NOTÍCIAS – 08/02/2005
FUTEBOL
Vice-presidente
diz que empresários aproveitam brecha para negociar
FIFA SE MOSTRA PREOCUPADA E ATENTA
A NEGÓCIOS DA MSI
DA REPORTAGEM
LOCAL
Vice-presidente da Fifa e
encarregado da Comissão de Finanças da entidade que
comanda o futebol mundial, o argentino Julio Grondona está
preocupado com a maneira com que as últimas transações
estão acontecendo atualmente -como a de seu compatriota Carlos
Tevez, por exemplo.
Em entrevista ao diário argentino
"Clarín", o presidente da federação de
futebol daquele país acusa empresários de não se
preocuparem com o esporte, só com seus próprios
interesses. "Esta gente chega, faz seu negócio e vai
embora, não o fazem pelo futebol."
A transferência
de Tevez causou estranhamento não só por parte de
Grondona. Há dez dias, a Folha revelou que o Banco Central do
Brasil está investigando a compra pela parceria Corinthians/
MSI. Mauricio Macri, presidente do Boca Juniors, time em que o
atacante jogava, já está com a papelada da transação
pronta a pedido do Banco Central argentino -o banco brasileiro fez um
pedido para ter acesso ao contrato.
"O que acontece é
que os clubes são deficitários, quase não podem
sobreviver mês a mês", afirmou Grondona ao tentar
explicar os motivos das negociações.
"Se os
clubes cumprem com o direito federativo, não deveriam ter
problemas. Se vem alguém, faz um depósito por um
jogador e o leva embora, acabou. O que acontece com o nosso futebol,
aqui na América do Sul, é que precisamos vender. E quem
tem dinheiro leva tudo", afirmou o dirigente.
E completou.
"Me parece que estes senhores vêem uma brecha comercial e
se aproveitam. Alguns têm até uma relação
pessoal com os jogadores. Eu conheci uns que tinhaM iates, trocavam
de mulher todos os anos, tinham um cabaré", disse o
argentino. "Nós estamos vivendo em um mundo onde o normal
é o anormal."
Ainda segundo Grondona, a Fifa está
a par da negociação de Tevez, mas "é uma
organização desportiva, não
fiscalizadora".
Sobre a possibilidade de o negócio do
atacante com o Corinthians "melar", foi evasivo. "Acho
que é difícil. Mas talvez seja possível."
(Folha de S. Paulo, Folha Esporte,
08/02/2005)