NOTÍCIAS
– 12/03/2005
LAVANDERIA
RUSSA
De
procedência duvidosa, dinheiro dos magnatas faz o futebol russo
aparecer no cenário mundial, com a ajuda dos brasileiros
A
MSI, empresa que controla o Corinthians desde novembro do ano
passado, já investiu mais de R$ 100 milhões em
contratações para formar o Supertimão, como o
time é carinhosamente chamado pelos torcedores. O retorno do
investimento deve vir com a venda de produtos e novos contratos de
licenciamento. A chegada do argentino Carlos Tevez é a grande
responsável por esse aumento de vendas.
- Todo mundo
quer ter a camisa dele, o gorrinho que ele sempre usa - explica o
estudante Carlos Almeida, cliente assíduo da loja oficial do
clube e que confessa ter quatro gorrinhos iguais aos do jogador
argentino.
O ano começou movimentado para a Sports
Marketing Agency, empresa que faz o serviço de licenciamento
de produtos para o Corinthians. O clube já autorizou 39
empresas a comercializarem produtos com a marca do clube. Este número
só deve aumentar. De acordo com Marcela Corbisier, gerente da
Sports Marketing Agency, a empresa recebe cinco pedidos de
licenciamento por semana.
- Todo mundo quer pegar carona com esta
fama do Corinthians - explica.
Entre os 150 produtos vendidos,
estão desde a camisa oficial e uma chuteira exclusiva até
acessórios mais inusitados, como gel modelador de cabelos e
mamadeiras.
Os números mostram que a chegada dos
argentinos Carlos Tevez e Sebá Dominguez, além das
contratações de Carlos Alberto, Gustavo Nery e Roger,
balançaram a economia corintiana. A venda de camisas oficiais
triplicou em comparação ao mesmo período do ano
passado. Além disso, o crescimento de licenciamento de
produtos do Corinthians pode chegar a 30% em 2005, de acordo com as
expectativas do MSI.
Na loja oficial do clube, localizada no
Parque São Jorge, os vendedores não conseguem
acompanhar a demanda por camisas de Carlos Tevez. No dia em que a
reportagem da A+ visitou a loja, as camisas do atacante estavam
esgotadas. Em segundo lugar na preferência do torcedor está
o zagueiro Sebá Dominguez.
O clube também aposta
em uma estratégia parecida com a de times europeus para
seduzir potenciais novos torcedores. A Roxos e Doentes, empresa que
controla a venda de produtos oficiais no Parque São Jorge,
firmou um contrato neste ano para promover uma loja móvel do
clube. Nos jogos em que o Corinthians atua no interior de São
Paulo ou em outros estados, haverá uma van para comercializar
produtos do time e conquistar novos torcedores.
MERCADO
PARALELO
Já a venda de produtos piratas do Corinthians
não vai tão bem assim. No clássico contra o São
Paulo no Morumbi, no domingo, dia 27, o otimismo dos vendedores já
vem dando lugar à desconfiança.
- Quando o Tevez
estreou (no dia 29 de janeiro, contra o América pelo
Campeonato Paulista), foi tudo uma maravilha. Mas agora o time já
não está tão bem e as vendas caíram
bastante. Cheguei a vender 40 camisetas por jogo, hoje minha
expectativa é conseguir vender no máximo cinco -
reclama Jorge Souza, que vende produtos do Corinthians há dois
anos.
No mercado paralelo, cada camisa sai, em média,
por R$ 25. Já as camisas oficiais são vendidas por R$
125.
Para os torcedores, agora já não é
hora de apostar somente em Carlos Tevez como o nome a estampar as
camisas do Corinthians. O argentino marcou apenas três gols no
Campeonato Paulista, marca irrisória perto das
expectativas.
- O torcedor só compra mesmo quando o
jogador está no auge. Eu prefiro comprar uma camisa 10 sem
nome de jogador. De repente o Tevez se dá mal no time e aí
eu vou ter que ficar com o nome dele na camisa por uns bons anos -
explica o auxiliar de escritório Felipe Ramos, que no dia do
clássico escolhia uma camiseta para comprar entre as dezenas
de opções nos arredores do Morumbi.
Outro vendedor
que não quis se identificar aposta na diversificação
de produtos para faturar. Suas mercadorias se assemelham aos produtos
oficiais do Corinthians.
- O negócio é vender
de tudo, né? Tenho gorrinho, roupa infantil, camisa do Fábio
Costa, caneca de chope. Quer levar alguma coisa?
A reportagem
da A+ não comprou nenhum produto, mas logo depois um senhor já
aparecia para comprar uma camiseta para o filho com a inscrição
"Papai, já sou corintiano". Mal sabia ele que o
Corinthains perderia o jogo e terminaria a décima rodada na
quinta colocação no Campeonato Paulista. Resta saber se
por isso as vendas no mercado paralelo cairão ainda mais.
Números
Gigantes
24
milhões é o número da torcida corintiana, de
acordo com a última pesquisa LANCE!-Ibope de 2004
Grana
alta
250 milhões de reais foi o faturamento em
licenciamento de marcas esportivas em 2004. O futebol é
responsável por R$ 12 mi.
Pechincha
5
reais é o preço do gorrinho igual ao usado por Tevez
nas barraquinhas próximas ao Morumbi
Salto
180
por cento foi o aumento de produtos licenciados pelo Corinthians nos
últimos seis meses
Mercado
paralelo
5 vezes mais vende a indústria de materiais
esportivos piratas, em comparação aos produtos
licenciados
G-4
TENTA COMBATER PRODUTOS PIRATAS
Desde julho de 2004 os quatro
principais clubes paulistas - Corinthians, São Paulo,
Palmeiras e Santos - formaram o G-4. O objetivo do grupo é
promover reuniões mensais para consolidar contratos de
licenciamento.
Nos encontros, os representantes dos clubes
também discutem estratégias de fiscalização
de produtos piratas. O G-4 estima que, se todos os produtos piratas
fossem licenciados, os clubes chegariam a ter um retorno de R$ 40
milhões.
- Nosso objetivo é restringir o espaço
da pirataria. Queremos atingir marcas como a dos clubes europeus, que
ganham milhões com royalties sobre seus produtos - explica
Marcela Corbisier, representante do Corinthians no G-4.
O
Manchester United e o Real Madrid, os dois clubes mais ricos do
mundo, viram seus lucros se multiplicarem depois do investimento em
estratégias de marketing. O número de torcedores do
time espanhol chegou a 60 milhões na Europa e agora o clube
quer expandir os negócios para os mercados asiático e
latino-americano.
(Lance! A+, www.lanceamais.com.br, 12/03/2005)