NOTÍCIAS – 07/02/2005


DIVIDIDA

POUCO SE SABE DE KIA

A oposição corintiana à parceria com a MSI resume-se a duas vozes: Antonio Roque Citadini e Romeu Tuma Júnior. Tanto o vice-presidente de Futebol do clube quanto o deputado do PPS ainda tentam provar que a dobradinha com o iraniano Kia Joorabchian não é uma boa. Contra eles pesam sobretudo os dólares da MSI. Numa tacada esperta de Kia, ele trouxe Tevez e Carlos Alberto e mudou o placar do jogo.

Ocorre, no entanto, que nada ainda foi apurado sobre o empresário iraniano que tenta salvar o Corinthians de suas pendengas financeiras, com o aval de eterna gratidão do presidente Alberto Dualib. Na semana passada, Kia voltou a tomar paulada.

Na sexta-feira, o JT publicou que o iraniano não estava autorizado pelos órgãos competentes do Brasil a trabalhar no País. Portanto, era um estrangeiro irregular em território nacional. Briga grande. Sua assessoria tratou de dizer que tudo está dentro dos conformes, e lá estava Kia dando força moral para o time diante da Inter de Limeira.

A surpresa neste episódio deflagrado pelo Ministério do Trabalho, em Brasília, foi ouvir de pessoas influentes no futebol, como empresários e jornalistas, que o órgão nacional estava procurando pêlo onde não existia. Ora. Cansados de cobrar, e isso não faz muito tempo, que os novos parceiros do Corinthians fossem investigados, até para que o torcedor, que mais uma vez poderá chorar por último, não seja enganado e passado para trás com falsos sonhos. Kia é a bola da vez, mas o procedimento vale para qualquer investidor estrangeiro. Citadini vive alardeando para o fato de o Corinthians se precaver caso a MSI caia fora sem aviso prévio. Em seus discursos, costuma dizer que, se isso ocorrer, o clube ficará de pernas para o alto. E com dívidas ainda maiores.

Bem ou mal, a imprensa já alertou e anda alertanda para os perigos da dobradinha da MSI com o Corinthians. O assunto não pode ser arquivado.

A revista Caros Amigos desse mês traz uma reportagem sobre Kia. Conta o envolvimento do parceiro corintiano com o empresário Roy Azim, um quirguistano com negócios nos EUA. Azim diz que Kia lhe roubou US$21 milhões (R$54,8 milhões). Encabeçou seus negócios e depois sumiu do mapa.

Será que Kia não sumirá novamente, agora do Parque São Jorge?

Apesar do oba-oba formado depois que o time entrou em campo, a MSI ainda carece de investigação.

Seus representantes, sabendo da desconfiança generalizada em torno da parceria, deveriam optar pela transparência, preto no branco, como nas cores do clube.


ROBSON MORELLI




(Jornal da Tarde, 07/02/2005)