NOTÍCIAS – 11/02/2005

BARBARA GANCIA


REPRESENTANTE DA MSI MERECE SER PAPARICADO?


O grosso das informações conhecidas sobre a sociedade entre o Corinthians e a obscura MSI revelam que o acordo não passa de maracutaia -e que o Banco Central e o Ministério Público estão cobertos de razão ao exigir explicações sobre o negócio.
Mas não é especificamente do contrato entre o Corinthians e a máfia russa que iremos tratar hoje neste espaço, mesmo porque a colega Soninha já destrinchou o frango com seu garbo habitual, no caderno de Esportes de ontem.
De início, quero dar uma palavrinha sobre o argentino Carlitos Tevez. Estou de olho no jogador (nada contra a contratação em si) desde que ele aportou, de cara amarrada, no Parque São Jorge. De lá para cá, soubemos que a nova sensação do Corinthians só começou a ficar mais à vontade ao descobrir que seu novo time é tão popular por aqui quanto o Boca Juniores é na Argentina. Veja só. O cara joga bola e nunca ouviu falar no Coringão nem sequer sabia que as duas torcidas são sempre comparadas. Bem diz o ditado que o desconfiado não é "fiel".
De todo modo, não levou muito tempo para ver Carlitos (ele não gosta que o chamem pelo sobrenome) se desarmar e começar a sorrir. No dia do aniversário, foi comemorar tocando reco-reco no sambódromo rodeado de mulatas. Já parece mais ambientado e tomara que esteja mesmo.
É esse o meu ponto: em que pese a rivalidade de argentinos e brazucas no futebol, é bom tratar de ir diluindo nossas diferenças. Por acaso, mexicanos e norte-americanos têm muita coisa em comum? Diria que só o gosto pelo chili-con-carne e a pimenta jalapeña. Mesmo assim, a proximidade geográfica forçou uma parceria. Nós já tentamos o Mercosul, mas cada qual só soube ver o próprio umbigo. Pois que Carlitos sirva para desaperrar nossas desconfianças mútuas. Só temos a ganhar com isso.
Outra palavrinha a ser dada aqui hoje é sobre o iraniano com nome de carro coreano que representa a MSI. Tudo bem que a torcida se deslumbre com ele. Mas será que era o caso de paparicar o sr. Kia Joorabchian como se fosse pessoa ilustre e convidá-lo para assistir aos desfiles no camarote da Brahma?
Será que a lúmpen burguesia (termo usado por Roque Citadini, vice-presidente do Corinthians) não aprendeu nada com a tungada que tomou do investidor convertido em patrono das artes, Edemar Cid Ferreira? Basta um desconhecido chegar abanando uma nota de dólar que a turma se derrete toda.


QUALQUER NOTA
Casamento grisalho
O enlace matrimonial entre o príncipe Charles e Camilla Parker-Bowles já está sendo chamado na Inglaterra de "gray marriage" (casamento cinza). A expressão não remete ao "fog" londrino ou ao casamento gay. Trata-se de uma alusão à cor de cabelo dos noivos, ambos cinqüentões.

Medo de atentado
No Estado americano da Flórida, a conta de água agora vem acompanhada de uma circular sobre "atividades suspeitas". Recomenda-se, entre outros, que pessoas sem documentos, sem emprego, vestindo uniformes desconhecidos ou que possuam GPS em casa sejam notificadas às autoridades.



(Folha de S. Paulo, Cotidiano, 11/02/2005, p. C-2)