
com meu talento, poderia superar essas coisas.
Benjamin Back:
Você já foi jogador, dirigente, técnico por um
jogo...
Puteiro... (risos)
BB: Vamos ficar no lado
profissional, por enquanto... (risos) Agora você é
comentarista. Gostaria de se fixar em que função no
futebol?
Quando eu parei de jogar futebol, parecia que não
tinha onde pisar, fiquei desnorteado. Graças a Deus, trabalhei
logo em seguida na TV Bandeirantes. Depois, fiquei dois anos e quatro
meses como gerente do Guarani e comecei a viajar de novo,
concentrar... São coisas que estão na veia da gente.
Achei que fosse fazer isso para sempre. Mas minha decepção
foi tão grande... Cheguei à conclusão que eu vou
ficar de comentarista até os 42 anos e partir para ser
técnico. Mas quero me preparar, não quero assumir como
um monte de técnico: "Corinthians contrata ídolo
Neto para apaziguar a crise". Não quero pegar um time
grande, mas começar de baixo, pegar um pequeno, sofrer. Mas só
vou começar a me preparar depois da Copa do Mundo. Eu vou
fazer a Copa, nunca fiz uma Copa, meu sonho é trabalhar numa
Copa. O (Sebastião) Lazaroni não me levou como jogador
(para a Copa de 90), pelo menos vou como comentarista.
MB: O César
Sampaio, quando encerrou a carreira no ano passado, também
disse que queria se preparar para ser técnico. O que vocês
dois, por exemplo, precisam aprender?
Ah, não sei porra
nenhuma. É foda dar treino, cara. Pensa que é fácil
dar treino para um time profissional? Pra falar a verdade, não
é só dar treino. Você tem que se preparar para se
posicionar diante do time, decidir em qual esquema pretende jogar...
Você acha que o César Sampaio, que foi ídolo no
Santos, tem condições de assumir no lugar do Oswaldo de
Oliveira? Não tem nem fodendo. O cara tem que sofrer. É
como esses meninos que me pedem para arranjar teste: "Pô,
no São Paulo só tem igrejinha". Tem porra nenhuma.
Se você é bom, joga em qualquer lugar. Para ser
treinador, você tem que aprender no dia-a-dia. Não
adianta pegar um time grande de cara porque, se você perder
duas, está fodido.
MR: Por que você quer ser
técnico?
O que eu quero é ser comentarista na
Alemanha. Depois da Copa, tenho a intenção de buscar
esse espaço, porque está um nível tão
baixo de técnico, uma mesmice tão grande, pra falar a
verdade. Vocês sabem quem é o Luiz Carlos Martins
(técnico do Marília), né? Ele é um puta
técnico. Mas só teve uma oportunidade de ser auxiliar
do Luxemburgo no Corinthians.
MR: Se fosse diretor do Santos,
contrataria o Luiz Carlos Martins?
Sem dúvida. E o Roberval
Davino (técnico do América)? Também é um
puta de um técnico. Só que, se ele passar por aqui,
ninguém vai saber quem é.
MD: E o Oswaldo de
Oliveira?
Eu andei defendendo o Oswaldo nos últimos
meses... Ele é um estrategista? Não. Está na
boca do povo? Não. Mas não é uma merda de
técnico.
BB: Ele é do estilo do Parreira?
Pra
falar a verdade, eu acho que ele é melhor que o Parreira, se
você quer saber...
MD: Você acha que os jogadores
acreditam no Oswaldo?
Muitos jogadores acham que o Oswaldo deixa a
desejar taticamente. E só isso não basta. Para ser
técnico, você tem que ser pai, padrasto, mãe,
amante, psicólogo, um monte de coisa. Mas a melhor qualidade é
que os jogadores confiem em você. Esse é o problema. Os
jogadores confiam no Oswaldo como pessoa, mas não como
técnico. Acho uma injustiça o que fizeram com ele no
Santos, mas ele também que mude de comportamento. Pra falar a
verdade, acho que o ciclo do Oswaldo acabou, dificilmente vai ser
técnico de um time grande. Ele seria um ótimo
coordenador-técnico.
MD: O que você acha do
Parreira?
Em relação ao Parreira, eu tenho assim
uma... Não sei se é bronca... Mas eu acho uma teta tão
grande esse pessoal da comissão técnica da Seleção
Brasileira, é um mamão com açúcar tão
grande... Pra falar a verdade, o Parreira não é
treinador. Para mim, há uma grande diferença entre
treinador e técnico. Ele é só um bom técnico,
sabe falar sobre o 4-4-2, o 3-5-não sei quanto... Essas coisas
me irritam profunda- mente. Eu torço para que ele não
vá para a Copa do Mundo, para que o Zagallo ganhe um busto no
Tom Jobim, do tamanho do aeroporto, porque estou cansado de ver esses
caras na Seleção desde 70, tanto na equipe principal
como nas divisões de base.
