NOTÍCIAS – 06/03/2005

Papo com Trajano

ESQUISITA ESSA INVASÃO NO CORINTHIANS

José Trajano

Longe de mim ser um xenófobo. Tenho amigos argentinos, uruguaios, italianos e espanhóis. E mais: não sou daqueles sujeitos que vibram como nunca quando o Brasil vence a Argentina. Gosto de ver a Seleção ganhar, mas não comemoro diferente quando vence o vizinho. Respeito os hermanos e tiro o chapéu para eles, porque não é qualquer país que produz talentos extraordinários como Di Stefano, Sivori e Maradona.

Jamais me deixei influenciar pela história de macaquitos para lá e para cá. Mesmo no episódio da "água benta" na Copa de 90 entendi como uma molecagem digna de punição, mas não o encarei como agressão à nação brasileira como quiseram levar a coisa.

Não vejo, porém, com bons olhos a invasão estrangeira no Corinthians. Não por serem argentinos, iranianos ou russos. É pela esquisitice mesmo. Na coletiva de apresentação de Passarella, a presença dos tradutores, um para o técnico e outro para o manda-chuva, me incomodou. Soava como coisa do além, de filme B, de programa de quinta categoria de canais mexicanos.

A parceria com o MSI é estranha do goleiro ao ponta-esquerda. A origem do dinheiro é o xis da questão. Mas não é só isso. Os personagens, principalmente o jovem Kia, caíram de pára-quedas no dia-a-dia do futebol brasileiro. E, também, no dos homens do Ministério Público, da Receita Federal, do Banco Central etc.

A fama de Passarela é de disciplinador. Se fosse um talento como Rinus Michels, que infelizmente morreu anteontem, seria uma maravilha. Juntaria nossa fantasia à criatividade de um treinador. Mas cara fechada, fama de mandão, por aqui não faz sentido. Enfim, é o novo Corinthians, com sede na Marginal do Tietê, que para o tal Kia deve ficar em Buenos Aires.


(Lance!, 05/03/2005, p. 3)