NOTÍCIAS – 04/03/2005

INIMIGO É O QUE NÃO FALTA A PASSARELLA


Muitos atletas brasileiros não se deram bem com o argentino - seja jogando no mesmo time, enfrentando-o como adversário, ou sob suas ordens

SEM MUITOS AMORES

Daniel Passarella declarou ontem, ao assumir o cargo de técnico do Corinthians, que não tem problemas com brasileiros. Ele se defendeu da acusação de que teria implicado com alguns jogadores do País na equipe mexicana Monterrey, clube que levou ao título nacional em 2003. 'Treinei dois brasileiros no México e os dois jogavam. Quando um deles se transferiu para o Atlas, pedi para a diretoria a contratação de outro.' Mas o episódio mexicano não é o único. O ex-craque corintiano Sócrates teria dito em muitas oportunidades, para amigos próximos, que o argentino foi um dos responsáveis por sua saída da Fiorentina, na temporada 1984-85.
Passarella seria o líder de uma 'igrejinha', grupo de jogadores que não deixou Sócrates se ambientar no clube italiano. O Doutor acha que dois fatores motivaram a atitude: o fato de ele ser brasileiro e a derrota para o Brasil, na Copa de 82, na Espanha.
O novo treinador do Corinthians desmente tais passagens: 'Não tenho nada contra o Sócrates e nunca tive qualquer problema com ele.'


NEM TODOS

O ex-volante Batista enfrentou Passarella em três confrontos decisivos do Brasil com a Argentina, nas Copas de 1978 e 1982 e no Mundialito de 1981, e não lembra do zagueiro adversário como alguém que devotasse ódio aos brasileiros.
'A rivalidade fazia com que existisse de parte a parte a disposição para jogadas mais ríspidas', avalia. 'Todos nós tivemos em algum momento um ou outro momento de descontrole.' Para ele, Passarella não era capitão por acaso. 'Ele jogava muita bola, gostava de ganhar e mostrava sua disposição chegando junto nos adversários', recorda.
Desleal, admite Batista, foi a falta que sofreu de Maradona na Copa de 1982. Ele esqueceu a bola e atingiu a virilha do brasileiro com a sola da chuteira. 'Fiquei um tempo sem respirar', recorda. 'Mas voltei e tive de jogar até o fim porque o Brasil não podia mais fazer substituição.'



(O Estado de S. Paulo, Esportes, 04/03/2005, p. E-2)