NOTÍCIAS –
23/02/2005
VIOLÊNCIA
NO CAMPO: “A impunidade, companheiros, acabou”, diz o
presidente ao prometer rigor nas investigações.
Lula: ‘O BRASIL TEM LEI,
NÃO É TERRA DE NINGUÉM’
Ricardo
Galhardo
Enviado
especial
SIDROLÂNDIA
(MS). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a
escalada de violência no Pará que resultou no
assassinato da missionária americana Dorothy Stang é
culpa de uma ação orquestrada de empresários do
setor madeireiro com o objetivo de inibir as ações do
governo na região. Lula afirmou que o governo não vai
mais tolerar a grilagem de terras e que os que estiverem em situação
irregular terão que sair da área. Segundo o presidente,
o Brasil não é uma “terra de ninguém”.
— Nossa tarefa agora é legalizar todas as terras
possíveis e acabar com a grilagem. Quem tiver terra grilada, o
governo vai tomar conta dessa terra, porque o Brasil não é
terra de ninguém. Este país tem governo, tem lei e a
lei vale para o presidente e vale para um pistoleiro. Portanto, eu
quero dizer aqui, neste assentamento, que acabou! — avisou
Lula, durante a cerimônia de implantação do
programa Luz Para Todos no assentamento Geraldo Garcia, em
Sidrolândia (MS), a 70 quilômetros de Campo Grande.
Lula acusou madeireiros de contratarem jagunços para
matar posseiros e disse que os assassinatos provocaram um
contra-ataque do governo:
— Os madeireiros podem saber
que a morte da freira, em vez de colocar o governo recuado, vai
deixar o governo mais ativo. A impunidade, companheiros, acabou. Já
foi preso o assassino, já foi preso o outro suspeito, e agora
queremos chegar ao mandante, porque queremos acabar com essa história
de alguns empresários comprarem glebas de terras de milhares
de hectares em algumas regiões mais distantes do nosso país,
contratarem jagunços e mandarem matar quem está lá
organizado, como estavam os trabalhadores rurais.
CORTE
DE MADEIRA SÓ COM AUTORIZAÇÃO, AFIRMA
LULA
Segundo Lula, as desgraças ocorridas nas últimas
semanas são um incentivo para o governo:
— Nós,
agora, vamos aproveitar essa desgraça que eles fizeram para
que a gente possa moralizar a questão fundiária no Pará
e no Brasil. Eles podem ficar certos de que o governo assumiu as
dores daqueles que querem fazer justiça social neste país.
E vamos fazer com que a terra se transforme num bem de todos.
No
início do ano, madeireiros do Pará chegaram a
interromper o tráfego em algumas rodovias do estado em
protesto contra a suspensão dos planos de manejo florestal por
parte do governo na região.
— O Estado vai
certificar as nossas florestas e quem quiser cortar madeira vai ter
que ter autorização do Estado brasileiro — disse
Lula.
(O GLOBO, 23/02/2005, p. 5)