MB: Mas o Parreira ganhou
títulos no Corinthians.
E o Oswaldo ganhou o quê? Ele
tem mais títulos que o Parreira no Corinthians. O Parreira deu
sorte de ter o Corinthians na vida dele, foi a melhor coisa que
aconteceu para ele. Como foi a melhor coisa que aconteceu para
mim.
BB: Você é um dos jogadores mais importantes
da história do Corinthians. Isso prejudica seu trabalho como
comentarista e pode prejudicar o de treinador?
Desde a chegada da
parceira com o MSI, em que estou batendo forte, tenho sentido isso na
pele. Porque eu vou ao Pacaembu e tenho problemas com determinados
torcedores, que me xingam. Se eu for treinador, é possível...
Pra falar a verdade, eu nunca pensei nessa porra que você me
perguntou. Eu tenho uma coisa com o Corinthians que nunca pensei que
pudesse ter. Tem cara que me vê e chora. Nem dá para
entender o que significa isso. Agora, para dirigir o São
Paulo, o Palmeiras, o Santos, talvez eu tenha algum problema,
sim.
MD: O que você acha do Kia Joorabchian, presidente da
MSI?
Eu nunca estive com ele, mas não confio nele, assim,
como ser humano. Não tenho nada contra ele nem sei quem ele é,
mas ele me passa um tipo de... Para falar a verdade, eu acho que o
Corinthians está numa barca tão furada que, quando
chegar o momento de estourar, vai virar um Flamengo. Eu até
gostaria que desse certo, porque é legal ver o Carlos Alberto,
o Roger, o Tevez... Isso é muito importante para a gente que
depende do futebol. Como é que vai vender jornal se não
tiver jogador bom? Como é que um comentarista vai trabalhar se
todo dia tem que dar pau no Corinthians? Tem hora que é f...
Porque eu sou cobrado na rua por ser contra essa parceria: "Pô,
a gente tinha um time de merda e agora tem um time fudido". Sabe
que tem razão. Porque o Kia foi até a Polícia
Federal, ficou na fila, prestou depoimento, ninguém prendeu o
cara... Quem prejudica o Corinthians é a atual diretoria, que
fez o clube ficar devendo R$ 60 milhões.
MR: Aceitaria
um convite para trabalhar no Corinthians?
Se o Kia me oferecer US$
1 milhão por mês, eu não trabalho no Corinthians.
Como gerente, como técnico, eu não me associo a ele. Se
o Corinthians continuar com esse time e ainda trouxer o Vágner
Love, é sério candidato a ganhar tudo até quando
durar isso aí. Mas eu não sei até quando.
MB:
No tempo de jogador, você era estourado. Como comentarista,
ganhou o apelido de "boca nervosa". Como técnico,
não vai partir pra cima dos jogadores?
Talvez por isso eu
ainda não esteja preparado para ser técnico. Eu não
teria saco para ver o Tevez pipocar para bater um pênalti, por
exemplo. Pra falar a verdade, acho que sairia na mão com ele
no vestiário.
BB: Falar a verdade incomoda?
Isso me
atrapalha até hoje. Tanto me atrapalha que eu poderia ter
seguido a carreira de gerente de futebol, mas sempre botei a boca no
trombone. Às vezes, não consigo não falar, ser
político. Mas estou aprendendo a engolir determinados sapos.
Ainda estou engolindo sapos menores, assim, tipo rãs, o que
não fazia quando jogava. Mas, depois que fiz essa reeducação
alimentar, não é que fiquei mais calmo, mas estou
vivendo melhor. Como jogador, meu peso ideal era 74, 76 quilos. Sabe
quantos quilos eu ficava acima do peso? Cinco, seis, sete... Passava
de 82. Agora eu emagreci 30 em um ano e três meses.
BB:
O que você come agora?
Eu como pra caralho: arroz, feijão,
massa desde que seja até as 8h da noite. Mas não tomo
refrigerante, não como fritura, não como lanche, que eu
comia pra caralho, essas porras todas... Um Big Mac, eu comia dois
Big Macs. Estou tendo essa força agora. Não poderia ter
tido isso quando jogava? Não tive, então foda-se.
MB:
Você comia escondido nas concentrações?
