NOTÍCIAS –
24/03/2005
CARTOLA “REFORÇA” LIGAÇÃO KIA-BEREZOVSKY
Cartola 'reforça' ligação
Kia-Berezovsky
Depoimento do vice-presidente de finanças
do Corinthians, Carlos Roberto de Mello, levou os promotores que
investigam a parceria com a MSI a crer que há indícios
de lavagem de dinheiro
ROBSON MORELLI
Os promotores
do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao
Crime Organizado (Gaeco) estão cada vez mais seguros de que a
MSI lava dinheiro no Brasil. A conclusão dos representantes do
Ministério Público de São Paulo, entretanto,
ainda não foi anunciada. E só deverá ser
divulgada depois do depoimento do iraniano Kia Joorabchian, o homem
forte da empresa, marcado para dia 31, quinta-feira.
Ontem, o
Ministério Público de São Paulo ouviu o
vice-presidente de finanças do Corinthians, Carlos Roberto de
Mello. O cartola, acompanhado do seu advogado e presidente da
Federação Paulista, Marco Polo del Nero, trouxe novas
contradições ao caso. Uma delas foi ter afirmado que a
mulher do magnata russo Boris Berezovsky, Carla, esteve sim no Parque
São Jorge em 2004.
Ela foi recepcionada pelo
presidente Alberto Dualib e pelo vice Nesi Curi. Isso ocorreu logo
depois do retorno da comitiva corintiana da Inglaterra, trazendo na
bagagem a certeza de ter nas mãos nova parceira para o clube.
A mulher de Berezovsky teria vindo ao Brasil conhecer o novo
investimento da família. Mas tanto Dualib quanto Nesi Curi
haviam dito aos promotores do Gaeco desconhecer Carla Berezovsky.
"O senhor Mello nos contou outra história. Ele
chegou até a descrevê-la como uma mulher nova, dos seus
30 anos, magra, bonita", disse o promotor Guimarães
Carneiro.
As declarações do homem das finanças
do Corinthians trazem novas suspeitas da participação
do magnata nos negócios da MSI. Berezovsky é acusado de
ter estreitas ligações com a máfia russa, com
negócios ilícitos. "Temos a convicção
de que Boris Berezovsky acompanha as transações da MSI
com o Corinthians desde o seu começo."
Mello
disse mais. Contou, por exemplo, que todo o dinheiro investido na
compra do argentino Carlitos Tevez, US$ 16 milhões, não
passou pela conta do clube ou mesmo pelo território nacional.
"Mas não vejo irregularidade na transação",
disse.
Não é bem isso o que pensam os
promotores públicos. Tanto Guimarães Carneiro quanto
Roberto Porto entendem que Alberto Dualib não poderia ter
assinado os documentos. "Uma das características da
lavagem de dinheiro é o aparecimento de contas e empresas que
colocam o investidor cada vez mais longe do dinheiro. Isso é o
que estamos apurando no caso da MSI", disse Carneiro, sem tomar
decisões precipitadas.
O depoimento de Carlos Roberto
de Mello durou 2h15. O dirigente também revelou que há
15 dias o clube de Parque São Jorge recebeu empréstimo
da MSI no valor de US$ 700 mil (R$ 1,8 milhão).
O
dinheiro teria entrado no País a título de empréstimo,
mas depois se transformou em mais um investimento da parceria.
Os
profissionais do Gaeco também revelaram ontem que algumas das
transações da MSI, como transferência de dinheiro
de uma conta para outra para a compra de jogador, foram feitas
através de um e-mail gratuito.
"Não se
trata de um procedimento ilícito, mas é no mínimo
estranho saber que grandes operações de dinheiro são
feitas dessa forma", disse o promotor.
Kia Joorabchian
ainda está no Exterior. Ele estaria pedindo autorização
dos 'chefes' para revelar o nome dos investidores da MSI.
(Jornal da Tarde, Esportes,
24/03/2005)