NOTÍCIAS – 23/03/2005
JUSTIÇA FECHA O CERCO AO HOMEM DO DINHEIRO DO CLUBE
O vice-presidente de finanças do
Corinthians, Carlos Roberto de Mello, será ouvido hoje pelo
Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime
Organizado
ROBSON MORELLI
O cerco do
Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao
Crime Organizado) aos investimentos da MSI no Brasil está se
fechando. Os promotores Roberto Porto e José Reinaldo
Guimarães Carneiro interrogam hoje o vice-presidente de
finanças do Corinthians, Carlos Roberto de Mello. O nome de
Mello não estava na lista dos que seriam ouvidos pela parceria
Corinthians/MSI, mas o profissional foi citado em depoimentos
anteriores.
"Ele será o último a ser
ouvido antes de chamarmos o senhor Kia Joorabchian, da MSI, que
deverá acontecer na próxima semana", disse o
promotor Guimarães Carneiro. "Chegamos ao nome de Carlos
Mello porque todas as questões envolvendo dinheiro eram
remetidas a ele. Isso foi citado em todos os outros depoimentos.
Vamos então descobrir o que ele sabe da MSI."
O Gaeco
investiga o provável crime de lavagem de dinheiro da MSI no
Brasil. A empresa estaria usando a parceria com o Corinthians para
fazer isso. Nada ainda está confirmado. E as apurações
continuam.
Os promotores também pediram ao clube uma
cópia do contrato de compra e venda do jogador argentino
Carlitos Tevez. Os responsáveis dizem que entenderam mal e
enviaram ao Gaeco uma cópia do contrato de parceria. Ganharam
tempo. "Eles têm cinco dias para nos atender", diz o
promotor Carneiro.
Os promotores tiveram acesso a uma reportagem
sobre o assunto publicada pelo jornal Clarín, da Argentina.
Nela, uma novidade: o valor pago pela MSI ao Boca Juniors seria US$
16 milhões e não os US$ 22,6 milhões alardeados
por Kia Joorabchian e pelo presidente corintiano Alberto Dualib. "Os
números dessa negociação nunca bateram. O
Corinthians nos mandou um documento com o valor da compra em US$ 17
milhões. O jornalista argentino informa ainda que US$ 2
milhões teriam sido arrolados no negócio, mas dizem
respeito a um convênio da MSI com a categoria de base do time
paulista", diz Carneiro.
Tevez deu ainda US$ 1,5 milhão
ao presidente do Boca, Mauricio Macri, para que ele invista nas
categorias menores do clube portenho. A transferência do
atacante argentino e de outros 104 estão sendo investigadas
pelas autoridades daquele país. Querem saber se pagaram todos
os impostos.
Os promotores do Gaeco já começaram
a 'trocar figurinhas' com seus parceiros da Argentina. No contrato da
compra de Tevez há uma cláusula que dá ao Boca
20% do valor caso o atacante, agora do Corinthians, seja negociado
por mais de US$ 35 milhões. O pagamento ao Boca teria sido
feito em conta que o Royal Bank of Canadá, de Toronto, tem no
JP Morgan Chase de Nova York.
(Jornal da Tarde, Esportes, 23/03/2005)