NOTÍCIAS – 06/03/2005


DINHEIRO PASSADO A LIMPO


Abin investiga se MSI e Kia usam Corinthians para lavagem de milhões de dólares

Nuvens pesadas pairam sobre a parceria da MSI com o Corinthians, formada no início deste ano, e seu principal articulador, o iraniano Kia Joorabchian. Depois de despertar a desconfiança de diretores e conselheiros do clube, e de diversos órgãos do governo (Banco Central e Polícia Federal, entre outros), a MSI e Kia agora estão sendo investigados e monitorados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que teme que o futebol brasileiro esteja sendo usado para a lavagem de dinheiro.

A operação estaria sendo montada por milionários das ex-repúblicas soviéticas e é bem engenhosa, envolvendo pelo menos quatro países: Brasil, Argentina, Portugal e Inglaterra. E uma de suas principais pontas é justamente o Corinthians.

O esquema envolve a negociação de jogadores entre clubes da Argentina (como Boca Juniors), de Portugal e o clube paulista para a posterior venda para o Chelsea, de Londres. Só iriam para o clube inglês, comprado em 2003 pelo milionário russo Roman Abramovich, os mais valorizados.

Do atual time do Corinthians, o argentino Carlos Tevez (contratado ao Boca Juniors) e o brasileiro Carlos Alberto (que veio do Porto) são as maiores apostas da Media Sports Investments (MSI) para iniciar o esquema com o clube londrino.

O capital russo é evidente no Chelsea, mas nem tanto no Brasil, em Portugal e na Argentina. Por aqui, as relações da MSI e do iraniano Kia Joorabchian com investidores russos e da Geórgia (notadamente Bóris Berezoski e Badri Patarkatsisvili) vêm sendo investigadas por diversos órgãos do governo, mas Kia as nega com veemência.

Apesar disso, as evidências são muitas. Em agosto, Kia levou o presidente do Corinthians, Alberto Dualibi, para uma visita a Berezovski em Londres e, depois, a Patarkatsisvili, na Geórgia, antes da parceria MSI-Corinthians ser concretizada este ano.

— Eles têm dinheiro demais — afirmou Dualibi a amigos na volta.

Em depoimento ao Ministério Público paulista, Dualibi confirmou a viagem e os encontros, mas negou que Berezovski e Patarkatsisvili estejam colocando dinheiro no clube.

— A presença deles no Corinthians é cada vez mais evidente — disse Antônio Roque Citadini, conselheiro do Corinthians e um dos principais opositores da parceria. — E nos mesmos moldes atuam em Portugal e na Argentina. Tem um fundo que investe no Porto, mas também ninguém sabe quem são esses investidores. Não é sem sentido que as contratações do Corinthians foram todas feitas na Argentina e em Portugal.



(O Globo, Esportes, 06/03/2005, p. 54)



CONEXÃO RUSSA


O iraniano Kia Joorabchian, da MSI, parceira do Corinthians: fortes suspeitas de operações ilegais.

Após a queda da URSS em 1991, pessoas bem relacionadas enriqueceram da noite para o dia na Rússia e em outras ex-repúblicas soiviéticas, como a Geórgia, com as privatizações de empresas de gás, petróleo e mineração promovidas pelo então presidente Boris Yeltsin.
Com a chegada ao poder do presidente Vladimir Putin na Rússia, a situação se complicou para esses novos ricos.
Estima-se que US$160 milhões tenham saído nos últimos cinco anos daquela região. O futebol passou a ser um dos focos para a lavagem de dinheiro, que circularia no eixo Inglaterra, Portugal, Argentina e, agora, Brasil. Alguns clubes estariam sendo usados como o Chelsea, de Roman Abramovich; o Porto e o Corinthians.


(O Globo, Esportes, 06/03/2005, p. 54)