Você
está falando de comida ou de mulher? (risos)
MB: De
comida... (risos)
O pessoal fazia um tipo de dieta para mim. Mas
você acha que, às 10h da noite, eu sendo ídolo do
Corinthians, os funcionários do hotel não traziam
coisas para mim? Você acha que, em troca de uma camisa do
Corinthians, os caras não traziam um puta americano com dois
ovos, uma puta Coca-Cola? (risos)
BB: E mulher?
Eu nunca
fugi de concentração de jogo, nunca. Mas eu nunca
fiquei reservado nas pré-temporadas. Saía, sim,
escondido. Ia pra zona em todo lugar. Você queria que eu
ficasse 20 dias...? É tão idiota da parte das pessoas.
Hoje, tem um dia de folga para o jogador fazer o que quiser. Na minha
época, era tudo fechado.
BB: Você não foi
um exemplo de atleta fora de campo. Não é estranho,
como comentarista, criticar um jogador que faz as mesmas coisas que
você fazia?
É foda. Estou com um problema sério
no Campeonato Espanhol. Falei que o Ronaldo estava pesando 90 quilos
e dei seu peso ideal numa transmissão. Chegou um repórter
da Band em Madri e o Ronaldo avisou que não falava com a
emissora por minha causa. Porque eu chamei ele de gordo. De certa
forma, eu me senti realmente honrado porque fui chamado de gordo
minha vida toda, até hoje. Estava comendo pipoca num jogo e um
cara me falou que eu poderia engordar. "Mas, meu senhor, eu não
jogo mais futebol. E outra coisa: o dinheiro é meu". Em
outra transmissão, falei que o Denílson estava gordo
porque ele entrou em campo com a camisa fora do calção.
Eu sei quando um cara está gordo: joga com a camisa fora do
calção, bota uma camisa maior, treina de manga comprida
num puta calor... Só que o Denílson foi legal: ligou no
meu celular e resolvemos o problema.
MB: Você se sentia
mal quando era chamado de gordo?
Você quer que eu fale uma
coisa? Você sabe que tive que fazer terapia porque tinha
depressão por causa disso? Fiz por três anos, a partir
de 91, 92... Você não sabe o que é ser cobrado
por todo mundo. Se eu for até o bar da esquina e pedir um
lanche, o cara vai fazer algum comentário. Depois que eu parei
de jogador futebol, dificilmente eu saía de casa, me sentia
envergonhado. Eu ainda sou cobrado para ficar magro. Isso é
uma coisa desagradável, nojenta, um preconceito fora do comum.
Se eu for numa churrascaria, o garçom vai falar que eu não
posso comer para não engordar. Todo mundo se mete na minha
vida. O rótulo de gordo foi uma das piores coisas da minha
vida.
MR: Você já fez algum regime louco?
Tomei
remédio, tarja preta, puta que o pariu. Sabe o que eu fazia?
Deixava de almoçar para jogar à tarde. Olha só,
que ignorância! Imagine correr 90 minutos, debaixo de sol, sem
almoçar?
Ficha
técnica
Nome: José Ferreira
Neto
Nascimento: 9/9/1966, em Santo Antônio de Posse
(SP)
Clubes como jogador: Guarani (83-86, 95), Bangu (86), São
Paulo (87), Guarani (88), Palmeiras (89), Corinthians (89-93, 97),
Milionarios-COL (93), Santos (94), Atlético-MG (95), Matsubara
(95), Araçatuba (96), Deportivo Italchacao-VEN (98) e Etti
Jundiaí (99)
Títulos como jogador: Campeonato
Paulista (87) pelo São Paulo; Campeonato Brasileiro (90),
Supercopa do Brasil (91) e Campeonato Paulista (97) pelo
Corinthians
Clube como dirigente: Diretor-técnico do
Guarani (2000-2002)
Como comentarista e colunista: TV e Rádio
Bandeirantes (99-2000), Rede TV! (2004), TV Bandeirantes e Rádio
Transamérica (desde 2004) e "O Estado de São
Paulo" (desde 2005)
Jogo
Rápido
l Em que pensou no último banho:
Estava pensando nas perguntas de uma entrevista que farei com o
Ronaldinho Gaúcho. Por que ele, que é considerado o
melhor jogador do mundo, faz tão poucos gols?
l Qual foi a
melhor festa da sua vida: Meu primeiro casamento acabou por essas
festas (Neto foi casado com Ana Helena por dez anos), agora estou
pianinho... Mas foi uma tipo "Calígula". Já
assistiu ao filme? Foi num motel
l Quando perdeu a virgindade:
Perdi com 15 para 16 anos numa zona da Costa Aguiar em Campinas.
