NOTÍCIAS - 04/03/2005
CONTRATAÇÃO DE ARGENTINOS É BOA JOGADA, DIZEM PUBLICITÁRIOS
Robson
Morelli
'Não está acontecendo uma
´argentinização´ do Corinthians. O que está
acontecendo é uma ´corintianização´
da Argentina.' A frase é do publicitário e corintiano
Washington Olivetto, dada ontem ao Estado para explicar a preferência
da MSI, a parceira do clube, em contratar argentinos.
Com a
confirmação da chegada do técnico Daniel
Passarella, o time do Parque São Jorge terá cinco
profissionais portenhos: três jogadores e dois membros da
comissão técnica. Além de Tevez e Sebá, o
volante Mascherano já teria acertado sua vinda ao Brasil para
junho. Com Passarella veio o auxiliar Alejandro
Sabella.
Especialistas em marketing esportivo e em tendências
do mercado publicitário vêem com bons olhos o processo
encampado por Kia Joorabchian, sobretudo no sentido de fortalecer a
marca Corinthians fora do Brasil. 'Do ponto de vista do marketing o
que a MSI vem fazendo é positivo. O clube está na mídia
o tempo todo e isso valoriza a marca', diz José Carlos
Brunoro, da Brunoro Marketing Esportivo e um dos responsáveis
pela parceria Palmeiras/ Parmalat na década de 90. 'Sobre a
quantidade de argentinos no time, não acho que isso prejudica
sua aceitação no mercado.' A ´argentinização´
do Corinthians, no entanto, é vista com cautela pelo professor
e chefe do departamento de marketing da Escola Superior de Propaganda
e Marketing (ESPM), Ismael Rocha. O especialista diz que a aceitação
dos argentinos no Parque dependerá muito do comportamento
deles em campo. 'Ocorre que o Corinthians tem 90 anos e sua imagem
foi construída em cima de alguns aspectos, como dedicação,
sofrimento, garra, gana. Não importa, porém, a
nacionalização dos atletas que vestem sua camisa. O que
vale é se eles estão dispostos a manter todas estas
características.' Para Rocha, o Corinthians é um clube
bem posicionado no mercado. Quando se fala em Corinthians, todos já
têm uma idéia do que seja. 'Isso não pode mudar
nunca.' Para ele, tanto faz se os atletas são argentinos ou
russos, o que o torcedor espera é um time competitivo.
A
partir daí se dará ou não a aceitação
do Corinthians portenho no mercado publicitário.
Ismael
Rocha lembra que o Morumbi recebeu 30 mil pessoas quando Tevez fez
sua estréia. 'Para o mercado é isso o que importa. A
MSI e o senhor Kia Joorabchian estão montando um time,
independentemente de quem atue, que leva o torcedor ao estádio',
comenta.
(O
Estado de S. Paulo, Esportes, 04/03/2005, p. E-2)