NOTÍCIAS –
25/02/2005
DIRETOR
DÁ UM NÓ NAS INVESTIGAÇÕES SOBRE A MSI
Paulo
Angioni depõe por quatro horas no MP, mas demonstra não
conhecer como a empresa funciona
Marcos Rogério
Lopes
O diretor administrativo da MSI do Brasil, Paulo
Angioni, esteve ontem no Ministério Público (MP) do
Estado de São Paulo e deixou perplexos os representantes do
órgão que tentavam desvendar como funcionam as
operações financeiras da nova parceira do Corinthians.
"Ele não ajudou em nada. Mostrou total desconhecimento de
sua função na empresa e de como funcionam os negócios
do fundo de investimentos", disse o procurador José
Reinaldo Guimarães Carneiro.
Angioni não soube
esclarecer ainda para que serviria a procuração que o
autoriza a representar no Brasil as três financiadoras do fundo
de investimentos: a MSI de Londres e as duas offshores com sede nas
Ilhas Virgens Britânicas, a Devetia Limited e a Just Sports
Inc. Carneiro explicou que caberá ao dirigente receber e
movimentar os recursos destas empresas em território
nacional.
Passou quatro horas tentando ajudar nas investigações,
mas não conseguiu. No fim da oitiva, o dirigente contou, agora
à imprensa, que "nunca quis saber quem eram os
investidores que financiam a MSI". Não seria problema
dele. "Presto um serviço ao clube por causa da
experiência que acumulei em minha carreira. Respondo apenas
pelos meus atos", declarou. De acordo com o procurador Carneiro,
a pena para lavagem de dinheiro no País é de 3 a 10
anos de prisão e atinge envolvidos direta e indiretamente em
operações comprovadamente irregulares.
A suspeita do
MP é a de que o iraniano Kia Joorabchian, presidente da MSI,
esteja utilizando o Corinthians para "tornar limpo"
dinheiro de procedência criminosa.
Entre os possíveis
investidores que estariam bancando a parceria surgem os nomes de
Boris Berezovski, milionário russo condenado por envolvimento
com a máfia de contrabando de armas chechena, e seu sócio
em vários negócios, Badri Patarkatsichvili, magnata
georgiano proprietário da equipe Dínamo de Tbilisi.
Kia, entretanto, nega o envolvimento destes dois personagens
Uma
movimentação já levanta suspeitas. O
adiantamento de US$ 2 milhões - dos US$ 20 milhões que
seriam dados inicialmente pela MSI ao Corinthians -, depositados nas
contas do clube, partiram de um político da Geórgia,
Zaza Toidze. "Agora queremos levantar dados sobre este sujeito,
tentar saber quem ele representa ou a quem ele está
associado."
PRÓXIMOS PASSOS
"Há
indícios de lavagem de dinheiro, mas ainda há muito a
ser investigado. Não temos prazo para encerrar o caso",
explicou Carneiro. Na semana passada, o órgão ouviu
dois dos antigos sócios do fundo no Brasil, os advogados
Carlos Fernando Sampaio Marques e Maurício Fleury Leitão.
Assim como ocorreu ontem, não teve respostas para a pergunta
básica do inquérito: quem são os investidores
por trás da MSI. "Uma hora isso vai aparecer",
acreditam os procuradores Carneiro e Roberto Porto, responsáveis
pela investigação.
"Quando ocorre lavagem de
dinheiro, são comuns os depósitos sucessivos, com
recursos entrando e saindo de diversas empresas até chegar a
seu objetivo. No momento, temos de levantar informações
e conhecer a fundo como vêm sendo feita as transações
com o Corinthians", comentou Carneiro.
(O Estado de S. Paulo, Esportes,
25/02/2005)