NOTÍCIAS – 10/02/2005


FUTEBOL

Com base em denúncia do Ministério do Trabalho de que está irregular, iraniano terá de depor na próxima semana


PF INTIMA KIA A EXPLICAR ESTADA NO PAÍS

EDUARDO ARRUDA
DA REPORTAGEM LOCAL

RICARDO PERRONE
DO PAINEL FC


Com base em denúncia do Ministério do Trabalho, o setor de imigração da Polícia Federal em São Paulo intimou o iraniano Kia Joorabchian, executivo da MSI, a depor na próxima segunda-feira.
O manda-chuva da parceria corintiana terá de explicar ao delegado Marco Antonio Veronese, chefe do departamento em São Paulo, sua situação no país.
Até ontem, a assessoria da MSI informara que Kia não havia recebido a notificação para comparecer à Polícia Federal, mas que ele está "à disposição das autoridades para esclarecimentos".
Ele já teve de explicar sua situação no país às autoridades. Em novembro de 2004, foi ouvido pela PF, que não encontrou irregularidade em relação ao seu visto.
Na semana passada, o Ministério do Trabalho enviou ofício à PF e solicitou que o órgão averigúe a condição de estada de Kia no Brasil. O ministro Ricardo Berzoini cuidou pessoalmente do caso.
Em matéria publicada pela Folha, a pasta alegou que Kia está em situação irregular no país, pelo fato de não ter visto de trabalho e, mesmo assim, despachar.
Kia tem passaporte britânico, o que lhe permite ter visto de negócios no Brasil por 90 dias (contabilizados apenas os que ele estiver no país). Porém é proibido de trabalhar, ou seja, de cometer atos de gestão, como admitir e demitir funcionários ou falar pela MSI.
Pelas contas da PF e do Ministério do Trabalho, o visto do iraniano expirou ontem. O escritório de advocacia Veirano, que representa a MSI, informou à coordenadora do setor de imigração do Ministério do Trabalho, Hebe Teixeira Romano, que o executivo entraria com pedido de visto de investidor para trabalhar no país.
Segundo ela, Kia faria um investimento de US$ 1,8 milhão para obter o documento, válido por período de cinco anos.
Para ter o visto de investidor, o estrangeiro precisa aportar, no mínimo, US$ 50 mil no país. A MSI brasileira foi aberta com capital de R$ 1.000.
Anteontem, a assessoria da MSI informou que Kia está "dentro do prazo concedido pelo governo brasileiro para que representantes de companhias estrangeiras façam negócios no país".
Seguno o Ministério do Trabalho, o fato de o iraniano querer regularizar sua situação não anula eventuais irregularidades cometidas por ele. A pasta defende que Kia deve deixar o país até que obtenha o documento que lhe permita trabalhar no Brasil.

(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 10/02/2005)