NOTÍCIAS
– 01/03/2005
MÍDIA
ESPORTIVA & MSI
O ALVO CERTO
Daniel
Santini (*)
A propósito da nota "A imprensa
escolhe o alvo", publicada neste Observatório
(remissão abaixo), a atenção especial da
imprensa em relação ao senhor Kia Joorabchian é
baseada em fatos. O iraniano (sim, ele nasceu no Irã e não
há mal nenhum nisso) já foi associado com ninguém
menos do que o senhor Boris Berezovsky, que conta com um histórico
assustador de fraudes e transações financeiras
predatórias.
As acusações e provas
contra o magnata russo, um dos mais poderosos do mundo, vão
muito além do interesse político de Vladimir Putin em
prejudicá-lo, que realmente existe. Quem quiser mais
informações sobre o assunto pode consultar o livro The
Godfather of the Kremlin, do jornalista Paul Klebnikov,
assassinado com quatro tiros em julho de 2004, em Moscou (veja
remissão abaixo). O então editor da versão
russa da respeitada revista Forbes detalha em sua obra como
Berezovsky fez fortuna. Infelizmente ainda não há
versão em português, mas dá para encomendá-la
na Amazon.com.
(Leia matéria da Forbes sobre o caso
em (http://www.forbes.com/free_forbes/1996/1230/5815090a.html))
Só a possibilidade de Berezovsky estar no negócio
[com o Corinthians] já deveria assustar, mas o próprio
presidente do clube, Alberto Dualib, afirmou que há também
Badri Patarkatsishvili, georgiano que, além do nome
impronunciável, tem um currículo tão ou mais
pesado que o de Berezovsky. Ambos já foram julgados na Rússia
por desviar milhões da Autovaz, empresa que distribuía
os carros Lada. O MSI nega (desesperadamente) qualquer ligação
da dupla.
FALTA DE PROVAS
É possível
que o senhor Joorabchian seja realmente apenas um investidor
bem-intencionado. Mas, a mera possibilidade dele ser o representante
de magnatas poderosos querendo entrar no Brasil merece, sim, atenção
da imprensa.
A nota, atacando o trabalho sério que
muitos diários têm procurado fazer, mesmo estando
sujeito a críticas de uma torcida apaixonada empolgada com
contratações de craques, é leviano. Para
escrever a respeito, o colunista deveria, pelo menos, se informar
melhor:
"Este colunista é corintiano. Não
conhece o investidor Kia Joorabchian, não teve paciência
para ler o contrato que sua MSI assinou com o clube, não sabe
o nome dos investidores que integram a parceria".
É
o mínimo.
Argumentar citando exemplos em que a
imprensa se manteve calada quando deveria levantar questões é
ridículo. E apenas repetir o que o MSI tem dito é
lamentável. Mas vamos lá:
Berezovsky responde a
acusações graves e conseguiu asilo político na
Inglaterra, terra que costuma, por tradição histórica,
tratar bem quem tem dinheiro.
O "georgiano" tem a
polícia russa em seu encalço e é acusado de
fortes ligações com a máfia chechena que operou
em Moscou logo após a queda da URSS, e que ainda está
ativa. Seu irmão é tratado como um "chefão"
local.
A chegada de Joorabchian no Brasil representa muito
mais do que lavagem de dinheiro. Comandar um time de futebol do
tamanho e importância do Corinthians, além de ser um
meio possível para fazer aportes financeiros no país
sem se preocupar com retorno legitimando o que foi investido,
significa também poder e influência. É só
ver como o senhor Joorabchian já é tratado pela Fiel
torcida.
Joorabchian teve sim problemas com visto que fizeram
com que uma investigação fosse aberta na Polícia
Federal a pedido do Ministério do Trabalho. A investigação
foi encerrada por falta de provas, segundo o próprio delegado
que comandou o caso, Marco Antônio Veronese.
O Bush é
americano e, se não me engano, tem belos olhos azuis. E é
o Bush, tratado como o Bush por qualquer publicação
séria. Não muda nada.
Mais sobre a parceria
também pode ser encontrado na última edição
da revista Caros Amigos, que trata o assunto com a atenção
devida. Aliás, surpreende que uma nota desse nível seja
publicada em um centro de referência tão importante como
o Observatório da Imprensa.
(*) Jornalista do
diário Lance!
(Observatório
da Imprensa, www.observatoriodaimprensa.com.br, Jornal de
Debates, 01/03/2005)