NOTÍCIAS –
20/02/2005
FUTEBOL
Shakhtar
Donetsk, que levou três destaques do Nacional, se apóia
em dono milionário e em técnico fã de
brasileiros
BRASIL
FAZ UCRÂNIA SONHAR COM A EUROPA
LUÍS FERRARI
DA
REPORTAGEM LOCAL
Depois dos petrodólares da Arábia
e dos dólares ao molho shoyu do futebol japonês, os
jogadores brasileiros acharam outra fonte de renda: os dólares
congelados do Shakhtar Donetsk.
Só neste ano, o time
ucraniano, que tem apenas cinco atletas locais no elenco, gastou R$
51,9 milhões e contratou Elano (do Santos), Jádson e
Ivan (do Atlético-PR), elevando para seis o número de
brasileiros. Negocia, ainda, com Fernandinho, destaque do time
paranaense no Brasileiro-04.
As contratações fazem
parte de um projeto de inserção do clube entre as
principais forças do futebol europeu. Além dos
reforços, o Shakhtar investe na construção de um
estádio, que promete ser o mais moderno do continente.
Fundado
em 1936, o time de uniforme laranja, tradicionalmente considerado a
"equipe dos mineiros", só saiu da sombra do Dynamo
de Kiev a partir de 1996, graças ao dinheiro de um investidor
que, entre outros negócios, é dono de minas de
carvão.
Foi naquele ano que o investidor Rinat Akhmetov, um
dos homens mais ricos da Ucrânia, tornou-se presidente do
clube.
Além de construir um centro de treinamento, reformar
três vezes o estádio do clube e dar início à
construção da nova arena, Akhmetov passou a investir em
jogadores e treinadores estrangeiros.
O primeiro retorno foi a
classificação inédita para a Copa dos Campeões
de 2001, feito que o clube repetiu na temporada passada.
Teve azar
ao cair no grupo de Barcelona e Milan, mas terminou em terceiro e
garantiu a vaga nos mata-matas da Copa da Uefa. Na semana passada,
empatou em 1 a 1 com o Shalke 04 e, na próxima quinta, tenta
ir às oitavas-de-final.
O autor do gol no jogo de ida foi o
paulistano Brandão, o "embaixador" do país no
clube, onde está desde 2002. Até a chegada do técnico
romeno Mircea Lucescu, no meio do ano passado, ele era o único
brasileiro do elenco.
Desde então, desembarcaram em Donetsk
os meias João Batista e Matuzalém, além dos
reforços que acabaram de chegar.
A invasão
brasileira tem o dedo do treinador, que além da seleção
de seu país já comandou a Inter de Milão. Na
apresentação dos três brasileiros, ele explicou o
interesse nos atletas do país.
"No ano passado, eu e o
presidente discutíamos como fazer o time melhorar. Em julho,
colocamos a idéia em prática, seguindo de perto o
Campeonato Brasileiro. Queríamos atingir o nível de
times como Barcelona, Real Madrid e Milan. Necessitávamos de
jogadores técnicos, como os brasileiros. Nos concentramos nos
mais jovens, em ação pelos dois melhores times. Eles
trarão um avanço fundamental ao nível técnico
do Shakhtar", disse o treinador, que espera ter o futebol de
Fernandinho após a Libertadores.
João Fleury da
Rocha, presidente do conselho gestor do vice-campeão
brasileiro, diz que está "em tratativas" com o clube
ucraniano, mas que o negócio ainda não está
fechado, contrariando informação do site da Uefa.
"Há
uma confiabilidade recíproca entre o Atlético-PR e o
Shakhtar, que foi muito ético nas negociações
anteriores. Conhecemos as instalações do clube, que é
idôneo", conta Rocha, para quem o Shakhtar caminha rumo ao
primeiro mundo do futebol.
Se chegar lá, além de
conhecida como a cidade de Sergei Bubka, maior atleta da história
do salto com vara, Donetsk será famosa por seu futebol,
"brasileiro".
(Folha de S.
Paulo, Folha Esporte, 20/02/2005)