Peguei meu primeiro salário no Guarani e paguei
l Qual foi
o lugar mais exótico que transou: Dirigindo um carro em alta
velocidade
l Já experimentou drogas: A única foi
cigarro. Fumei dos 17 aos 36 anos. Parei porque um amigo morreu de
câncer
l Em quem votou na última eleição:
Não votei porque acho que o voto não deve ser
obrigatório
l O que faria você entrar na política:
Um convite do Lula
l A que você assiste escondido:
"SexyHot", escondido da minha mulher e da minha filha, mas
minha mulher sabe. Até porque meu casamento melhora muito com
isso, aprendo umas posições fantásticas
l O
presidente Lula é: Fantástico
l Os palmeirenses são:
Pô, são metidos pra caramba
l Qual foi a coisa mais
estranha que já fez: Estava voltando para Campinas , debaixo
de uma chuva, com vontade de mijar... Tentei fazer xixi numa garrafa,
mas molhei tudo. Fodi o carro do meu irmão
l Você é
a favor do aborto: Sim. O governo poderia fazer isso para as pessoas
não passarem fome
l Você é a favor da união
gay: Sou a favor da união legal, mas não do casamento
religioso
l Você é a favor da pena de morte: Só
para duas coisas, seqüestro e estupro
l Você é a
favor da legalização da maconha: Não
l Qual é
sua mania secreta: Eu me masturbo pra caramba, me ajuda muito
l
Quem é seu desafeto: Uma das piores pessoas que conheci no
futebol foi o goleiro do Guarani, Jean
l Quem é irritante:
Eu. Sou um cara totalmente chato
Histórias
reais
'Corintians', uma paixão de infância
lll
José Ferreira Neto tem uma relação muito forte
com o Guarani, de Campinas, time onde começou a carreira ainda
adolescente e que o projetou nacionalmente. Mas ele não renega
a paixão de infância:
- Sempre fui corintiano.
Tanto
que, no dia 13 de outubro de 1977, depois de o Corinthians vencer a
Ponte Preta por 1 a 0 na decisão do Campeonato Paulista e
encerrar uma fila de 23 anos sem título, Neto, então
com 11 anos, saiu da casa em que morava em Santo Antônio de
Posse, no interior paulista, para fazer festa com o primo Marinho.
Munidos de giz, pedaços de tijolo ou qualquer outro objeto que
servisse para escrever, eles picharam o nome do time por todos os
cantos da rua João Lucon, onde a família morava. Só
que, ainda criança, Neto não sabia direito como
escrever o nome do time do coração. E mandou
"Corintians", assim mesmo, sem o "h". Tempos
depois, ele aprenderia a grafia correta. Mas a falta de uma simples
letra não estragou uma festa tão grande.
O
relicário de Rivelino
Neto não titubeia
quando lhe perguntam qual é o melhor jogador que ele viu
jogar:
- O Careca, centroavante, desde a época do Guarani,
no São Paulo, no Napoli, na Seleção
Brasileira.
Mas seu ídolo, "daquele que sempre quis
chegar perto, tirar um foto", é outro: Rivellino,
canhoto, ligado ao Corinthians, camisa 10 como ele. Quando chegou ao
Parque São Jorge, em 1989, Neto foi presenteado por Paulo
Dias, que foi roupeiro do clube por quase 30 anos, com o armário
de Rivellino.
- Estava fechado. Nunca ninguém tinha aberto
aquele armário - conta.
Dentro dele, Neto encontrou
relíquias que guarda até hoje: relatórios de
treinamentos, mapas de contusões, objetos pessoais, toda a
história de Rivellino no Corinthians.
Mas Neto tem outro
hobby, que ganhou contornos de tarefa profissional desde que ele
começou a trabalhar como comentarista: ler biografia de
jogadores, principalmente de ex-corintianos. Sobre jogadores ainda em
atividade, ele também costuma se informar. E Romário?
Tem que parar?
- Acho uma besteira tão grande que as
pessoas se preocupem com o Romário. Ele poderia, inclusive,
jogar um período num grande time paulista. Seria fantástico.
Se ele quiser continuar jogando, vou continuar batendo
palma.
Entrevista sem
censura
O ex-jogador e comentarista Neto recebeu a
equipe de entrevistadores da revista na área social do flat
que usa em São Paulo quando sai de Campinas, onde mora com a
mulher Fernanda e a filha Luísa.
(Lance!A+, www.lanceamais.com.br, 26/03 a 01/04/2005)